Vedes, Lina

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  • Lina Correia Pinto Vedes (Lina Vedes)

S. Brás de Alportel, 1940.
Professora e escritora.

Lina Vedes vive em Faro desde os quatro anos de idade.
Faro torna-se a sua cidade de adoção e de coração, transformando-se no objeto central da
sua obra. É cidade e as suas gentes que a sua obra nos convida a revisitar, constituindo
um legado para as gerações futuras.
Frequentou a Escola Primária da Sé, o Liceu/Escola Secundária João de Deus e o Magistério Primário de Faro.
Foi professora, lecionando entre 1961 e 1995 em várias escolas do Algarve.
Obra publicada:

- Pedaços d’Ontem na Cidade de Faro - 2009
- Faro – Retratos “à la minuta" - 2010
- Gente de Faro - 2017

"Sou fanática pela minha terra.
Amo-a com paixão doentia fechando os olhos a todos os inconvenientes que, racionalmente,
sei que existem.
(...) Sempre fui assim, neste AMOR a Faro."

"Na véspera de Natal, depois da ceia, púnhamos o sapatinho à chaminé e íamos para a cama.
No dia seguinte, pela manhã, corríamos à cozinha para ver os presentes - umas cuecas ou uma combinação confeccionadas em casa, umas meias feitas pela avó com cinco agulhas, rebuçados e em ano de sorte, uma sombrinha de chocolate da Regina.
(...) Em casa faziam-se as empanadilhas com recheio de batata doce, as filhoses, matava-se a galinha e recheava-se, as fatias douradas, o arroz doce..."

"Na estradinha funda rapazes do Liceu e da Escola Comercial tentavam pular o muro do
Colégio do Alto para espreitar as alunas.
Nas aulas do professor de educação física, José Manuel Fortes Rodrigues, a turma
orientada por um alunos mais velho a que era atribuído o nome de "charabaneco" saía da Liceu Nacional de Faro, corria pela estrada de Olhão e subia pela "estradinha funda".
Alguns alunos cansados ficavam pelo caminho, regressando a passo... outros preferiam ir
à laranja ou à nêspera (caracol amarelo) e os mais atrevidos, galgando uns por cima dos
outros porque o muro do colégio feminino era alto, espreitavam à vez, as meninas que
o frequentavam!"

"A partir de 1947 comecei a frequentar a escola primária da Sé de Faro, situada na parte
velha da cidade, na rua Rasquinho.
Todas as tardes, de bata branca (obrigatoriedade escolar) saía de casa, perto do Largo
da Palmeira, carregando a pasta com o lanche, a sebenta, o livro único de leitura, uma
caixa de madeira com tampa deslizante onde guardava o lápis de escrever, borracha e
caneta de aparo."