Pereira, António

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António da Encarnação Pereira

Armação de Pêra, a 24 de fevereiro de 1914- Lisboa, 1978. Poeta. Foi Magistrado do Ministério Público, Conservador e Juiz.

  • A minha rua tem o mar ao fundo

Sou algarvio
E a minha rua tem o mar ao fundo
Sempre que passa aqui algum navio
Passam, aqui, navios de todo o mundo
Oiço a voz que me namora
Da outra banda do mar...
Que me namora e me chama
Da outra banda do mundo
E se eu abalasse mãe?
E se eu abalasse e nunca mais voltasse?
Choravas, sim, eu sei bem
Posso não ser filho às vezes
Mas tu és mãe, sempre, mãe!
Se não fosse a minha mãe,
Se não fossem os meus,
Adeus aldeia, adeus praia,
Adeus gaivotas, adeus.
E eu vou ficando, não chores
Aqui, nesta aldeia do Algarve onde nasci,
Nesta rua que tem o mar ao fundo,
Onde nasceram meus pais,
E nasceram e morreram antepassados que não conheci;
Aqui há um poder maior
Que pode mais que aquela voz que me chama da outra banda do mar,
Que me namora uma chama da outra banda do mundo.
(...)
in Mar de António Maria Pereira

  • Biografia
António da Encarnação Pereira nasceu em Armação de Pêra a 24 de Novembro de 1914 e faleceu em Lisboa a 27 de Março de 1978. Filho de pescadores, facto de que muito se orgulhava, fez na aldeia natal o ensino básico, frequentou o Liceu de Faro e licenciou-se em Direito na Universidade de Lisboa, mas a sua paixão era o mar.
Seguiu inicialmente a carreira da magistratura, chegando a juiz, porém, não realizado pessoalmente, optou pelo lugar de Conservador do Registo Civil em Silves, facto que lhe permitia viver em Armação de Pêra, em excelente moradia que fizera construir frente ao casino e ao mar.
O seu primeiro livro de versos, o “Poeta e a Morte”, publicou-o em 1936, ainda estudante liceal, pela morte trágica de um colega. Já então tinha colaboração em várias publicações, o “Jardim de Akadémus”, por exemplo, seguindo-se “Lápis de Cor” aparecido no ano seguinte, e a presença sempre destacada em numerosos Jogos Florais, com os 1ºs prémios nos da Emissora Nacional em 1943 e 1945.
Contudo o seu livro mais representativo, em que o poeta se apresenta na plena posse das suas líndimas qualidades, intitula-se “Notícias do Mar” dado à estampa em 1963.
A 27 de Março de 1978 desaparecia em Lisboa um dos mais ilustres filhos de Armação de Pêra, após longa e penosa doença, tendo o funeral sido realizado daquela cidade para o cemitério da sua terra natal.
In https://www.terraruiva.pt/2020/04/23/memorias-recordar-o-poeta-armacenense-antonio-pereira/.Texto publicado na edição nº 85, de dezembro de 2007, da autoria de Aurélio Nuno Cabrita, sobre o poeta armacenense António Pereira.
  • Bibliografia

-O Poeta e a Morte (1936),
-Lápis de Cor (1937)
-Nossa Senhora das Ondas (1945,Prémio António Sardinha)
-Notícias do Mar (1963)

LivroAntPereira.jpg

  • Pode saber mais sobre António Pereira nos seguintes links:

-2015 - Notícia de Daniel Pina sobre o centenário de António Pereira
-2015 - Reportagem sobre as cerimónias comemorativas do centenário do poeta António pereira
-2020 - 2 Dedos de Conversa - António da Encarnação Pereira (poeta Algarvio), por Fernando Reis Luís
-https://www.youtube.com/watch?v=sl040kXvXck -Poema da Saudade de Antonio Pereira. Por Santana
- Página da revista Nascente Sol com uma breve notícia sobre o autor
-Silves Entre 4 Paredes » Lado P » Paulo Moreira declama poesia de António Pereira. (Paulo Moreira é ator, encenador e escritor. Trabalha regularmente com a ACTA (A Companhia de Teatro do Algarve). É referido como sendo um dos “casos de personalidades singulares que fazem parte da identidade teatral no Algarve” na obra “Meio século de teatro no Algarve”, da autoria de Ana Cristina Oliveira}