Difference between revisions of "Barbosa, Maria Antonieta Júdice"

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'''Maria Antonieta Júdice Barbosa'''<br />
 
'''Maria Antonieta Júdice Barbosa'''<br />
S. Bartolomeu de Messines, Silves, 14/11/1924 - Lisboa, 29/07/1960.
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S. Bartolomeu de Messines - Silves, 14/11/1924 - Lisboa, 29/07/1960.
 
  Poetisa. Escritora. Jornalista.   
 
  Poetisa. Escritora. Jornalista.   
  
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* '''Notas Biográficas'''
 
* '''Notas Biográficas'''
MARIA ANTONIETA JÚDICE BARBOSA nasceu em S. Bartolomeu de Messines, na rua João de Deus, onde viveu cerca de um ano, tendo sido casada com o jornalista Francisco do Carmo Cota. Falece precocemente de parto, aos 35 anos. Teodomiro Neto escreve sobre esta algarvia "Só tive conhecimento dessa messinense em 1961, pela homenagem prestada em Messines, e pela placa comemorativa, na casa onde nascera, pela notícia que o semanário farense “O Algarve” publicara, nessa data, no esforço do viúvo, em dar a reconhecer o mérito da sua mulher poetisa, e na publicação póstuma, do livro de poemas: “A Voz e o Sonho”, 1961. Nesse ano de 1961, eu colaborava no citado semanário “O Algarve” onde tive ocasião em acompanhar, pela leitura, a homenagem prestada à poetisa do meu desconhecimento: Que tivera nascida na minha terra e completamente ignorada. A homenagem fora notada pela deslocação do então governador Civil. Baptista Coelho, a Messines, e descerrar a lápide comemorativa. Em 1999, esse Homem generoso e culto que ainda não tive ocasião de conhecer, o investigador João Vasco Reys, compilou os escritos de Maria Antonieta, numa segunda edição de “A Voz e o Sonho”. Pela leitura da biografia de Reys, tomei o conhecimento personificado de Maria Antonieta, uma poetisa em poesia acessível e transparente, que nascera na terra de São Bartolomeu de Messines, no dia 14 de Novembro de 1924. Por diversas vezes concorreu a jogos florais, atingindo a sua produção poética um número superior a 4.000 títulos. Preparava o seu primeiro livro intitulado «Poesias» quando faleceu, prematuramente, de parto. No ano a seguir à sua morte, publica-se então o livro «A voz e o sonho» e foi colocado o painel em sua homenagem na fachada da sua antiga casa. O seu nome também foi colocado numa rua em São Bartolomeu de Messines.<br />
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'''Maria Antonieta Júdice Barbosa''' era descendente pelo lado materno da família '''Júdice'''. Os Júdices são uma família originária da Córsega que já existia no séc. XI. Este apelido entra em Portugal em 1707 ou 1709 com a chegada de Paulo André Júdice, de Génova, do qual são oriundos todos os Júdices portugueses. Em 1736 o seu filho José Júdice é nomeado Juiz de Fora e dos Órfãos de Silves, vindo a casar com Quitéria Marina Tavares em São Bartolomeu de Messines, radicando-se o casal na Mexilhoeira da Carregação. Os pais de Antonieta Júdice Barbosa chegam a Messines em 1924 a pedido de Manuel Remexido com o intuito de o ajudar a montar uma fábrica de moagens, dado que era um experiente empresário deste ramo. Faleceu precocemente de parto, aos 35 anos, tendo sido casada com o jornalista Francisco do Carmo Cota. Poetisa marcadamente ao Sul de onde canta os seus encantos, abraçando o mar e o campo que inspiram a sua poesia exteriorizando o seu mundo e através dela comunicando com o outro.<br />
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Teodomiro Neto escreve sobre esta algarvia "Só tive conhecimento dessa messinense em 1961, pela homenagem prestada em Messines, e pela placa comemorativa, na casa onde nascera, pela notícia que o semanário farense “O Algarve” publicara, nessa data, no esforço do viúvo, em dar a reconhecer o mérito da sua mulher poetisa, e na publicação póstuma, do livro de poemas: “A Voz e o Sonho”, 1961. Nesse ano de 1961, eu colaborava no citado semanário “O Algarve” onde tive ocasião em acompanhar, pela leitura, a homenagem prestada à poetisa do meu desconhecimento: Que tivera nascida na minha terra e completamente ignorada. A homenagem fora notada pela deslocação do então governador Civil. Baptista Coelho, a Messines, e descerrar a lápide comemorativa. Em 1999, esse Homem generoso e culto que ainda não tive ocasião de conhecer, o investigador João Vasco Reys, compilou os escritos de Maria Antonieta, numa segunda edição de “A Voz e o Sonho”. Pela leitura da biografia de Reys, tomei o conhecimento personificado de Maria Antonieta, uma poetisa em poesia acessível e transparente, que nascera na terra de São Bartolomeu de Messines, no dia 14 de Novembro de 1924. Por diversas vezes concorreu a jogos florais, atingindo a sua produção poética um número superior a 4.000 títulos. Preparava o seu primeiro livro intitulado «Poesias» quando faleceu, prematuramente, de parto. No ano a seguir à sua morte, publica-se então o livro «A voz e o sonho» e foi colocado o painel em sua homenagem na fachada da sua antiga casa. O seu nome também foi colocado numa rua em São Bartolomeu de Messines.<br />
  
 
In:http://www.terraruiva.pt/2016/05/01/mulheres-da-minha-terra-11-mulheres-ausentes/ - Mulheres da Minha Terra ( 11) – Mulheres Ausentes Teodomiro Neto Maio 1, 2016 História & Património <br />
 
In:http://www.terraruiva.pt/2016/05/01/mulheres-da-minha-terra-11-mulheres-ausentes/ - Mulheres da Minha Terra ( 11) – Mulheres Ausentes Teodomiro Neto Maio 1, 2016 História & Património <br />

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JudiceFoto.jpg

Maria Antonieta Júdice Barbosa
S. Bartolomeu de Messines - Silves, 14/11/1924 - Lisboa, 29/07/1960.

Poetisa. Escritora. Jornalista.  

Este Quê

Isto não é sol!...
Não é luz!...
É qualquer coisa que se não traduz!...

Isto não é sede!...
Não é secura!...
É qualquer coisa entre a indiferença
E a ternura!...

Isto não é fome!...
Não é necessidade de comida!...
É qualquer coisa indefinida
Que me consome!...

Isto não é anseio!...
Não é desejo!...
É qualquer coisa entre a indiferença
E o beijo!...

Isto não é poesia!...
Não é louvor!...
É qualquer coisa de suave maneira
Entre o sorriso e o choro!...

Isto não é espera!...
Não é saudade!...
É qualquer coisa entre a quimera
E a realidade!...


  • Notas Biográficas

Maria Antonieta Júdice Barbosa era descendente pelo lado materno da família Júdice. Os Júdices são uma família originária da Córsega que já existia no séc. XI. Este apelido entra em Portugal em 1707 ou 1709 com a chegada de Paulo André Júdice, de Génova, do qual são oriundos todos os Júdices portugueses. Em 1736 o seu filho José Júdice é nomeado Juiz de Fora e dos Órfãos de Silves, vindo a casar com Quitéria Marina Tavares em São Bartolomeu de Messines, radicando-se o casal na Mexilhoeira da Carregação. Os pais de Antonieta Júdice Barbosa chegam a Messines em 1924 a pedido de Manuel Remexido com o intuito de o ajudar a montar uma fábrica de moagens, dado que era um experiente empresário deste ramo. Faleceu precocemente de parto, aos 35 anos, tendo sido casada com o jornalista Francisco do Carmo Cota. Poetisa marcadamente ao Sul de onde canta os seus encantos, abraçando o mar e o campo que inspiram a sua poesia exteriorizando o seu mundo e através dela comunicando com o outro.

Teodomiro Neto escreve sobre esta algarvia "Só tive conhecimento dessa messinense em 1961, pela homenagem prestada em Messines, e pela placa comemorativa, na casa onde nascera, pela notícia que o semanário farense “O Algarve” publicara, nessa data, no esforço do viúvo, em dar a reconhecer o mérito da sua mulher poetisa, e na publicação póstuma, do livro de poemas: “A Voz e o Sonho”, 1961. Nesse ano de 1961, eu colaborava no citado semanário “O Algarve” onde tive ocasião em acompanhar, pela leitura, a homenagem prestada à poetisa do meu desconhecimento: Que tivera nascida na minha terra e completamente ignorada. A homenagem fora notada pela deslocação do então governador Civil. Baptista Coelho, a Messines, e descerrar a lápide comemorativa. Em 1999, esse Homem generoso e culto que ainda não tive ocasião de conhecer, o investigador João Vasco Reys, compilou os escritos de Maria Antonieta, numa segunda edição de “A Voz e o Sonho”. Pela leitura da biografia de Reys, tomei o conhecimento personificado de Maria Antonieta, uma poetisa em poesia acessível e transparente, que nascera na terra de São Bartolomeu de Messines, no dia 14 de Novembro de 1924. Por diversas vezes concorreu a jogos florais, atingindo a sua produção poética um número superior a 4.000 títulos. Preparava o seu primeiro livro intitulado «Poesias» quando faleceu, prematuramente, de parto. No ano a seguir à sua morte, publica-se então o livro «A voz e o sonho» e foi colocado o painel em sua homenagem na fachada da sua antiga casa. O seu nome também foi colocado numa rua em São Bartolomeu de Messines.

In:http://www.terraruiva.pt/2016/05/01/mulheres-da-minha-terra-11-mulheres-ausentes/ - Mulheres da Minha Terra ( 11) – Mulheres Ausentes Teodomiro Neto Maio 1, 2016 História & Património

AzulejoBarbosa2.jpg

Casabarbosa.jpg

A casa onde nasceu a poetisa

No link abaixo:
http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/14312938
Pode ler-se a descrição da casa de Maria Antonieta Júdice Barbosa que foi classificada como Monumento de Interesse Municipal em 2010.
- 2007 - Post sobre o estado degradado dos azulejos da casa de Maria Antonieta Júdice Barbosa

  • Bibliografia

A voz e o sonho... e outros escritos coordenação, organização, biografia, ensaio interpretativo, transcrição e selecção de inéditos de João Vasco Reys, Câmara Municipal de Silves, 2008
Antonieta1.jpg
Maria Antonieta Júdice Nunes Barbosa : poetisa messinense (1924-1960) / João Vasco Reis
In: O Mirante : Boletim de Estudos e Defesa do Património Histórico-Cultural do Concelho de Silves. - N.º 15 (1999), p. 35-40
Autores algarvios / Biografias / Literatura portuguesa / Poesia / São Bartolomeu de Messines / Século XX

Links sobre Maria Antonieta Júdice Barbosa:

- 2005 - Homenagem por prestar a Mª Júdice Barbosa
- 2009 - Notícia sobre a inauguração da exposição "Messinenses Notáveis" e o lançamento do respectivo catálogo.
- 2013 - Post sobre a casa e a vida de Maria Antonieta Júdice Barbosa