Difference between revisions of "Duarte, José da Cunha"
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No século XIX, no barrocal algarvio, nove dias antes do Natal, preparava-se a casa para armar o presépio ou armar o Menino, em cima da cómoda que estava em frente da porta da casa de fora. No chão, à frente, ficava uma esteira de empreita, muitas vezes com motivos geométricos policromos. A cómoda era revestida com uma toalha branca e com larga renda pendente. Em cima, colocava-se um pequeno trono em escadaria, também conhecido por altarinho, escadaria, penha ou charola, que imitava o altar-mor da igreja. À medida que se elevava, os degraus eram mais estreitos. Outras vezes, colocavam-se as medidas de cereal, em escadaria, para se formar o trono. Este era coberto com um lençol ou toalhas de linho, com uma dobra de lençol de lindas rendas, com panos bordados pela dona da casa ou pelas filhas solteiras, onde abundavam motivos de cor azul e encarnada.<br /> | No século XIX, no barrocal algarvio, nove dias antes do Natal, preparava-se a casa para armar o presépio ou armar o Menino, em cima da cómoda que estava em frente da porta da casa de fora. No chão, à frente, ficava uma esteira de empreita, muitas vezes com motivos geométricos policromos. A cómoda era revestida com uma toalha branca e com larga renda pendente. Em cima, colocava-se um pequeno trono em escadaria, também conhecido por altarinho, escadaria, penha ou charola, que imitava o altar-mor da igreja. À medida que se elevava, os degraus eram mais estreitos. Outras vezes, colocavam-se as medidas de cereal, em escadaria, para se formar o trono. Este era coberto com um lençol ou toalhas de linho, com uma dobra de lençol de lindas rendas, com panos bordados pela dona da casa ou pelas filhas solteiras, onde abundavam motivos de cor azul e encarnada.<br /> | ||
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- 2002 - [https://www.museu-sbras.com/livro_natal.htm?utm_source=copilot.com Notícia no '''site''' do Museu do Traje] sobre a apresentação do livro '''Natal no Algarve''' : raízes medievais, | - 2002 - [https://www.museu-sbras.com/livro_natal.htm?utm_source=copilot.com Notícia no '''site''' do Museu do Traje] sobre a apresentação do livro '''Natal no Algarve''' : raízes medievais, | ||
Latest revision as of 15:59, 1 July 2026
- José da Cunha Duarte
Bustelo, Penafiel, 26/01/1940 - 26/08/2025.
Padre. Escritor. Capelão militar em São Tomé e Príncipe. Pároco em várias cidades. Em São Brás de Alportel dinamizou a Procissão de Aleluia - Festa das Tochas Floridas, fundou o Museu do Traje e também a Casa da Cultura António Bentes. Nesta cidade é o Patrono da Oficina de Sons. Frequentou o Seminário de Godim.
- Textos e Poemas para Leitura
- LINDA NOITE DE NATAL
Linda noite de Natal,
Noite de grande alegria,
Caminhava São José
Mais a sagrada Maria.
Caminhavam para Belém
Para lá chegar de dia,
Mas quando eles lá chegaram,
Já toda a gente dormia.
Bateram a todas as portas,
Mas ninguém lhes acudia.
Foram dar a uma choupana
Onde o boi bento dormia.
São José foi buscar lume,
Ficou rezando Maria,
Mas quando José voltou,
Já o Menino nascia.
Ficou a Mãe sempre virgem
Sem saber o que fazia,
Lançou as mãos à cabeça
Do seu manto que trazia.
Fê-lo em quatro bocados
O Menino que cobria,
Com lágrimas dos seus olhos,
Filho, eu te lavaria!
in Algarve - Tradições Musicais, pág. 68.
- PRESÉPIO TRADICIONAL ALGARVIO - Excerto
No século XIX, no barrocal algarvio, nove dias antes do Natal, preparava-se a casa para armar o presépio ou armar o Menino, em cima da cómoda que estava em frente da porta da casa de fora. No chão, à frente, ficava uma esteira de empreita, muitas vezes com motivos geométricos policromos. A cómoda era revestida com uma toalha branca e com larga renda pendente. Em cima, colocava-se um pequeno trono em escadaria, também conhecido por altarinho, escadaria, penha ou charola, que imitava o altar-mor da igreja. À medida que se elevava, os degraus eram mais estreitos. Outras vezes, colocavam-se as medidas de cereal, em escadaria, para se formar o trono. Este era coberto com um lençol ou toalhas de linho, com uma dobra de lençol de lindas rendas, com panos bordados pela dona da casa ou pelas filhas solteiras, onde abundavam motivos de cor azul e encarnada.
- Biografia:
"Sacerdote espiritano, foi, juntamente com o seu irmão gémeo, o padre Afonso da Cunha Duarte, ordenado em Carcavelos, Lisboa, no dia 11 de agosto de 1968 pelo arcebispo resignatário de Luanda, D. Moysés Alves de Pinho.
Em 1981, [...] veio para o Algarve e tomou posse como pároco de São Brás de Alportel, tendo acumulado com a paroquialidade de Santa Catarina da Fonte do Bispo em outubro de 1984, serviços que o sacerdote manteve até 2017."
Em outubro de 1990 foi nomeado administrador paroquial de Cachopo e, em maio do ano seguinte, administrador paroquial de Olhão. Em janeiro de 1992 foi nomeado pároco de Santa Catarina da Fonte do Bispo e, em agosto do mesmo ano, pároco de Olhão, serviço que manteve até setembro de 1997. Fundou a Escola de Música Paroquial em 1982 e o Centro Cultural e Social da Paróquia de São Brás de Alportel em 1984, o Grupo Juvenil de Acordeonistas de São Brás de Alportel, a Casa da Cultura António Bentes em 1987 e, nas suas instalações, o Museu Etnográfico do Trajo Algarvio, atual Museu do Traje de São Brás de Alportel, que possui a maior recolha algarvia de trajo popular, alfaias e carros agrícolas, objetos de barro e empreita e arte sacra popular. Foi ainda fundador do escutismo em São Brás de Alportel.
O sacerdote restaurou também a Procissão do Domingo de Páscoa, conhecida como a Festa das Tochas Floridas, tendo organizado igualmente os Jogos Florais de Aleluia e o concurso das Tochas Floridas, no dia de Páscoa, bem como encontros de poetas populares, o Festival de Jovens Acordeonistas e o Encontro de Charolas na quadra natalícia. Em 1983 iniciou a recolha etnográfica no concelho de São Brás de Alportel e percorreu o Algarve recolhendo canções, tradições populares e objetos para um futuro museu.
No que toca à recuperação de tradições publicou diversas obras como “Natal no Algarve – Raízes medievais” (2002), “Natal no Algarve II – Teatro” (2006) e “Páscoa no Algarve – Procissão das Tochas Floridas” (2010). Foi ainda o dinamizador da Santa Casa da Misericórdia de São Brás de Alportel de que foi vice-provedor e secretário.
Foi distinguido pela Câmara de Faro no dia 10 de outubro de 1988 com a Medalha Municipal – Grau Ouro, pela Câmara de Tavira no dia 24 de junho de 2006 com a Medalha Municipal de Mérito – Grau Prata e pela Câmara de São Brás de Alportel com a Insígnia Municipal de Honra no dia 1 de junho de 2014". In A Voz do Algarve.
"Grande parte do seu ministério exerceu-o em comunidade espiritana com o seu irmão Afonso Duarte. Ao longo destas três décadas, dinamizou a Santa Casa da Misericórdia de São Brás de Alportel; empenhou-se na construção de alguma capelas; fundou a Escola de Música Paroquial, o Centro Sociocultural da Paróquia e o Grupo Juvenil de Acordeonistas; promoveu a criação da Casa da Cultura António Bentes e do Museu Etnográfico do Trajo Algarvio; reinstituiu a Procissão de Aleluia, no Domingo de Páscoa; apoiou a instalação do Corpo Nacional de Escutas, Agrupamento 1330 de São Brás de Alportel e promoveu a criação do grupo de Cáritas Diocesana que trabalha em articulação com os Serviços Sociais da Câmara Municipal de São Brás d’Alportel.
O seu interesse pela comunicação levou-o a criar boletins de informação nas várias paróquias por onde passou e, em 1998, o jornal mensal VilAdentro. Juntamente com o seu irmão P. Afonso Cunha, fez vários estudos e publicou as obras “Natal no Algarve – Raízes Medievais” e o “Natal no Algarve II – Teatro”.
Em 2018, o P. José Cunha deixou o Algarve para passar a residir na casa de família em Penafiel". In espiritanos.pt.
- Bibliografia:
- Natal no Algarve : raízes medievais, 550 [1 + 16] p., Lisboa : Colibri, 2002. Notas: Estudo detalhado sobre as tradições de Natal no Algarve. Introduz a obra com uma investigação dos escritos da Igreja sobre o tema; as origens das tradições natalícias do Algarve ; as devoções; os imaginários; os cânticos de Natal e as charolas, por temas e regiões do Algarve; os cantares do Ano Novo e os grupos janeireiros e a doçaria natalícia.
- Algarve : tradições musicais, 4 vols, Faro : Grupo Musical de Santa Maria ; São Brás de Alportel : Casa da Cultura António Bentes , 1995-2002. Autores: coordenação de José Pedro de Jesus Martins, Rui Jerónimo e J. Cunha Duarte.
- Natal no Algarve II : teatro, 301 p., São Brás de Alportel : Casa da Cultura António Bentes, 2006. Autores: irmão e padres José da Cunha Duarte e Afonso da Cunha Duarte, sendo este último professor na Escola Poeta Bernardo Passos.
- Páscoa no Algarve : procissão das tochas floridas, 367 [1] p., São Brás de Alportel : Casa da Cultura António Bentes, 2010. Autores: irmão e padres: José da Cunha Duarte e Afonso da Cunha Duarte.
- Corpo de Deus : festa do triunfo eucarístico, 416 p., São Brás de Alportel : Casa da Cultura António Bentes, Museu do Trajo Algarvio, 2016.
A lista acima foi feita a partir dos catálogos online da BMSBA e da UAlg. e BMF.
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Pode clicar, na imagem acima, e depois voltar a clicar pra a ver maior. Aqui pode aceder a cada uma das capas acima.
- O Presépio Tradicional Algarvio nos livros nos livros do Padre Cunha e na Biblioteca da Escola Tomás Cabreira
A Escola Tomás Cabreira, há vários anos, monta e apresenta o Presépio Tradicional Algarvio, recorrendo também a excertos das obras do Padre Cunha como apoio à preparação de apresentações e visitas guiadas. Seguem-se algumas imagens de diferentes edições do Presépio Tradicional Algarvio realizado na Biblioteca.

Presépios Tomás Cabreira 2003-2025. Clique aqui para ver maior a imagem acima. Pode ver cada imagem individualmente na seguinte página do Google Drive.
- Veja mais sobre o Padre Cunha nos seguintes links:
- 2002 - Notícia no site do Museu do Traje sobre a apresentação do livro Natal no Algarve : raízes medievais,
- 2006 - Obra inédita dá a conhecer autos natalícios do Algarve: “Natal Tradicional II : teatro"
- 2016 - Apresentação do Livro de José Cunha Duarte; Corpo de Deus - Festa do Triunfo Eucarístico.
- 2017 - Notícia no Sul Informação: Livro sobre origens e tradições da Páscoa é apresentado em Lagos.
- 2017 - Artigo Prior José da Cunha Duarte | Um percurso de luz e inspiração, de Vitor Manuel Martins Guerreiro, presidente da Câmara de S. Brás de Alportel.
- 2024 - Artigo no jornal a Folha de Domingo: Fundador do Museu do Traje de S. Brás de Alportel lamenta a sua situação atual.
- 2025 - Crónica de Faro por João Leal, no Jornal do Algarve : Um “operário de Cristo” que lutou pelo Algarve.
- 2025 - Notícia do Jornal do Algarve "Oficina dos Sons de S. Brás eterniza memória do Padre José da Cunha Duarte", onde se pode ler: "A Oficina dos Sons de São Brás de Alportel passou a designar-se “Oficina de Sons Padre José da Cunha Duarte”, em homenagem ao padre que marcou profundamente a vida cultural, social e comunitária do concelho".
- 2025 - São Brás de Alportel aprova inscrição da Procissão da Aleluia no Inventário do [Património Cultural Imaterial https://rr.pt/noticia/religiao/2025/09/17/algarve-sao-bras-de-alportel-aprova-inscricao-da-procissao-da-aleluia-no-inventario-do-patrimonio-cultural-imaterial/440152/].
- Livro disponibilizado online pelo Museu do Traje e que começa com "Em 1982, o Padre José da Cunha Duarte, exercendo o seu ministério paroquial em S. Brás de Alportel, desenvolve por todo o concelho uma série de iniciativas de carácter cultural, social e religioso. É neste contexto que funda uma Escola de Música e o Centro Cultural e Social da Paróquia, que passa a dinamizar uma intensa recolha etnográfica que se estende por todo o concelho.]