Brito, Carlos

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  • Carlos Alfredo de Brito

Moçambique, 09/02/1933.


  • Destaque Biográfico
Resistente Antifascista. Deputado à Constituinte. Político. Escritor. Poeta.

Carlos Brito nasceu em 1933, em Moçambique. Veio para Portugal com três anos de idade. Viveu com a família, a infância e parte da juventude, em Alcoutim, no Algarve. A sua atividade literária principiou em Lisboa, quando já frequentava o Instituto Comercial (atual ISCAL) onde, com outros jovens, organizou recitais e colaborou em vários jornais e revistas. Aos 20 anos foi preso pela PIDE, pela primeira vez. Voltou a ser preso mais duas vezes, tendo cumprido um total de oito anos de prisão. Em 1967 passou a participar na direção do Partido Comunista Português. No dia 25 de abril de 1974 estava em Lisboa, clandestino, e era responsável pela organização partidária na capital. Em 1975 foi eleito deputado à Assembleia Constituinte pelo Algarve. De 1976 a 1991 exerceu sem interrupção o mandato de deputado, tendo desempenhado durante quinze anos as funções de presidente do Grupo Parlamentar do PCP. Em 1980 foi candidato à Presidência da República. Entre 1992 e 1998 foi diretor do jornal Avante!. Em 1997, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2004, com a Ordem da Liberdade (Grande-Oficial). Tem colaboração dispersa em várias publicações nacionais e estrangeiras. Publicou até hoje nove livros, todos após ter deixado de ser deputado.
in https://www.wook.pt/autor/carlos-brito/7697


  • A proa e o cabo (in O Modo e os Lugares, 2004)

A proa aguçada
do barco para partir
o cabo enlaçado
em voltas para reter

Ir ou ficar
o rio é uma disputa
permanente

Não vale a pena
fingir
somos nós
quem decide
não a corrente

  • Veleiros (in O Modo e os Lugares, 2004)


Estes iates brancos
resplandecentes como cisnes
feitos de fibras plásticas modernas não me fazem esquecer
as velhas canoas de madeira
da minha infância
com as suas velas triangulares latinas a bordejar contra a corrente

Mas às vezes sobem o rio
alguns estranhos veleiros
de talhe antigo
curtidos pelos ventos
das travessias oceânicas

Então acordam de repente
os bandos de gaivotas
que trazemos adormecidos na alma
e somos envolvidos
pelas memórias da maresia
os mitos e os feitos
das grandes navegações
em que fomos amamentados


Poesia
Anotação dos Dias, poemas da prisão, 1994
Voz Ocasional, 1997
Saudades de Alcoutim, 1998
O Modo e os Lugares, 2004
Anotação dos Dias, poemas da prisão, 1994
Manhã Interdita, 2011
Prosa
Tempo de Subversão, 1998
Vale a Pena ter Esperança, 1999
A Páginas Tantas, 2000
Águas do Meu Contar, 2002
25 Anos que mudaram o Algarve, 2005
Álvaro Cunhal - Sete Fôlegos do Combatente, 2010
Páginas Vividas da Resistência, 2011
As Três Mortes do Lobisomem e outras Rebeldia, 2015
Cadeia do Forte de Peniche – Como foi Vivida, 2016

  • Veja mais sobre Carlos Brito nos seguintes links:

- 2016 - Texto e vídeo onde Carlos Brito conta a sua fuga da cadeia. - 2018 - Notícia sobre a apresentação de mais um livro de poesia em Alcoutim.