Magalhães, Joaquim - Alocução comemorativa da tomada de Faro aos mouros

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Título: Alocução comemorativa da tomada de Faro aos mouros
Autor: Joaquim Magalhães
Natureza / Tipo: Separata / artigo / alocução comemorativa publicada nos “Anais do Município de Faro”
Local / Editora: Faro; aparece como separata dos Anais do Município de Faro, nº XI.
Ano de publicação: 1982 (segundo o registo da bibliografia de Magalhães)
Páginas / extensão: a alocução aparece nas páginas 89–92 do volume nº 11 dos Anais do Município de Faro.
  • Excerto da Alocução Comemorativa da tomada de Faro aos Mouros

Para se poder entender e dar a entender o significado da presença de todos quantos aqui nos encontramos reunidos. nesta cerimónia, torna-se, de facto, necessário fazer, em voz alta, uma reflexão, objetiva e tão desapaixonada quanto possível, acerca das razões que justificam a iniciativa da nossa Câmara Municipal em concretizar esta comemoração.
O primeiro, e, por ventura, mais importante ponto a considerar, será talvez aquela motivação que se enraíza na própria essência da vida, da qual mal nos apercebemos, mas é o facto de ser o homem profundamente, visceralmente, um ser comemorativo. A memória, a lembrança, o recordar é uma base essencial da vida pessoal e coletiva, exclusiva do homem. Os outros animais não têm essa faculdade. Só os homens praticam o culto dos mortos. Só os homens, afinal, são capazes de história.
Desde os aniversários de cada um, aos festivos encontros em datas familiares, às festas das associações e coletividades, de acontecimentos cívicos, há permanentemente, em todos nós, esta espécie de necessidade de lembrar, de recordar de comemorar. Nesta faceta se alimentam as raízes da nossa identidade pessoal ou coletiva. É como que se se nos tornasse indispensável justificarmo-nos de viver, de agir, de nos realizarmos, pela lembrança de que aquilo, que somos, o devemos a vidas, ações, realizações de outros que, antes de nós, também viveram, agiram, realizaram. Depois desta, por assim dizer, razão anímica e visceral do facto de sermos nós, homens, seres comemorativos, vêm os outros fundamentos racionais da nossa reflexão.
Março 1981

P. 89-91 dos Anais do Município de Faro 1981 Nº XI