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		<title>Canções escolhida - Revision history</title>
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		<title>Admin: Created page with &quot;Canção X     Vinde cá, meu tão certo secretário dos queixumes que sempre ando fazendo, papel, com que a pena desafogo! As sem-razões digamos que, vivendo, me faz o inexo...&quot;</title>
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				<updated>2024-11-14T12:23:56Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Created page with &amp;quot;Canção X     Vinde cá, meu tão certo secretário dos queixumes que sempre ando fazendo, papel, com que a pena desafogo! As sem-razões digamos que, vivendo, me faz o inexo...&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;New page&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;Canção X&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vinde cá, meu tão certo secretário&lt;br /&gt;
dos queixumes que sempre ando fazendo,&lt;br /&gt;
papel, com que a pena desafogo!&lt;br /&gt;
As sem-razões digamos que, vivendo,&lt;br /&gt;
me faz o inexorável e contrário&lt;br /&gt;
Destino, surdo a lágrimas e a rogo.&lt;br /&gt;
Deitemos água pouca em muito fogo;&lt;br /&gt;
acenda-se com gritos um tormento&lt;br /&gt;
que a todas as memórias seja estranho.&lt;br /&gt;
Digamos mal tamanho&lt;br /&gt;
a Deus, ao mundo, à gente e, enfim, ao vento,&lt;br /&gt;
a quem já muitas vezes o contei,&lt;br /&gt;
tanto debalde como o conto agora;&lt;br /&gt;
mas, já que para errores fui nascido,&lt;br /&gt;
vir este a ser um deles não duvido.&lt;br /&gt;
Que, pois já de acertar estou tão fora,&lt;br /&gt;
não me culpem também, se nisto errei.&lt;br /&gt;
Sequer este refúgio só terei:&lt;br /&gt;
falar e errar sem culpa, livremente.&lt;br /&gt;
Triste quem de tão pouco está contente!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já me desenganei que de queixar-me&lt;br /&gt;
não se alcança remédio; mas quem pena,&lt;br /&gt;
forçado lhe é gritar se a dor é grande.&lt;br /&gt;
Gritarei; mas é débil e pequena&lt;br /&gt;
a voz para poder desabafar-me,&lt;br /&gt;
porque nem com gritar a dor se abrande.&lt;br /&gt;
Quem me dará sequer que fora mande&lt;br /&gt;
lágrimas e suspiros infinitos&lt;br /&gt;
iguais ao mal que dentro n'alma mora?&lt;br /&gt;
Mas quem pode algü'hora&lt;br /&gt;
medir o mal com lágrimas ou gritos?&lt;br /&gt;
Enfim, direi aquilo que me ensinam&lt;br /&gt;
a ira, a mágoa, e delas a lembrança,&lt;br /&gt;
que é outra dor por si, mais dura e firme.&lt;br /&gt;
Chegai, desesperados, para ouvir-me,&lt;br /&gt;
e fujam os que vivem de esperança&lt;br /&gt;
ou aqueles que nela se imaginam,&lt;br /&gt;
porque Amor e Fortuna determinam&lt;br /&gt;
de lhe darem poder para entenderem,&lt;br /&gt;
à medida dos males que tiverem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando vim da materna sepultura&lt;br /&gt;
de novo ao mundo, logo me fizeram&lt;br /&gt;
Estrelas infelices obrigado;&lt;br /&gt;
com ter livre alvedrio, mo não deram,&lt;br /&gt;
que eu conheci mil vezes na ventura&lt;br /&gt;
o milhor, e pior segui, forçado.&lt;br /&gt;
E, para que o tormento conformado&lt;br /&gt;
me dessem com a idade, quando abrisse&lt;br /&gt;
inda minino, os olhos, brandamente,&lt;br /&gt;
manda que, diligente,&lt;br /&gt;
um Minino sem olhos me ferisse.&lt;br /&gt;
As lágrimas da infância já manavam&lt;br /&gt;
com üa saudade namorada:&lt;br /&gt;
o som dos gritos, que no berço dava.&lt;br /&gt;
já como de suspiros me soava.&lt;br /&gt;
Co a idade e Fado estava concertado;&lt;br /&gt;
porque quando, por caso, me embalavam,&lt;br /&gt;
se versos de Amor tristes me cantavam,&lt;br /&gt;
logo m adormecia a natureza,&lt;br /&gt;
que tão conforme estava co a tristeza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi minha ama üa fera, que o destino&lt;br /&gt;
não quis que mulher fosse a que tivesse&lt;br /&gt;
tal nome para mim; nem a haveria.&lt;br /&gt;
Assi criado fui, porque bebesse&lt;br /&gt;
o veneno amoroso, de minino,&lt;br /&gt;
que na maior idade beberia,&lt;br /&gt;
e. por costume, não me mataria.&lt;br /&gt;
Logo então vi a imagem e semelhança&lt;br /&gt;
daquela humana fera tão fermosa,&lt;br /&gt;
suave e venenosa,&lt;br /&gt;
que me criou aos peitos da esperança;&lt;br /&gt;
de quem eu vi despois o original,&lt;br /&gt;
que de todos os grandes desatinos&lt;br /&gt;
faz a culpa soberba e soberana.&lt;br /&gt;
Parece-me que tinha forma humana,&lt;br /&gt;
mas cintilava espíritos divinos.&lt;br /&gt;
Um meneio e presença tinha tal&lt;br /&gt;
na vista dela; a sombra, co a viveza,&lt;br /&gt;
excedia o poder da Natureza.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

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