Artur, Oliva da Mata - Não Vão as Estrelas Acordar

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  • Joaquim Luís Oliva da Mata Artur

Olhão, 1957.

Poeta. Solicitador. Professor. Cofundador do Elos Clube de Olhão. Colaborador em jornais e revistas regionais.
Joaquim Magalhães no prefácio do livro Não Vão as Estrelas Acordar (1980):

Cartão de Apresentação

O autor é evidentemente um jovem. Que gosta de escrever. E que escreve, desde que se entende. Talvez porque essa aptidão é também tendência. Ou vocação. Pelo menos, é essa a impressão que terá quem ler as curtas páginas que se seguem. Sente-se que o autor sente a volúpia de lidar com a palavra escrita. E com ela joga para pintar, como no primeiro texto, para tentar exprimir-se liricamente nos poemas, para dar mesmo uma dramatização, bem conseguida, no enquadramento da composição de António Aleixo. Gostaria de apostar no futuro deste jovem. E de ver confirmada esta amostra com obra de um escritor que se anuncia.
Que assim seja.

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  • Leituras

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  • Velha Amiga do Mar

Olhão, velha amiga do mar,
contigo e em ti afago
este meu desejo d'amar.
E à noite, quando as estrelas vêm
encher de poesia o luar,
não sei porquê.
mas parece-me ouvir-te chorar.
Penso sei lá; o quê?
Foi, talvez, um amante que perdeste no mar?...

  • Murmúrio

Quero um dia perder-me em ti,
em tuas vielas feito vagabundo
e percorrer teu mundo,
para descobrir o segredo
que em ti encerras
e não desvendas.
Quando à noite, sem saber porquê,
te julgo a murmurar, qualquer coisa ao mar,
em teus lençóis de luar.

  • Não Vão as Estrelas Acordar

Olhão casou-se com o mar.
À noite ele vem num terno tremor,
tão devagar...
contar-lhe histórias de embalar,
com seu jeito sonhador.
Não vão as estrelas acordar
e serem cúmplices do seu amor!!!...

  • Este Desejo

Teu corpo, tuas águas,
teus caminhos,
tuas matas,
em segredo adivinho.
E tu me matas,
com este desejo
de te afagar
esses caminhos, que amamos
e só nós sabemos percorrer,
quando ao amanhecer
nos entrelaçamos.

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  • Notas Biográficas

"ARTUR, Oliva da Mata – Joaquim Luís Oliva da Mata Artur é o seu nome completo. Nasceu em Olhão a 14/06/1957. É filho de Joaquim Bernardino Mata Artur, médico, e de Antonieta Oliva Mata Artur. Foi professor do ensino técnico e atualmente é solicitador em Olhão. Tem tido intensa atividade cultural na sua terra natal, sendo da sua iniciativa a colecção Biblioteca Cultural Olhanense e a primeira feira do livro de Olhão. Foi cofundador do Elos Clube de Olhão e da Comissão Especial dos Interesses do Olhanense. Em 1986, expôs a sua colecção privada de quadros e, em 1993, a sua colecção privada de fotografias antigas da cidade de Olhão. Ambas as exposições decorreram na antiga Biblioteca-Museu desta cidade. Atualmente, é diretor de O Mundo em Quadrinhos, o primeiro Fanzine dedicado à Banda Desenhada, publicado em Olhão e é colaborador de O Olhanense. Tem colaborado em vários jornais e revistas regionais e está representado em várias antologias de poesia". In Apêndice documental de Tese de P. J. Palma - pág. 474.

  • Bibliografia

- Não Vão as Estrelas Acordar, Olhão, 1980.
- Cinco Textos Poéticos, Olhão, 1981.
- Diário de um Pensador, Olhão, 1982.
- Monólogo do Patrão Joaquim Lopes, Olhão, 1884.

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