Rosa, António Ramos

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  • António Vitor Ramos Rosa

Faro, 17/10/1924 - Faro, 23/9/2013.
Escritor, poeta, tradutor, crítico e desenhador. É um maiores poetas portugueses do século XX. Em 1945 participou na formação do MUD Juvenil e em 1949, coerente com a sua atitude de oposição ao Estado Novo, recusou-se a receber o Prémio Nacional de Poesia da Secretaria de Estado de Informação e Turismo atribuído a "Nos Seus Olhos o Silêncio".
Estudou no Liceu Nacional de Faro / Escola Secundária João de Deus.
É patrono da Biblioteca Municipal de Faro


  • Amor da palavra, amor do corpo

A nudez da palavra que te despe.
Que treme, esquiva.
Com os olhos dela te quero ver,
que não te vejo.
Boca na boca através de que boca
posso eu abrir-te e ver-te?
É meu receio que escreve e não o gosto
do sol de ver-te?
Todo o espaço dou ao espelho vivo
e do vazio te escuto.
Silêncio de vertigem, pausa, côncavo
de onde nasces, morres, brilhas, branca?
És palavra ou és corpo unido em nada?
É de mim que nasces ou do mundo solta?
Amorosa confusão, te perco e te acho,
à beira de nasceres tua boca toco
e o beijo é já perder-te.

  • Breve biografia:
António Vítor Ramos Rosa um dos maiores poetas portugueses do século XX, a quem foram atribuídos os maiores prémios literários do nosso país bem como as mais altas condecorações. Fez parte do MUD Juvenil colaborando em muitas revistas culturais e literárias, nomeadamente com o seu amigo também poeta, Casimiro de Brito. Foi um dos fundadores da revista "Cadernos do Meio-Dia" que foi encerrada por ordem da polícia política. Em 2003, a Universidade do Algarve, atribui-lhe o grau de Doutor Honoris Causa.


  • Bibliografia:

- O Grito Claro, 1958.
- Viagem Através duma Nebulosa, 1960.
- Voz Inicial, 1961.
- Sobre o Rosto da Terra, 1961.
- Poesia, Liberdade Livre, 1962.
- Ocupação do Espaço, 1963.
- Terrear, 1964.
- Estou Vivo e Escrevo Sol, 1966.
- A Construção do Corpo, 1969.
- Nos Seus Olhos de Silêncio, 1970.
- A Pedra Nua, 1972.
- Não Posso Adiar o Coração (vol.I, da Obra Poética), 1974.
- Animal Olhar (vol.II, da Obra Poética), 1975.
- Respirar a Sombra (vol.III, da Obra Poética), 1975.
- Ciclo do Cavalo, 1975.
- Boca Incompleta, 1977.
- A Imagem, 1977.
- A Palavra e o Lugar, 1977.
- As Marcas no Deserto, 1978.
- A Nuvem Sobre a Página, 1978.
- Figurações, 1979.
- Círculo Aberto, 1979.
- O Incêndio dos Aspectos, 1980.
- Declives, 1980.
- Le Domaine, 1980.
- Figura: Fragmentos, 1980.
- As Marcas do Deserto, 1980.
- O Centro na Distância, 1981.
- O Incerto Exacto, 1982.
- Quando o Inexorável, 1983.
- Gravitações, 1983.
- Dinâmica Subtil, 1984.
- Ficção, 1985.
- Mediadoras, 1985.
- Volante Verde, 1986.
- Vinte Poemas para Albano Martins, 1986.
- Clareiras, 1986.
- No Calcanhar do Vento, 1987.
- O Livro da Ignorância, 1988.
- O Deus Nu(lo), 1988.
- Três Lições Materiais, 1989.
- Acordes, 1989.
- Duas Águas, Um Rio (colaboração com Casimiro de Brito), 1989.
- O Não e o Sim, 1990.
- Facilidade do Ar, 1990.
- Estrias , 1990.
- A Rosa Esquerda, 1991.
- Oásis Branco, 1991.
- Pólen- Silêncio, 1992.
- As Armas Imprecisas, 1992.
- Clamores, 1992.
- Dezassete Poemas, 1992.
- Lâmpadas Com Alguns Insectos, 1993.
- O Teu Rosto, 1994.
- O Navio da Matéria, 1994.
- Três, 1995.
- Delta, 1996.
- Figuras Solares, 1996.
- Nomes de Ninguém, 1997.
- À mesa do vento seguido de As espirais de, 1997.
- Versões/Inversões, 1997.
- A imagem e o desejo, 1998.
- A imobilidade fulminante, 1998.
- Pátria soberana seguido de Nova ficção, 1999.
- O princípio da água, 2000.
- As palavras, 2001.
- Deambulações oblíquas, 2001.
- O deus da incerta ignorância seguido de Incertezas ou, 2001.
- O aprendiz secreto, 2001.
- Os volúveis diademas, 2002.
- O alvor do mundo. Diálogo poético, em colaboração, 2002.
- Cada árvore é um ser para ser em nós, 2002.
- O sol é todo o espaço, 2002.
- Os animais do sol e da sombra seguido de corpo inicial, 2003.
- Meditações metapoéticas, em colaboração com Robert Bréchon, 2003.
- O que não pode ser dito, 2003.
- Relâmpago do nada, 2004.
- Bichos, em colaboração com Isabel Aguiar Barcelos, 2005.
- Génese seguido de Constelações, 2005.
- Vasos Comunicantes, Diálogo Poético com Gisela Ramos Rosa, 2006.
- Horizonte a Ocidente, 2007.
- Rosa Intacta, 2007.
- La herida intacta / A intacta ferida. Ediciones Sequitur, Madrid (em espanhol), 2009.
- Prosas seguidas de diálogos (única obra em prosa), 2011.
- Numa folha, leve e livre, 2013.

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- Clique aqui para ver os livros de António Ramos Rosa no site da wook.pt.

  • Veja mais sobre António Ramos Rosa nos seguintes links:

- Na Wikipédia.

- Livros de António Ramos Rosa na wook.pt.

- Meia dúzia de poemas de António Ramos Rosa no site escritas.org.

- 2013 - Notícia do Jornal Expresso sobre a morte de António Ramos Rosa.

- 2018 - "Congresso celebra obra de António Ramos Rosa no seu 94º aniversário", notícia no observador.pr, em 15/10/2018. Nesta "celebração" participaram alguns cúmplices poéticos de António Ramos Rosa, que formaram uma “mesa de amigos”: os poetas Casimiro de Brito, Gastão Cruz, Hélia Correia e Jaime Rocha. Uma segunda mesa redonda contou com a presença de Casimiro de Brito, Fernando J.B. Martinho e Pedro Mexia.

  • in https://arquivo.pt:

- 1999 - Página no terravista.pt com uma dezena de poemas de António Ramos Rosa.

- 2000 - António Ramos Rosa no Projecto Vercial.

- 2001 - Artigo de Fernando Martinho Guimarães, Leitor de Português em Cabo Verde, sobre António Ramos Rosa.

- 2010 - "O grande sortilégio do poema", artigo de Maria Augusta Silva, no DN.pt sobre António Ramos Rosa.