Costa, Emiliano da

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  • Augusto Emiliano da Costa

Tavira, 03/12/1884 - Faro, 01/01/1968.

  • Breve Biografia:
Médico, escritor, poeta, pintor.Emiliano da Costa licenciou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra  em 1914. Fixou residência em Estoi onde exerceu a sua profissão. Homem de grande cultura dedicou-se desde sempre à pintura e à poesia, inspirando-se na natureza e nas gentes do campo, com quem se sentia muito próximo. A sua primeira obra poética terá surgido publicada no jornal do Liceu de Faro "O Académico" em 1906. É patrono de uma das escolas (em Estoi) do  Agrupamento de Pinheiro e Rosa, em Faro e frequentou o ensino liceal em Beja.


"Emiliano da Costa, médico e poeta algarvio, nasceu em Tavira, mas foi na aldeia de Estoi que viveu a maior parte da sua vida, exercendo a medicina com proficiência e bondade. Foi um homem de fina sensibilidade, muito culto e dotado de um apurado espírito de observação. Desenhava lindamente, amava a música, apreciava a natureza, e no remanso campestre procurava o seu refúgio. Detestava os compadrios políticos e as manifestações beáticas de campanário, respeitava as tradições e divertia-se a reinar com a inocência do povo. Criou na gente do campo uma cumplicidade fraterna, que ainda hoje é lembrada. A sua residência possui um valiosíssimo espólio artístico que deveria transformar-se num pólo museológico que valorizasse a freguesia de Estoi e a cultura algarvia." in artigo publicado, em 17-04-1986, no suplemento de «Cultura» do conceituado vespertino «Diário de Notícias».


  • Aldeia Branca de Emiliano da Costa

Circunscrito à moldura da janela,
Vai o quadro do dia já a meio,
Potes de azul derramam-se na tela
E o sol a rir-se, a rir, bate-lhe em cheio.
Que inundação! Por cima de quintais,
Sobre telhados, torres, parreiras,
É o céu, é o céu azul demais!
Aflita, a aldeia acorre: e o ar atira
O gesso, a cal, chapões de claridade,
A ver se a cor deslava, o azul se atira.
Que superabundância – a claridade!
E eu visto a bata de escaiolador.
E eu sou espátula, pincel, pintor.
E eu já não sei o que faça a tanta cor


Conchas


Minha infância de Luz mimada ao colo
Da onda à beira mar, oh minha infância!
Vais perdida a boiar, feita num rolo,
farpada de saudade, na distância...

Mal se apagou a estrela sobre o pólo,
Deixaste a praia em muda extravagância,
E perdeste pela areia, pelo solo,
As conchas que juntei, de sonho e ânsia.

Conchas que rendilharam mãos de magas,
Tão perdida na ausência imemóre!...
Ah! Se tu, coração - búzio do mar -

Me toasses aquele som das vagas
Barcarolas azuis, lindo folclore
Às ondinas cantado no luar!...

(Colectânea Musa Algarvia, 1927)


  • Bibliografia:

Heliantos, 1926.
Rosairinha, 1940.
Saudades do Silêncio, 1947.
Pampilhos, 1947.
Poesias Escolhidas, 1956.


  • Veja mais sobre Emiliano da Costa nos seguintes links:

- 1986- Emiliano da Costa por José Carlos Vilhena Mesquita


  • in https://arquivo.pt:

- 2004- Poema "Dor" e biografia de Emiliano da Costa no site da CM de Loulé.

- 2002- Reposição por Elviro Rocha Gomes da sua conferência, em 1956, sobre Emiliano da Costa.