César, Adília

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  • Adília César

Lagos, 23/04/1959.

  • Destaque Biográfico
Poeta. Cronista. Educadora de infância. Formadora de Expressões Artísticas, no âmbito da Didática das Expressões Artísticas, sendo Mestre em Educação Artística na área de especialização Teatro e Educação, pela Universidade do Algarve. Desenvolve um projecto de promoção da poesia da e para a infância com os grupos de crianças dos quais é docente titular – Versos Pequeninos. Tem colaborações dispersas em antologias e revistas literárias, entre as quais: Nova Águia; Eufeme; Piolho, Estupida, Enfermaria 6, Nervo, Caliban, Pa_lavra, Palavra Comum; Tlön, conVersos, Chicos e Revista Athena, além de ensaios e artigos de opinião. É co-fundadora do projecto literário LÓGOS – Biblioteca do Tempo.
Auto-biografia poética publicada no facebook da autora: Adília César nasceu no século passado, em Lagos, Portugal. Só tem uma ruga – a da linha de escrita. Se não se chamasse Adília César o seu nome seria Baudília ou Monadília, e depois de ter descoberto a Área Branca naturalmente chamar-se-ia Fiamadília. Adília é singular – o seu ser está na primeira pessoa. Tem uma voz parecida com os poemas que escreve e ama de olhos bem abertos. Nunca escreveu uma ode, nem quando está em viagem, mas é capaz de despertar a Europa num só verso. Adília é o "lugar-corpo" da poesia com "uma agulha no coração". Está bem acordada durante o dia e não toma Xanax; talvez por isso o seu lado negro esteja sempre à espreita. Detesta vermes e poluição sonora. Quando tropeça e cai, levanta-se muito rapidamente para ninguém ver: é "o que se ergue do fogo". Nunca recebeu postais de férias nem telegramas com notícias amargas. Adília podia ser uma Deusa: tem um discurso sonhador e escreve poemas contra "o tempo o tempo". Desde criança que ela deseja ser uma Sereia coberta de pérolas, mas a Ria Formosa ainda não lhe fez a vontade. Em seu redor, o "Gelo" vai derretendo. É fundadora da Sociedade dos Espaços Vazios Entre As Palavras. Reside em Faro. 


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  • Poemas do livro Lugar-Corpo ditos pela Autora

Videologo.jpg Clique aqui para assistir a um vídeo onde a autora diz os quatro poemas seguintes.

Isto é um poema. Sem lugar nem corpo.
Um ponto e um universo cheio de asas.
O tempo cheio numa barriga de mãe.
Assim, quase a exceder-se.
Como se fosse um estilo de miragem
alinhado numa cena contemporânea.

Espiral. Imensa biblioteca de pontos e espaços.
Luzes que cantam o final de cada verso.

Se a minha mãe me chamar para dentro da sua barriga.
Mãe. Mãe sozinha de mãos dadas com o vento
a ensinar-me a voar para fora da sua cabeça. Para longe.
Mas eu só sei adormecer dentro do coração.

Isto é um poema?

A linguagem poética é procura intensa de pureza.
Gota estética de sentidos reais, irreais e a-reais. Utopia.
Dimensão espaçosa e plena de memórias.
Como a vocação absoluta que se apoia
numa presença imaginária.

Tantas as palavras da noite por dentro.
Sopro-ferida-crosta. Ciclo de transformação.

Consciência mínima e perturbada que esquece
a dor e o sono no princípio da claridade.

Atravesso a noite com uma imagem de luz sobre o pavor.
Corpo-penumbra antes da iluminação. Cortina
que preserva os seres para o teatro do desconhecido. Junto-me a eles, o mais junto possível deles.
Na mesma pele somos um só.

Agora, o pensamento é uno e magnânimo.
Coro perfeito e prolongado no tempo infinito.
É preciso uma esplêndida promessa de eternidade
para desvanecer a essência da coragem.

A lua é um cálice de néctar que inebria
e preenche a sombra íntima dos espíritos.
Depois dessa iluminação permaneço numa asa de magia.

Sensação harmónica no tempo de uma inspiração.
Todos os sentidos em uníssono e separados.
Hino da alegria no despertar universal.

Depois, o maestro dirige o silencio da escuta.
Motivo exibido na partitura escrita pelo encenador da luz.

Agora quero estar aqui e em toda a parte.
Corpo-mundo. Instrumento da emoção.
É isso que eu sou: lugar infinito de felicidade.

O resto guardarei para depois.


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Como invejar as asas dos outros
essas cinzas de lugares comuns
ladainhas nos conventos de portas abertas
onde as carpideiras rasgam vestes de veludo e de erros.

Como vestir os olhos de brilho
matéria confiante em suprema combustão
vislumbre de um nítido e fundente relâmpago a céu aberto.

Como evitar as balas as lâminas os venenos
os súbitos de febre e as demências racionais
sem morrer de uma vez por todas.

Como atravessar caminhos por entre as silvas
se a doce passagem da luz então aprisionada
é a palavra rigorosa numa consentida coexistência.


  • Bibliografia:

- O que se ergue do fogo Lua de Marfim, 2016
- Lugar-Corpo Eufeme, 2017
- O Tempo O Tempo Eufeme, 2019
- Uma Agulha no Coração, Editora Urutau, 2020
- Gelo, Busílis Poesia – Trinta Por Uma Linha,2021
- É cofundadora do projeto literário LÓGOS – Biblioteca do Tempo

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  • Veja mais sobre Adília César nos seguintes links:

- Facebook da autora:
- Facebook da Editora LÓGOS - Biblioteca do Tempo, projeto literário do qual Adília César é cofundadora.
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- 10 Poemas de Adília César
- 2017 - Artigo do jornal Região Sul sobre a III Mostra Bibliográfica de Autores do Algarve na biblioteca municipal de Faro, onde estiveram patentes as obras publicadas de Adília César, Luís Campião e Tiago Nené, bem como estudos e recensões críticas sobre a obra destes autores.
- 2018 - Leituras da poesia de Adília César num Ensaio de Adriana Freire Nogueira.
- 2021 - Artigo do Jornal Algarve Informativo sobre a publicação do novo livro de poesia de Adília César Gelo
- 2018 - José Antunes Ribeiro, editor e livreiro da Espaço Ulmeiro, numa conversa com Adília César e Fernando Esteves Pinto.

  • in https://arquivo.pt:

- 2017 - Adília César apresentou novo livro na Biblioteca Municipal de Faro
- 2018 - Catálogo do blog Lua de Papel

  • Esta página da wiki foi elaborada com a colaboração das Bibliotecas Escolares do Agrupamento Pinheiro e Rosa.