<?xml version="1.0"?>
<feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xml:lang="en">
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/api.php?action=feedcontributions&amp;feedformat=atom&amp;user=Admin</id>
		<title>Wikipédia de Autores Algarvios - User contributions [en]</title>
		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/api.php?action=feedcontributions&amp;feedformat=atom&amp;user=Admin"/>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php/Special:Contributions/Admin"/>
		<updated>2026-04-23T20:50:16Z</updated>
		<subtitle>User contributions</subtitle>
		<generator>MediaWiki 1.27.7</generator>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Pessanha,_Fernando&amp;diff=63173</id>
		<title>Pessanha, Fernando</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Pessanha,_Fernando&amp;diff=63173"/>
				<updated>2026-03-11T12:59:44Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
[[File:Fernandopessanha.jpg|127px]]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Fernando Pessanha'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Faro, 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Escritor. Ensaísta. Músico. Pianista. Compositor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Fp11marco2026a.jpg]]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Palestra na Tomás Cabreira. 11/03/2026&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Excerto do livro '''''Hotel Anaidaug'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O horizonte assomava-se apontado a norte, ostentando um singular turvo cinza-esverdeado,&lt;br /&gt;
coroado de indefinida visibilidade. Lentamente, foram surgindo novas formas, inicialmente&lt;br /&gt;
amorfas mas, posteriormente, dotadas de traços mais acentuados e definidos, tanto a estibordo&lt;br /&gt;
como a bombordo: as embaciadas margens que se aproximavam. Ondas de curiosos reflexos prateados atiravam-se de encontro ao casco da embarcação, libertando gorgolejantes laivos de espuma e salpicastes gotas salgadas em redor da proa.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* '''Notas Biográficas'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Fernando Pessanha''' nasceu em Faro, em 1980 onde foi aluno das Escolas Secundárias João de Deus e Tomás Cabreira. É licenciado em Património Cultural e mestre em História do Algarve, pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve. Na área da História é autor de ''A Cidade Islâmica de Faro'' e de vários artigos publicados em Portugal, Espanha e Marrocos. No campo da ficção é autor de ''Encontros Improváveis'' e de ''Hotel Anaidaug''. Actualmente exerce funções no Arquivo Histórico Municipal de Vila Real de Santo António, localidade onde vive. Para além da História e da Literatura, dedica-se também à Musica: é pianista e compositor com obra registada na Sociedade Portuguesa de Autores.&amp;lt;br/&amp;gt; in https://www.wook.pt/autor/fernando-pessanha/3124388&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
     &lt;br /&gt;
* '''Bibliografia'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''O Pianista e a Cantora'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''Encontros Improváveis'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''A Cidade Islâmica de Faro'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''Subsídios para a História do Baixo-Guadiana e dos Algarves D'aquém e D'álem-mar'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''Hotel Anaidaug'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''D. Fernando de Meneses, Capitão de Ceuta, 1º conde de Alcoutim e 2º Marquês de Vila Real'''''&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Veja mais sobre '''Fernando Pessanha''' nos seguintes '''links''':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- [https://www.algarveprimeiro.com/d/fernando-pessanha/270-41  &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2011 -[https://vimeo.com/34348912 '''Fernando Pessanha''' “Memórias&amp;quot; PROJECTO 364. Filmado no Auditório Pedro Ruivo, no Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, Faro, a 28 de Dezembro de 2011. Realização: Sofia Afonso.Som: Tatiana Saavedra. '''Fernando Pessanha''' nasceu em Faro, em 1980. Começou por estudar música numa pequena escola, na sua cidade natal, em Vila Real de Santo António. Posteriormente estudou piano no Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, com a professora Oxanna Anikeeva. É Licenciado em Património Cultural, Mestrando em História do Algarve e Professor de História Local na UTL de Vila Real de Santo António, para além de pianista e compositor da banda algarvia ''IN TENTO'' trio. A História e a Literatura têm sido, ao longo dos anos, as influências mais directas na sua produção musical.]  &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2015 -[https://planetalgarve.com/2015/08/11/fernando-pessanha-ao-piano-na-casa-alvaro-de-campos-em-tavira-16-de-agosto/  Notícia sobre o concerto para piano In Tento piano solo, do pianista e compositor '''Fernando Pessanha'''  na Casa Álvaro de Campos, em Tavira. Depois da apresentação da banda sonora de «Hotel Anaidaug», no 32.º EDITA-Festival internacional de la Edición, la Poesía y las Artes, em Espanha, é a vez da cidade de Álvaro de Campos receber o músico algarvio, conhecido pelo seu trabalho com o saudoso IN TENTO trio. O evento encontra-se integrado no ciclo “Músicas Vadias”.]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2018 -[https://algarveinformativo.blogspot.com/2018/10/fernando-pessanha-recorda-ataques-de.html Notícia sobre o novo trabalho do historiador algarvio '''Fernando Pessanha''' intitulado «Ataques da pirataria à foz do Guadiana e a acção de António Leite, alcaide-mor de Arenilha», na sequência da investigação originalmente publicada no vol. XL dos Anais do Município de Faro.]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* in [[File:Logo-arquivo-pt.png | link=https://arquivo.pt/ | https://arquivo.pt]]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2013 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20170927192252/http://algarveprimeiro.com/d/fernando-pessanha/270-41  Notícia sobre '''Fernando Pessanha''']&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2013 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20131029180551/http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=140764 Notícia sobre a apresentação do livro &amp;quot;Encontros Improváveis&amp;quot;]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2016 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20170215000253/http://blocodedevaneios.blogspot.pt/search/label/Fernando%20Pessanha  Crítica a vários  livros do autor e uma entrevista]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2018 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20181026061016/https://jornaldoalgarve.pt/tag/fernando-pessanha/ Várias notícias sobre as suas obras bibliograficas]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2019 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20190522185229/http://independent.academia.edu/Pessanha Vários textos de história do Algarve para download]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Fernandopessanhaaopiano.jpg|225px]]&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Músicos]][[Category:Faro]][[Category:Vila Real de Santo António]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Agr. Tomás Cabreira, em Faro]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Pessanha,_Fernando&amp;diff=63172</id>
		<title>Pessanha, Fernando</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Pessanha,_Fernando&amp;diff=63172"/>
				<updated>2026-03-11T12:59:22Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
[[File:Fernandopessanha.jpg|127px]]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Fernando Pessanha'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Faro, 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Escritor. Ensaísta. Músico. Pianista. Compositor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Fp11marco2026a.jpg]]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Palestra na Tomás Cabreira. 11/03/2026&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Excerto do livro '''''Hotel Anaidaug'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O horizonte assomava-se apontado a norte, ostentando um singular turvo cinza-esverdeado,&lt;br /&gt;
coroado de indefinida visibilidade. Lentamente, foram surgindo novas formas, inicialmente&lt;br /&gt;
amorfas mas, posteriormente, dotadas de traços mais acentuados e definidos, tanto a estibordo&lt;br /&gt;
como a bombordo: as embaciadas margens que se aproximavam. Ondas de curiosos reflexos prateados atiravam-se de encontro ao casco da embarcação, libertando gorgolejantes laivos de espuma e salpicastes gotas salgadas em redor da proa.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* '''Notas Biográficas'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Fernando Pessanha''' nasceu em Faro, em 1980 onde foi aluno das Escolas Secundárias João de Deus e Tomás Cabreira. É licenciado em Património Cultural e mestre em História do Algarve, pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve. Na área da História é autor de ''A Cidade Islâmica de Faro'' e de vários artigos publicados em Portugal, Espanha e Marrocos. No campo da ficção é autor de ''Encontros Improváveis'' e de ''Hotel Anaidaug''. Actualmente exerce funções no Arquivo Histórico Municipal de Vila Real de Santo António, localidade onde vive. Para além da História e da Literatura, dedica-se também à Musica: é pianista e compositor com obra registada na Sociedade Portuguesa de Autores.&amp;lt;br/&amp;gt; in https://www.wook.pt/autor/fernando-pessanha/3124388&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
     &lt;br /&gt;
* '''Bibliografia'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''O Pianista e a Cantora'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''Encontros Improváveis'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''A Cidade Islâmica de Faro'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''Subsídios para a História do Baixo-Guadiana e dos Algarves D'aquém e D'álem-mar'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''Hotel Anaidaug'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''D. Fernando de Meneses, Capitão de Ceuta, 1º conde de Alcoutim e 2º Marquês de Vila Real'''''&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Veja mais sobre '''Fernando Pessanha''' nos seguintes '''links''':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- [https://www.algarveprimeiro.com/d/fernando-pessanha/270-41  &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2011 -[https://vimeo.com/34348912 '''Fernando Pessanha''' “Memórias&amp;quot; PROJECTO 364. Filmado no Auditório Pedro Ruivo, no Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, Faro, a 28 de Dezembro de 2011. Realização: Sofia Afonso.Som: Tatiana Saavedra. '''Fernando Pessanha''' nasceu em Faro, em 1980. Começou por estudar música numa pequena escola, na sua cidade natal, em Vila Real de Santo António. Posteriormente estudou piano no Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, com a professora Oxanna Anikeeva. É Licenciado em Património Cultural, Mestrando em História do Algarve e Professor de História Local na UTL de Vila Real de Santo António, para além de pianista e compositor da banda algarvia ''IN TENTO'' trio. A História e a Literatura têm sido, ao longo dos anos, as influências mais directas na sua produção musical.]  &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2015 -[https://planetalgarve.com/2015/08/11/fernando-pessanha-ao-piano-na-casa-alvaro-de-campos-em-tavira-16-de-agosto/  Notícia sobre o concerto para piano In Tento piano solo, do pianista e compositor '''Fernando Pessanha'''  na Casa Álvaro de Campos, em Tavira. Depois da apresentação da banda sonora de «Hotel Anaidaug», no 32.º EDITA-Festival internacional de la Edición, la Poesía y las Artes, em Espanha, é a vez da cidade de Álvaro de Campos receber o músico algarvio, conhecido pelo seu trabalho com o saudoso IN TENTO trio. O evento encontra-se integrado no ciclo “Músicas Vadias”.]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2018 -[https://algarveinformativo.blogspot.com/2018/10/fernando-pessanha-recorda-ataques-de.html Notícia sobre o novo trabalho do historiador algarvio '''Fernando Pessanha''' intitulado «Ataques da pirataria à foz do Guadiana e a acção de António Leite, alcaide-mor de Arenilha», na sequência da investigação originalmente publicada no vol. XL dos Anais do Município de Faro.]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* in [[File:Logo-arquivo-pt.png | link=https://arquivo.pt/ | https://arquivo.pt]]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2013 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20170927192252/http://algarveprimeiro.com/d/fernando-pessanha/270-41  Notícia sobre '''Fernando Pessanha''']&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2013 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20131029180551/http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=140764 Notícia sobre a apresentação do livro &amp;quot;Encontros Improváveis&amp;quot;]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2016 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20170215000253/http://blocodedevaneios.blogspot.pt/search/label/Fernando%20Pessanha  Crítica a vários  livros do autor e uma entrevista]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2018 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20181026061016/https://jornaldoalgarve.pt/tag/fernando-pessanha/ Várias notícias sobre as suas obras bibliograficas]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2019 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20190522185229/http://independent.academia.edu/Pessanha Vários textos de história do Algarve para download]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Fernandopessanhaaopiano.jpg|225px]]&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Músicos]][[Category:Faro]][[Category:Vila Real de Santo António]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Agr. Tomás Cabreira, em Faro]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:Fp11marco2026a.jpg&amp;diff=63171</id>
		<title>File:Fp11marco2026a.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:Fp11marco2026a.jpg&amp;diff=63171"/>
				<updated>2026-03-11T12:57:40Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Pessanha,_Fernando&amp;diff=63170</id>
		<title>Pessanha, Fernando</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Pessanha,_Fernando&amp;diff=63170"/>
				<updated>2026-03-11T12:41:20Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
[[File:Fernandopessanha.jpg|127px]]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Fernando Pessanha'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Faro, 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Escritor. Ensaísta. Músico. Pianista. Compositor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Excerto do livro '''''Hotel Anaidaug'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O horizonte assomava-se apontado a norte, ostentando um singular turvo cinza-esverdeado,&lt;br /&gt;
coroado de indefinida visibilidade. Lentamente, foram surgindo novas formas, inicialmente&lt;br /&gt;
amorfas mas, posteriormente, dotadas de traços mais acentuados e definidos, tanto a estibordo&lt;br /&gt;
como a bombordo: as embaciadas margens que se aproximavam. Ondas de curiosos reflexos prateados atiravam-se de encontro ao casco da embarcação, libertando gorgolejantes laivos de espuma e salpicastes gotas salgadas em redor da proa.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* '''Notas Biográficas'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Fernando Pessanha''' nasceu em Faro, em 1980 onde foi aluno das Escolas Secundárias João de Deus e Tomás Cabreira. É licenciado em Património Cultural e mestre em História do Algarve, pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve. Na área da História é autor de ''A Cidade Islâmica de Faro'' e de vários artigos publicados em Portugal, Espanha e Marrocos. No campo da ficção é autor de ''Encontros Improváveis'' e de ''Hotel Anaidaug''. Actualmente exerce funções no Arquivo Histórico Municipal de Vila Real de Santo António, localidade onde vive. Para além da História e da Literatura, dedica-se também à Musica: é pianista e compositor com obra registada na Sociedade Portuguesa de Autores.&amp;lt;br/&amp;gt; in https://www.wook.pt/autor/fernando-pessanha/3124388&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
     &lt;br /&gt;
* '''Bibliografia'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''O Pianista e a Cantora'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''Encontros Improváveis'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''A Cidade Islâmica de Faro'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''Subsídios para a História do Baixo-Guadiana e dos Algarves D'aquém e D'álem-mar'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''Hotel Anaidaug'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''D. Fernando de Meneses, Capitão de Ceuta, 1º conde de Alcoutim e 2º Marquês de Vila Real'''''&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Veja mais sobre '''Fernando Pessanha''' nos seguintes '''links''':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- [https://www.algarveprimeiro.com/d/fernando-pessanha/270-41  &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2011 -[https://vimeo.com/34348912 '''Fernando Pessanha''' “Memórias&amp;quot; PROJECTO 364. Filmado no Auditório Pedro Ruivo, no Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, Faro, a 28 de Dezembro de 2011. Realização: Sofia Afonso.Som: Tatiana Saavedra. '''Fernando Pessanha''' nasceu em Faro, em 1980. Começou por estudar música numa pequena escola, na sua cidade natal, em Vila Real de Santo António. Posteriormente estudou piano no Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, com a professora Oxanna Anikeeva. É Licenciado em Património Cultural, Mestrando em História do Algarve e Professor de História Local na UTL de Vila Real de Santo António, para além de pianista e compositor da banda algarvia ''IN TENTO'' trio. A História e a Literatura têm sido, ao longo dos anos, as influências mais directas na sua produção musical.]  &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2015 -[https://planetalgarve.com/2015/08/11/fernando-pessanha-ao-piano-na-casa-alvaro-de-campos-em-tavira-16-de-agosto/  Notícia sobre o concerto para piano In Tento piano solo, do pianista e compositor '''Fernando Pessanha'''  na Casa Álvaro de Campos, em Tavira. Depois da apresentação da banda sonora de «Hotel Anaidaug», no 32.º EDITA-Festival internacional de la Edición, la Poesía y las Artes, em Espanha, é a vez da cidade de Álvaro de Campos receber o músico algarvio, conhecido pelo seu trabalho com o saudoso IN TENTO trio. O evento encontra-se integrado no ciclo “Músicas Vadias”.]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2018 -[https://algarveinformativo.blogspot.com/2018/10/fernando-pessanha-recorda-ataques-de.html Notícia sobre o novo trabalho do historiador algarvio '''Fernando Pessanha''' intitulado «Ataques da pirataria à foz do Guadiana e a acção de António Leite, alcaide-mor de Arenilha», na sequência da investigação originalmente publicada no vol. XL dos Anais do Município de Faro.]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* in [[File:Logo-arquivo-pt.png | link=https://arquivo.pt/ | https://arquivo.pt]]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2013 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20170927192252/http://algarveprimeiro.com/d/fernando-pessanha/270-41  Notícia sobre '''Fernando Pessanha''']&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2013 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20131029180551/http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=140764 Notícia sobre a apresentação do livro &amp;quot;Encontros Improváveis&amp;quot;]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2016 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20170215000253/http://blocodedevaneios.blogspot.pt/search/label/Fernando%20Pessanha  Crítica a vários  livros do autor e uma entrevista]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2018 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20181026061016/https://jornaldoalgarve.pt/tag/fernando-pessanha/ Várias notícias sobre as suas obras bibliograficas]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2019 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20190522185229/http://independent.academia.edu/Pessanha Vários textos de história do Algarve para download]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Fernandopessanhaaopiano.jpg|225px]]&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Músicos]][[Category:Faro]][[Category:Vila Real de Santo António]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Agr. Tomás Cabreira, em Faro]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Pessanha,_Fernando&amp;diff=63169</id>
		<title>Pessanha, Fernando</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Pessanha,_Fernando&amp;diff=63169"/>
				<updated>2026-03-11T12:39:08Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
[[File:Fernandopessanha.jpg|127px]]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Fernando Pessanha'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Faro, 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Escritor. Ensaísta. Músico. Pianista. Compositor.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Excerto do livro '''''Hotel Anaidaug'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O horizonte assomava-se apontado a norte, ostentando um singular turvo cinza-esverdeado,&lt;br /&gt;
coroado de indefinida visibilidade. Lentamente, foram surgindo novas formas, inicialmente&lt;br /&gt;
amorfas mas, posteriormente, dotadas de traços mais acentuados e definidos, tanto a estibordo&lt;br /&gt;
como a bombordo: as embaciadas margens que se aproximavam. Ondas de curiosos reflexos prateados atiravam-se de encontro ao casco da embarcação, libertando gorgolejantes laivos de espuma e salpicastes gotas salgadas em redor da proa.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* '''Notas Biográficas'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Fernando Pessanha''' nasceu em Faro, em 1980 onde foi aluno das Escolas Secundárias João de Deus e Tomás Cabreira. É licenciado em Património Cultural e mestre em História do Algarve, pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve. Na área da História é autor de ''A Cidade Islâmica de Faro'' e de vários artigos publicados em Portugal, Espanha e Marrocos. No campo da ficção é autor de ''Encontros Improváveis'' e de ''Hotel Anaidaug''. Actualmente exerce funções no Arquivo Histórico Municipal de Vila Real de Santo António, localidade onde vive. Para além da História e da Literatura, dedica-se também à Musica: é pianista e compositor com obra registada na Sociedade Portuguesa de Autores.&amp;lt;br/&amp;gt; in https://www.wook.pt/autor/fernando-pessanha/3124388&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
     &lt;br /&gt;
* '''Bibliografia'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''O Pianista e a Cantora'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''Encontros Improváveis'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''A Cidade Islâmica de Faro'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''Subsídios para a História do Baixo-Guadiana e dos Algarves D'aquém e D'álem-mar'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''Hotel Anaidaug'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''''D. Fernando de Meneses, Capitão de Ceuta, 1º conde de Alcoutim e 2º Marquês de Vila Real'''''&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Veja mais sobre '''Fernando Pessanha''' nos seguintes '''links''':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- [https://www.algarveprimeiro.com/d/fernando-pessanha/270-41  &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2011 -[https://vimeo.com/34348912 '''Fernando Pessanha''' “Memórias&amp;quot; PROJECTO 364. Filmado no Auditório Pedro Ruivo, no Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, Faro, a 28 de Dezembro de 2011. Realização: Sofia Afonso.Som: Tatiana Saavedra. '''Fernando Pessanha''' nasceu em Faro, em 1980. Começou por estudar música numa pequena escola, na sua cidade natal, em Vila Real de Santo António. Posteriormente estudou piano no Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, com a professora Oxanna Anikeeva. É Licenciado em Património Cultural, Mestrando em História do Algarve e Professor de História Local na UTL de Vila Real de Santo António, para além de pianista e compositor da banda algarvia ''IN TENTO'' trio. A História e a Literatura têm sido, ao longo dos anos, as influências mais directas na sua produção musical.]  &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2015 -[https://planetalgarve.com/2015/08/11/fernando-pessanha-ao-piano-na-casa-alvaro-de-campos-em-tavira-16-de-agosto/  Notícia sobre o concerto para piano In Tento piano solo, do pianista e compositor '''Fernando Pessanha'''  na Casa Álvaro de Campos, em Tavira. Depois da apresentação da banda sonora de «Hotel Anaidaug», no 32.º EDITA-Festival internacional de la Edición, la Poesía y las Artes, em Espanha, é a vez da cidade de Álvaro de Campos receber o músico algarvio, conhecido pelo seu trabalho com o saudoso IN TENTO trio. O evento encontra-se integrado no ciclo “Músicas Vadias”.]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2018 -[https://algarveinformativo.blogspot.com/2018/10/fernando-pessanha-recorda-ataques-de.html Notícia sobre o novo trabalho do historiador algarvio '''Fernando Pessanha''' intitulado «Ataques da pirataria à foz do Guadiana e a acção de António Leite, alcaide-mor de Arenilha», na sequência da investigação originalmente publicada no vol. XL dos Anais do Município de Faro.]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* in [[File:Logo-arquivo-pt.png | link=https://arquivo.pt/ | https://arquivo.pt]]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2013 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20170927192252/http://algarveprimeiro.com/d/fernando-pessanha/270-41  Notícia sobre '''Fernando Pessanha''']&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2013 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20131029180551/http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=140764 Notícia sobre a apresentação do livro &amp;quot;Encontros Improváveis&amp;quot;]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2016 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20170215000253/http://blocodedevaneios.blogspot.pt/search/label/Fernando%20Pessanha  Crítica a vários  livros do autor e uma entrevista]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2018 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20181026061016/https://jornaldoalgarve.pt/tag/fernando-pessanha/ Várias notícias sobre as suas obras bibliograficas]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- 2019 -[https://m.arquivo.pt/wayback/20190522185229/http://independent.academia.edu/Pessanha Vários textos de história do Algarve para download]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Fernandopessanhaaopiano.jpg|225px]]&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Músicos]][[Category:Faro]][[Category:Vila Real de Santo António]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Agr. Tomás Cabreira, em Faro]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63168</id>
		<title>Passos, Bernardo - A Obra Poética de Bernardo de Passos</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63168"/>
				<updated>2025-12-10T16:38:05Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:BernardoPassosFoto3.jpg]] [[File:Mural bernardoPassos.jpg|180px]] [[File:BernardoPassos-por-HPassos_AlmanaqueDoAlgarveVol9.jpg|111px]] [[File:BernardoDePassosEstatuaEmSBrasDeAlportel.jpg|182px]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Bernardo de Passos''' (1876–1930)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
  Poeta e jornalista de São Brás de Alportel, muito ligado ao movimento republicano e à poesia de inspiração social e regional. Formou-se em Direito em Coimbra, onde conviveu com figuras ligadas ao ideal republicano e à Geração de 90. Depois regressou ao Algarve, onde se destacou pela sua poesia social, cívica e profundamente humana.&amp;lt;br /&amp;gt;A sua casa natal, em São Brás de Alportel, é hoje Casa-Museu Bernardo de Passos, centro de preservação da sua memória literária e cívica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 O texto que se segue, o '''prefácio  de Joaquim Magalhães''' à &amp;quot;Obra Poética de Bernardo Passos&amp;quot;  apresenta o poeta como um homem tímido, sensível e de vida discreta. A sua obra poética, embora breve, revela um lirismo marcado pela sensibilidade, bondade, ternura e patriotismo sentimental, combina a delicadeza lírica com o amor ao próximo, à natureza e à pátria, tornando-a acessível e ao mesmo tempo rica em sensibilidade, convidando o leitor a descobrir pessoalmente as nuances e riquezas dos seus poemas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''PALAVRAS DE INTRODUÇÃO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 1&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas datas assinalam naturalmente a vida de '''Bernardo de Passos'''. Uma vida sem grandes aventuras, que não as teve um homem tímido e sensível como ele foi.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em 1876 — nascimento, a 29 de Outubro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
EM 1930 — morte, em Faro, a 2 de Junho.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A existência do poeta decorre assim, entre estes dois pontos no tempo; e entre estes dois sítios: a sua vila natal e a cidade em que exerceu várias funções.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Filho de jornalista, republicano desde a infância, assim se pode dizer, como também do mesmo modo se pode afirmar que foi poeta, quando descobriu a veia, por volta dos nove anos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Quiseram destiná-lo à vida comercial. Experimentou a de farmacêutico, em S. Brás e em Lisboa, onde aliás fez os respetivos preparatórios. Mas a vida comercial não o seduziu.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Foi solicitador na sua vila natal; e também aqui escrivão do juízo de paz.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Com o advento da República, no começo do mês em que completava 34 anos, foi nomeado administrador do concelho e comissário de polícia de Faro, por inerência de cargo, bem entendido.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Mais tarde conseguiram os amigos convencê-lo a estabilizar-se nas funções de Secretário da Câmara de Faro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Nesta cidade deu lições, gratuitamente, claro, no Centro Republicano. Em Faro escreveu em jornais. Em Faro, com outro amador jornalista, António Santos, funda &amp;quot;O Correio do Sul&amp;quot; (1 de Fevereiro de 1920).&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estas, algumas, as mais significativas atividades do homem e do cidadão. Porque a grande aventura de Bernardo de Passos é evidentemente a obra poética. Não muito extensa, em autor tão Auto exigente, como foi. Meia dúzia de títulos, apenas, no total.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;ADEUS&amp;quot; — 1902; &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; — 1907; &amp;quot;PORTU-GAL NA CRUZ&amp;quot; — 1909; &amp;quot;BANDEIRA DA REPÚBLICA&amp;quot; — 1913. E mais: &amp;quot;A ÁRVORE E O NINHO&amp;quot; — 1931; e &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; — 1936, postumamente publicados, mas organizados pelo autor.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O volume de poesias dispersas, que fora anunciado será o que corresponderia às tais já referidas composições &amp;quot;muito antigas&amp;quot; e outras que em seus rascunhos aparecem e agora se incluem nesta publicação.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 2&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A obra de '''Bernardo de Passos''' é toda ela de expressão lírica. O que o poeta escreveu é reflexo da sua vida interior, o espelho de uma sensibilidade e de uma consciência. Do seu amor ao Belo, da sua ternura pelo fraco, pelo desvalido, pelo pobre, pelo desamparado.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Deste modo, a bondade, a ternura, a delicadeza, a timidez, o sorriso, são as notas dominantes do seu lirismo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Acrescentem-se-lhes as notas de patriotismo sentimental e o inevitável pendor saudosista de todo o português que se preza, seja poeta ou não.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Logo no primeiro livro, &amp;quot;ADEUS&amp;quot;, de 1902, publicado dois anos depois da morte de António Nobre, autor do &amp;quot;Só&amp;quot;, e num tempo em que a pessoa de Junqueiro e a sua poesia marcam, entre nós, o clima de sensibilidade, os temas desenvolvidos, melhor dizendo inspiradores, são, no nosso poeta, além do &amp;quot;Adeus&amp;quot; do título, o desencanto, a dúvida, o &amp;quot;spleen&amp;quot;, a doçura do pranto, as ruínas, o inverno, a dor inútil, o apelo e a presença do sorriso, como palavras mais vezes presentes.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Aliás estas são as que servem de título a vários dos poemas do volume inicial. E revelam insofismavelmente, sem necessidade de aprofundamentos psicológicos difíceis, uma sensibilidade, dominada por uma melancolia saudosista, sem rebuscar formas de expressão.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;quot;O GRÃO DE TRIGO&amp;quot; (Versos à Natureza e à Vida) sugere-nos a ideia de uma como que retificação ou reconciliação com a vida e consequentemente uma espécie de libertação dos domínios da tristeza.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A Natureza e a Vida tomam, neste algarvio típico, a lógica posição de primeiro lugar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 3&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra nota característica, já anteriormente enunciada é a de insatisfação do artista. Melhorar formalmente um poema parece ser uma constante preocupação do artista.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
No &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; está, por exemplo, um poema com o título &amp;quot;A Árvore e o Ninho&amp;quot;. São dezasseis quadras. Ora,.com quarenta e cinco prepara o voluminho saído em 31, póstumo com o mesmo título.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O poema &amp;quot;Sermão da Montanha&amp;quot; (&amp;quot;Grão de Trigo&amp;quot;) vai aparecer em versão corrigida e aumentada e melhorada no volume &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; (1936).&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E outros exemplos se poderiam dar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estes bastam, no entanto, apenas como possível chamar de atenção para uma faceta que nos parece fundamental da obra de Bernardo de Passos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E, mais ou menos comum a todos os artistas, que como este, não desdenham os caminhos da perfeição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O leitor curioso, porém, descobrirá por si as riquezas destes poemas, que, a partir de agora, ficam mais à sua disposição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In: &amp;quot;A Obra Poética de Bernardo de Passos&amp;quot; p. 7 e 8&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Para saber mais sobre Bernardo de Passos''':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
1. Artigo de '''Joaquim Magalhães''' sobre '''Bernardo Passos''' no jornal ''Noticias de S. Braz'':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://hemeroteca.ualg.pt/resources/PDF/Noticias_SBraz_1976-10-29_0000.pdf&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo de - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - capa.jpg|271px]]   [[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
*Alguns poemas do livro ''A Obra poética de Bernardo Passos'': &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. '''SAUDADES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saudades de amor, são penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que nascem do coração…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E como as penas das aves,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quantas mais, mais brandas são!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu coração fez um ninho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como o das aves perfeito,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Juntando todas as penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De que ele me encheu o peito…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E nesse ninho, a sonhar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dorme, assim, horas serenas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme um passarinho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o seu ninho de penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2. '''REGRESSO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! Ave-marias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Teu crepúsculo de oiro até parece&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que me canta e me embala e me adormece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A florir a amargura dos meus dias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como a urze das tuas serranias,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Poeta aqui nasci, sem que o soubesse,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aqui, - visão de estrelas e de prece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vi meu primeiro amor, quando me vias!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! – Anoiteceu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o meu coração como um ninho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Estendes a asa de oiro do teu céu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ele dorme e sorri, - o abandonado!-&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme e sorri um passarinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sob a asa da mãe agasalhado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P.176&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3. '''MEU PAI'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto a chuva cai e o vento grita&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
No silêncio do noite escura e fria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Evoco o tempo em que velhinho o via&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto a lareira que ora aqui trepita.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por esta casa que a Saudade habita,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tão erma como a noite mais sombria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda vitro a trémula harmonia,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
O eco triste d'essa voz bendita...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E sonho tê-lo, como então, ao lado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto do lume antigo, aqui sentado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com o seu ar de santa em doce preces...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E desta solidão já me inebrio...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ai! ver o Lar e achá-lo assim vazio&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem sempre tão cheio ele parece!...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P. 41&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4. '''MINHA ALDEIA'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
''Visão Antiga''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dormita a aldeia ao longo da verdura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E em torno. as fontes vão cantando às mároas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim tranauila, caiadinha e pura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Parece um cisne de brilhante alvura.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sonhando auieto no frescor das águas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bate-lhe em cheio a lua opalescente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Numa visão estranha de balada..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Oue paz augusta, elísia, ridente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Paira sobre ela, a pálida dormente.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aue festim de luz imaculada!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vêu de prata que lhe tece a lua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aranha cuia teia é o luar lindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Recorda fina gaze que flutua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre uma criança alva, toda nua,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em berço d'oiro a dormitar, sorrindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um solitário cão, de quando em quando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Đá um latido prolongado, insonte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Algum lebréu a suspirar, sonhando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre nevadas palhas dormitando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto à cabana, de vigia ao monte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(...)&lt;br /&gt;
(p. 59)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5.'''CANTARES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Para a sua boca)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tens frescores da manha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Na tua boca pequena..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
São dois bagos de romā&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios, morena!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À vista da tua boca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Rosa vermelha entreabrindo&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu sinto-me abelha louca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para os teus lábios fugindo ...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São um botão entreaberto&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios sem par,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que as borboletas, por certo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vão iludidas beijar!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tua boca é notada,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre as das mais raparigas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como a papoila encarnada&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre o oiro das espigas...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É taça cheia de amor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Essa boca graciosa...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda sinto o sabor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dos teus beijos cor de rosa!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(...)&lt;br /&gt;
P.70&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In '''''A obra poética de Bernardo de Passos''''', Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, 1983 &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:BernardoDePassosEstatuaEmSBrasDeAlportel.jpg&amp;diff=63167</id>
		<title>File:BernardoDePassosEstatuaEmSBrasDeAlportel.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:BernardoDePassosEstatuaEmSBrasDeAlportel.jpg&amp;diff=63167"/>
				<updated>2025-12-10T16:29:47Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:BernardoPassosFoto3.jpg&amp;diff=63166</id>
		<title>File:BernardoPassosFoto3.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:BernardoPassosFoto3.jpg&amp;diff=63166"/>
				<updated>2025-12-10T16:24:37Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:BernardoPassosFoto2.jpg&amp;diff=63165</id>
		<title>File:BernardoPassosFoto2.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:BernardoPassosFoto2.jpg&amp;diff=63165"/>
				<updated>2025-12-10T16:23:11Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:BernardoPassos-por-HPassos_AlmanaqueDoAlgarveVol9.jpg&amp;diff=63164</id>
		<title>File:BernardoPassos-por-HPassos AlmanaqueDoAlgarveVol9.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:BernardoPassos-por-HPassos_AlmanaqueDoAlgarveVol9.jpg&amp;diff=63164"/>
				<updated>2025-12-10T16:21:30Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Cam%C3%B5es_e_a_Algarvia&amp;diff=63163</id>
		<title>Camões e a Algarvia</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Cam%C3%B5es_e_a_Algarvia&amp;diff=63163"/>
				<updated>2025-12-10T16:17:54Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== '''Mário Lyster Franco''' - ''Camões e a Algarvia'' ==&lt;br /&gt;
[[File:Lysterfoto.png|250px]] [[File:Lyster Franco, Mário - Camões e a Algarvia - capa.jpg|250px]] [[File:Lyster Franco, Mário - Camões e a Algarvia - palestra Faro.png|500px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 [[File:LysterJornalAlgarvio.png|650px]] [[File:Lysternotícia.png|220px]][[File:Lyster Franco, Mário - Camões e a Algarvia - palestra Lisboa.png|150px]]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 ''Camões e a Algarvia'', da autoria de [https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php/Lyster_Franco,_M%C3%A1rio Mário Lyster Franco], é uma palestra sobre Camões, proferida originalmente em 1945 e 1946 e só publicada anos depois.(1978)&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* '''Excertos de ''Camões e a Algarvia''''':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''1. Excerto 1 (Prelúdio)'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''A modos de prelúdio... &amp;lt;br /&amp;gt;Escrita há bem mais de trinta anos, proferida, primeiro, em Dezembro de 1945, no Sarau do aniversário do Ginásio Clube Farense e, depois, em 29 de Novembro de 1946, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, no fecho da I Exposição Bibliográfica e de Artes Plásticas do Algarve, realizada na capital, esquecida no fundo de uma gaveta e só publicada no &amp;quot;Correio do Sul&amp;quot; dez anos depois, lembraram-se agora os amigos do GRUPO DE ESTUDOS ALGARVIOS de que podia haver interesse em dar a esta palestra aquela divulgação livresca ou mais propriamente opuscular, que mais natural seria então tivesse tido.&amp;lt;br /&amp;gt;Isso decerto melhor desculparia certas ingenuidades e fantasias, a talvez que demasiada brevidade que o A. lhe deu e o deixar em branco alguns pormenores, defeitos que, porventura, destinando-a a ser ouvida, tomou então por qualidades e de que - sabe-se lá! - talvez sem grande esforço, destinada que vai ser à leitura, pudesse expurgá-la agora!&amp;lt;br /&amp;gt;Publica-se, no entanto, na sua pureza original. E fácil se torna reconhecer assim que o A. entende que, no revesti-la agora da erudição que então não teve, por mais certa e brilhante que ela fosse, não haveria honesto proceder.(...)&amp;lt;br /&amp;gt;In: '''&amp;quot;Camões e a Algarvia!&amp;quot;''' &amp;lt;br /&amp;gt;Faro, Junho de 1978 ''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''2. Excerto 2 (Início)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se, no dizer de Teófilo Braga, o &amp;quot;Amor foi o móvel principal dos pensamentos e atos&amp;quot; de Camões, se foram muitas mulheres que Camões amou, concordemos em que ele foi sempre e principalmente - aparte um ou outro triunfo passageiro que lhe não deixou sulcos no coração -, o poeta dos grandes amores infelizes.&amp;lt;br /&amp;gt;Audacioso, valentaço e brigão, ainda que por apregoados pergaminhos e pela fama de bom versejador que alguns amigos dedicados lhe criavam tivessem si do admitido na corte e na roda das boas famílias: gente &amp;quot;bem&amp;quot; da sua época, o certo e que os veneráveis papás de então, austeros, rabugentos e barbudos como nenhuns outros, viam principalmente nele o &amp;quot;Trinca-fortes&amp;quot; aventureiro e aventuroso, já sabiam que fazer versos - por mais belos e harmoniosos que eles fossem -, não era, positivamente, uma carreira e estavam longe de considera-lo um bom, ou mesmo, apenas, um razoável, um aceitável partido.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''3. Excerto 3''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
D. Francisca de Aragão era filha de Nuno Rodrigues Barreto, alcaide-mor de Faro e vedor da fazenda do Algarve e veio ao mundo em 1536 ou 37,na casa apalaçada da Quinta de Quarteira que seu pai, com aqueles cargos, herdara de seus maiores. Por sua mãe era bisneta do rei D. João II, de Aragão, e Filipe II de Castela tratava-a por sobrinha. Muito nova veio D. Francisca para Lisboa, tendo entrado, com 12 ou 13 anos apenas, ao serviço da Rainha D. Catarina.&amp;lt;br /&amp;gt;(...)Formosíssima, &amp;quot;loira, viva, esperta e azougada&amp;quot; no dizer de outro dos seus biógrafos, admirada e estimada por todos - ainda que, certamente, invejada por algumas - logo ela obteve na corte uma situação privilegiada e nela sua, vida decorreu serena e calma, aparte o delicioso romance mantido com Camões, (...)  que lhe deu a principal coroa de glória, e as inflamadas paixões que despertou em todos os vates da época(...).&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Resumo detalhado e estruturado da conferência de Mário Lyster Franco:'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''1.''' Camões e os seus amores infelizes&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Teófilo Braga, o amor foi o grande motor da vida de Camões.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Apesar de ter amado muitas mulheres, os seus amores foram, em geral, infelizes.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Camões era visto como um aventureiro e brigão, o que não agradava às famílias nobres da época.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Além disso, não era considerado bonito: ruivo, de nariz adunco e aparência desajeitada, seu principal atrativo era o seu trato e o talento poético.&lt;br /&gt;
As suas paixões foram desde a juventude, em Coimbra, até musas enigmáticas, como a Natércia, inspiradora de muitos de seus versos.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''2.''' A presença de D. Francisca de Aragão na vida de Camões&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
D. Francisca de Aragão era uma nobre algarvia, considerada uma das mulheres mais belas e influentes da corte de D. João III e D. Sebastião.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Diferente de outros poetas que a cortejavam, Camões conseguiu cativá-la, embora sua relação tenha sido descrita mais como uma &amp;quot;terna amizade-amorosa&amp;quot; do que um romance arrebatado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
O amor entre os dois teria sido intenso, mas sem comprometer a reputação da dama, que ocupava uma posição de destaque na corte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para Teófilo Braga, a relação com D. Francisca foi um grande estímulo para Camões: ele percebeu que precisava de criar uma obra grandiosa para estar à altura dela, o que teria levado à escrita de Os Lusíadas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''3.''' A separação de Camões e D. Francisca&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Rainha D. Catarina, ao perceber o envolvimento da sua dama de companhia com Camões, decidiu afastá-lo da corte, enviando-o para o Ribatejo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
O romance, transformou-se assim em amizade e respeito mútuo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
O afastamento do poeta não só evitou escândalos como também o direcionou para o seu grande projeto épico.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''4.''' A vida de D. Francisca após Camões&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
D. Francisca permaneceu solteira até os 40 anos, quando casou com D. João de Borja, embaixador da Espanha e filho de São Francisco de Borja.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tornou-se condessa de Mayalde e Ficalho, acompanhando o marido em missões diplomáticas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Faleceu em 1615, desejando ser sepultada em Lisboa, mas acabou sendo enterrada em Valladolid.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''5.''' Uma possível ligação entre D. Francisca e as perseguições a Camões na Índia&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O autor levanta a hipótese de que as dificuldades enfrentadas por Camões na Índia não tenham sido apenas resultado das suas sátiras, mas também da ligação com D. Francisca.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
O governador da Índia na época, D. Francisco Barreto, era tio de D. Francisca.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pode-se especular que ele tenha perseguido Camões por este ter ousado envolver-se com a sua nobre sobrinha.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
O autor sugere que esta questão ainda não foi explorada a fundo pelos estudiosos e apresenta-a como uma possível nova interpretação dos infortúnios do poeta.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''Mário Lyster Franco (1902-1984)'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
O Arquivo Distrital de Faro destaca, como documento do mês, o registo de nascimento de um ilustre farense, que dedicou toda a sua vida à divulgação e promoção da região e da cultura algarvia, tanto no Algarve como no resto do país.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''Mário Augusto Barbosa Lyster Franco''', filho de '''Carlos Lyster Franco''', pintor e professor no Liceu de Faro e de Maria das Dores Dias Barbosa, doméstica, moradores na rua de S. Francisco, nasceu às 16h30m, do dia 19 de Fevereiro de 1902, na freguesia da Sé, em Faro.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Formado em direito, dedicou a sua vida à defesa dos interesses da região, à divulgação e promoção da história e da cultura algarvia, participando e organizando conferências, publicando jornais, livros e revistas. Como autor, a sua obra reparte-se entre a arqueologia, a história e a literatura, num total de trinta títulos publicados.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi presidente da Câmara Municipal de Faro durante dois mandatos (1932-34 e 1937-39). Defendeu o turismo como fonte de desenvolvimento regional, sendo o “Guia Turístico do Algarve”, editado em 1940 e 1944, pela Revista Internacional, um exemplo da propaganda regionalista e um incentivo ao turismo da região algarvia.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Colaborou ao longo da vida em vários jornais nacionais e regionais como redator, tendo assumido, em 1946, a direção do semanário «Correio do Sul», órgão da imprensa algarvia que dirigiu durante mais de quarenta anos.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A partir de 1980, dedicou -se à elaboração da obra «Algarviana – Subsídios para uma Bibliografia do Algarve e dos Autores Algarvios», obra de investigação de carácter enciclopédico, fonte de utilidade científica e literária, fruto de décadas de investigação, publicando o 1º volume, em 1982 (letras A e B), numa edição da Câmara Municipal de Faro, dois anos antes do seu falecimento, que ocorreria em Camarate, região de Lisboa, a 20 de Agosto de 1984, ficando por publicar, até hoje, os restantes volumes desta obra de referência da região do Algarve.''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In:&amp;lt;br /&amp;gt;https://adfar.dglab.gov.pt/2018/02/02/mario-lyster-franco-1902-1984/&amp;lt;br /&amp;gt;2 de Fevereiro de 2018&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(ver notícia no Almanaque do Algarve de 1949)&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63162</id>
		<title>Passos, Bernardo - A Obra Poética de Bernardo de Passos</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63162"/>
				<updated>2025-12-10T13:35:07Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Mural bernardoPassos.jpg|180px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Bernardo de Passos''' (1876–1930)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
  Poeta e jornalista de São Brás de Alportel, muito ligado ao movimento republicano e à poesia de inspiração social e regional. Formou-se em Direito em Coimbra, onde conviveu com figuras ligadas ao ideal republicano e à Geração de 90. Depois regressou ao Algarve, onde se destacou pela sua poesia social, cívica e profundamente humana.&amp;lt;br /&amp;gt;A sua casa natal, em São Brás de Alportel, é hoje Casa-Museu Bernardo de Passos, centro de preservação da sua memória literária e cívica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 O texto que se segue, o '''prefácio  de Joaquim Magalhães''' à &amp;quot;Obra Poética de Bernardo Passos&amp;quot;  apresenta o poeta como um homem tímido, sensível e de vida discreta. A sua obra poética, embora breve, revela um lirismo marcado pela sensibilidade, bondade, ternura e patriotismo sentimental, combina a delicadeza lírica com o amor ao próximo, à natureza e à pátria, tornando-a acessível e ao mesmo tempo rica em sensibilidade, convidando o leitor a descobrir pessoalmente as nuances e riquezas dos seus poemas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''PALAVRAS DE INTRODUÇÃO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 1&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas datas assinalam naturalmente a vida de '''Bernardo de Passos'''. Uma vida sem grandes aventuras, que não as teve um homem tímido e sensível como ele foi.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em 1876 — nascimento, a 29 de Outubro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
EM 1930 — morte, em Faro, a 2 de Junho.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A existência do poeta decorre assim, entre estes dois pontos no tempo; e entre estes dois sítios: a sua vila natal e a cidade em que exerceu várias funções.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Filho de jornalista, republicano desde a infância, assim se pode dizer, como também do mesmo modo se pode afirmar que foi poeta, quando descobriu a veia, por volta dos nove anos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Quiseram destiná-lo à vida comercial. Experimentou a de farmacêutico, em S. Brás e em Lisboa, onde aliás fez os respetivos preparatórios. Mas a vida comercial não o seduziu.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Foi solicitador na sua vila natal; e também aqui escrivão do juízo de paz.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Com o advento da República, no começo do mês em que completava 34 anos, foi nomeado administrador do concelho e comissário de polícia de Faro, por inerência de cargo, bem entendido.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Mais tarde conseguiram os amigos convencê-lo a estabilizar-se nas funções de Secretário da Câmara de Faro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Nesta cidade deu lições, gratuitamente, claro, no Centro Republicano. Em Faro escreveu em jornais. Em Faro, com outro amador jornalista, António Santos, funda &amp;quot;O Correio do Sul&amp;quot; (1 de Fevereiro de 1920).&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estas, algumas, as mais significativas atividades do homem e do cidadão. Porque a grande aventura de Bernardo de Passos é evidentemente a obra poética. Não muito extensa, em autor tão Auto exigente, como foi. Meia dúzia de títulos, apenas, no total.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;ADEUS&amp;quot; — 1902; &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; — 1907; &amp;quot;PORTU-GAL NA CRUZ&amp;quot; — 1909; &amp;quot;BANDEIRA DA REPÚBLICA&amp;quot; — 1913. E mais: &amp;quot;A ÁRVORE E O NINHO&amp;quot; — 1931; e &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; — 1936, postumamente publicados, mas organizados pelo autor.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O volume de poesias dispersas, que fora anunciado será o que corresponderia às tais já referidas composições &amp;quot;muito antigas&amp;quot; e outras que em seus rascunhos aparecem e agora se incluem nesta publicação.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 2&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A obra de '''Bernardo de Passos''' é toda ela de expressão lírica. O que o poeta escreveu é reflexo da sua vida interior, o espelho de uma sensibilidade e de uma consciência. Do seu amor ao Belo, da sua ternura pelo fraco, pelo desvalido, pelo pobre, pelo desamparado.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Deste modo, a bondade, a ternura, a delicadeza, a timidez, o sorriso, são as notas dominantes do seu lirismo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Acrescentem-se-lhes as notas de patriotismo sentimental e o inevitável pendor saudosista de todo o português que se preza, seja poeta ou não.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Logo no primeiro livro, &amp;quot;ADEUS&amp;quot;, de 1902, publicado dois anos depois da morte de António Nobre, autor do &amp;quot;Só&amp;quot;, e num tempo em que a pessoa de Junqueiro e a sua poesia marcam, entre nós, o clima de sensibilidade, os temas desenvolvidos, melhor dizendo inspiradores, são, no nosso poeta, além do &amp;quot;Adeus&amp;quot; do título, o desencanto, a dúvida, o &amp;quot;spleen&amp;quot;, a doçura do pranto, as ruínas, o inverno, a dor inútil, o apelo e a presença do sorriso, como palavras mais vezes presentes.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Aliás estas são as que servem de título a vários dos poemas do volume inicial. E revelam insofismavelmente, sem necessidade de aprofundamentos psicológicos difíceis, uma sensibilidade, dominada por uma melancolia saudosista, sem rebuscar formas de expressão.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;quot;O GRÃO DE TRIGO&amp;quot; (Versos à Natureza e à Vida) sugere-nos a ideia de uma como que retificação ou reconciliação com a vida e consequentemente uma espécie de libertação dos domínios da tristeza.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A Natureza e a Vida tomam, neste algarvio típico, a lógica posição de primeiro lugar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 3&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra nota característica, já anteriormente enunciada é a de insatisfação do artista. Melhorar formalmente um poema parece ser uma constante preocupação do artista.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
No &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; está, por exemplo, um poema com o título &amp;quot;A Árvore e o Ninho&amp;quot;. São dezasseis quadras. Ora,.com quarenta e cinco prepara o voluminho saído em 31, póstumo com o mesmo título.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O poema &amp;quot;Sermão da Montanha&amp;quot; (&amp;quot;Grão de Trigo&amp;quot;) vai aparecer em versão corrigida e aumentada e melhorada no volume &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; (1936).&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E outros exemplos se poderiam dar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estes bastam, no entanto, apenas como possível chamar de atenção para uma faceta que nos parece fundamental da obra de Bernardo de Passos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E, mais ou menos comum a todos os artistas, que como este, não desdenham os caminhos da perfeição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O leitor curioso, porém, descobrirá por si as riquezas destes poemas, que, a partir de agora, ficam mais à sua disposição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In: &amp;quot;A Obra Poética de Bernardo de Passos&amp;quot; p. 7 e 8&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Para saber mais sobre Bernardo de Passos''':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
1. Artigo de '''Joaquim Magalhães''' sobre '''Bernardo Passos''' no jornal ''Noticias de S. Braz'':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://hemeroteca.ualg.pt/resources/PDF/Noticias_SBraz_1976-10-29_0000.pdf&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo de - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - capa.jpg|271px]]   [[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
*Alguns poemas do livro ''A Obra poética de Bernardo Passos'': &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. '''SAUDADES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saudades de amor, são penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que nascem do coração…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E como as penas das aves,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quantas mais, mais brandas são!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu coração fez um ninho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como o das aves perfeito,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Juntando todas as penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De que ele me encheu o peito…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E nesse ninho, a sonhar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dorme, assim, horas serenas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme um passarinho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o seu ninho de penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2. '''REGRESSO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! Ave-marias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Teu crepúsculo de oiro até parece&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que me canta e me embala e me adormece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A florir a amargura dos meus dias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como a urze das tuas serranias,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Poeta aqui nasci, sem que o soubesse,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aqui, - visão de estrelas e de prece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vi meu primeiro amor, quando me vias!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! – Anoiteceu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o meu coração como um ninho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Estendes a asa de oiro do teu céu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ele dorme e sorri, - o abandonado!-&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme e sorri um passarinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sob a asa da mãe agasalhado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P.176&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3. '''MEU PAI'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto a chuva cai e o vento grita&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
No silêncio do noite escura e fria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Evoco o tempo em que velhinho o via&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto a lareira que ora aqui trepita.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por esta casa que a Saudade habita,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tão erma como a noite mais sombria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda vitro a trémula harmonia,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
O eco triste d'essa voz bendita...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E sonho tê-lo, como então, ao lado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto do lume antigo, aqui sentado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com o seu ar de santa em doce preces...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E desta solidão já me inebrio...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ai! ver o Lar e achá-lo assim vazio&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem sempre tão cheio ele parece!...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P. 41&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4. '''MINHA ALDEIA'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
''Visão Antiga''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dormita a aldeia ao longo da verdura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E em torno. as fontes vão cantando às mároas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim tranauila, caiadinha e pura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Parece um cisne de brilhante alvura.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sonhando auieto no frescor das águas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bate-lhe em cheio a lua opalescente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Numa visão estranha de balada..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Oue paz augusta, elísia, ridente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Paira sobre ela, a pálida dormente.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aue festim de luz imaculada!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vêu de prata que lhe tece a lua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aranha cuia teia é o luar lindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Recorda fina gaze que flutua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre uma criança alva, toda nua,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em berço d'oiro a dormitar, sorrindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um solitário cão, de quando em quando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Đá um latido prolongado, insonte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Algum lebréu a suspirar, sonhando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre nevadas palhas dormitando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto à cabana, de vigia ao monte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(...)&lt;br /&gt;
(p. 59)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5.'''CANTARES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Para a sua boca)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tens frescores da manha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Na tua boca pequena..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
São dois bagos de romā&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios, morena!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À vista da tua boca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Rosa vermelha entreabrindo&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu sinto-me abelha louca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para os teus lábios fugindo ...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São um botão entreaberto&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios sem par,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que as borboletas, por certo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vão iludidas beijar!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tua boca é notada,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre as das mais raparigas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como a papoila encarnada&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre o oiro das espigas...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É taça cheia de amor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Essa boca graciosa...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda sinto o sabor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dos teus beijos cor de rosa!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(...)&lt;br /&gt;
P.70&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In '''''A obra poética de Bernardo de Passos''''', Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, 1983 &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:Mural_bernardoPassos.jpg&amp;diff=63161</id>
		<title>File:Mural bernardoPassos.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:Mural_bernardoPassos.jpg&amp;diff=63161"/>
				<updated>2025-12-10T13:31:58Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63160</id>
		<title>Passos, Bernardo - A Obra Poética de Bernardo de Passos</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63160"/>
				<updated>2025-12-10T13:21:24Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo de - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - capa.jpg|271px]]   [[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Bernardo de Passos''' (1876–1930)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
  Poeta e jornalista de São Brás de Alportel, muito ligado ao movimento republicano e à poesia de inspiração social e regional. Formou-se em Direito em Coimbra, onde conviveu com figuras ligadas ao ideal republicano e à Geração de 90. Depois regressou ao Algarve, onde se destacou pela sua poesia social, cívica e profundamente humana.&amp;lt;br /&amp;gt;A sua casa natal, em São Brás de Alportel, é hoje Casa-Museu Bernardo de Passos, centro de preservação da sua memória literária e cívica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 O texto que se segue, o '''prefácio  de Joaquim Magalhães''' à &amp;quot;Obra Poética de Bernardo Passos&amp;quot;  apresenta o poeta como um homem tímido, sensível e de vida discreta. A sua obra poética, embora breve, revela um lirismo marcado pela sensibilidade, bondade, ternura e patriotismo sentimental, combina a delicadeza lírica com o amor ao próximo, à natureza e à pátria, tornando-a acessível e ao mesmo tempo rica em sensibilidade, convidando o leitor a descobrir pessoalmente as nuances e riquezas dos seus poemas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''PALAVRAS DE INTRODUÇÃO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 1&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas datas assinalam naturalmente a vida de '''Bernardo de Passos'''. Uma vida sem grandes aventuras, que não as teve um homem tímido e sensível como ele foi.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em 1876 — nascimento, a 29 de Outubro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
EM 1930 — morte, em Faro, a 2 de Junho.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A existência do poeta decorre assim, entre estes dois pontos no tempo; e entre estes dois sítios: a sua vila natal e a cidade em que exerceu várias funções.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Filho de jornalista, republicano desde a infância, assim se pode dizer, como também do mesmo modo se pode afirmar que foi poeta, quando descobriu a veia, por volta dos nove anos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Quiseram destiná-lo à vida comercial. Experimentou a de farmacêutico, em S. Brás e em Lisboa, onde aliás fez os respetivos preparatórios. Mas a vida comercial não o seduziu.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Foi solicitador na sua vila natal; e também aqui escrivão do juízo de paz.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Com o advento da República, no começo do mês em que completava 34 anos, foi nomeado administrador do concelho e comissário de polícia de Faro, por inerência de cargo, bem entendido.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Mais tarde conseguiram os amigos convencê-lo a estabilizar-se nas funções de Secretário da Câmara de Faro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Nesta cidade deu lições, gratuitamente, claro, no Centro Republicano. Em Faro escreveu em jornais. Em Faro, com outro amador jornalista, António Santos, funda &amp;quot;O Correio do Sul&amp;quot; (1 de Fevereiro de 1920).&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estas, algumas, as mais significativas atividades do homem e do cidadão. Porque a grande aventura de Bernardo de Passos é evidentemente a obra poética. Não muito extensa, em autor tão Auto exigente, como foi. Meia dúzia de títulos, apenas, no total.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;ADEUS&amp;quot; — 1902; &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; — 1907; &amp;quot;PORTU-GAL NA CRUZ&amp;quot; — 1909; &amp;quot;BANDEIRA DA REPÚBLICA&amp;quot; — 1913. E mais: &amp;quot;A ÁRVORE E O NINHO&amp;quot; — 1931; e &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; — 1936, postumamente publicados, mas organizados pelo autor.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O volume de poesias dispersas, que fora anunciado será o que corresponderia às tais já referidas composições &amp;quot;muito antigas&amp;quot; e outras que em seus rascunhos aparecem e agora se incluem nesta publicação.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 2&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A obra de '''Bernardo de Passos''' é toda ela de expressão lírica. O que o poeta escreveu é reflexo da sua vida interior, o espelho de uma sensibilidade e de uma consciência. Do seu amor ao Belo, da sua ternura pelo fraco, pelo desvalido, pelo pobre, pelo desamparado.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Deste modo, a bondade, a ternura, a delicadeza, a timidez, o sorriso, são as notas dominantes do seu lirismo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Acrescentem-se-lhes as notas de patriotismo sentimental e o inevitável pendor saudosista de todo o português que se preza, seja poeta ou não.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Logo no primeiro livro, &amp;quot;ADEUS&amp;quot;, de 1902, publicado dois anos depois da morte de António Nobre, autor do &amp;quot;Só&amp;quot;, e num tempo em que a pessoa de Junqueiro e a sua poesia marcam, entre nós, o clima de sensibilidade, os temas desenvolvidos, melhor dizendo inspiradores, são, no nosso poeta, além do &amp;quot;Adeus&amp;quot; do título, o desencanto, a dúvida, o &amp;quot;spleen&amp;quot;, a doçura do pranto, as ruínas, o inverno, a dor inútil, o apelo e a presença do sorriso, como palavras mais vezes presentes.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Aliás estas são as que servem de título a vários dos poemas do volume inicial. E revelam insofismavelmente, sem necessidade de aprofundamentos psicológicos difíceis, uma sensibilidade, dominada por uma melancolia saudosista, sem rebuscar formas de expressão.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;quot;O GRÃO DE TRIGO&amp;quot; (Versos à Natureza e à Vida) sugere-nos a ideia de uma como que retificação ou reconciliação com a vida e consequentemente uma espécie de libertação dos domínios da tristeza.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A Natureza e a Vida tomam, neste algarvio típico, a lógica posição de primeiro lugar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 3&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra nota característica, já anteriormente enunciada é a de insatisfação do artista. Melhorar formalmente um poema parece ser uma constante preocupação do artista.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
No &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; está, por exemplo, um poema com o título &amp;quot;A Árvore e o Ninho&amp;quot;. São dezasseis quadras. Ora,.com quarenta e cinco prepara o voluminho saído em 31, póstumo com o mesmo título.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O poema &amp;quot;Sermão da Montanha&amp;quot; (&amp;quot;Grão de Trigo&amp;quot;) vai aparecer em versão corrigida e aumentada e melhorada no volume &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; (1936).&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E outros exemplos se poderiam dar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estes bastam, no entanto, apenas como possível chamar de atenção para uma faceta que nos parece fundamental da obra de Bernardo de Passos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E, mais ou menos comum a todos os artistas, que como este, não desdenham os caminhos da perfeição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O leitor curioso, porém, descobrirá por si as riquezas destes poemas, que, a partir de agora, ficam mais à sua disposição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In: &amp;quot;A Obra Poética de Bernardo de Passos&amp;quot; p. 7 e 8&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Para saber mais sobre Bernardo de Passos''':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
1. Artigo de '''Joaquim Magalhães''' sobre '''Bernardo Passos''' no jornal ''Noticias de S. Braz'':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://hemeroteca.ualg.pt/resources/PDF/Noticias_SBraz_1976-10-29_0000.pdf&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Alguns poemas do livro ''A Obra poética de Bernardo Passos'': &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. '''SAUDADES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saudades de amor, são penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que nascem do coração…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E como as penas das aves,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quantas mais, mais brandas são!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu coração fez um ninho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como o das aves perfeito,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Juntando todas as penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De que ele me encheu o peito…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E nesse ninho, a sonhar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dorme, assim, horas serenas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme um passarinho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o seu ninho de penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2. '''REGRESSO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! Ave-marias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Teu crepúsculo de oiro até parece&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que me canta e me embala e me adormece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A florir a amargura dos meus dias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como a urze das tuas serranias,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Poeta aqui nasci, sem que o soubesse,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aqui, - visão de estrelas e de prece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vi meu primeiro amor, quando me vias!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! – Anoiteceu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o meu coração como um ninho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Estendes a asa de oiro do teu céu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ele dorme e sorri, - o abandonado!-&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme e sorri um passarinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sob a asa da mãe agasalhado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P.176&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3. '''MEU PAI'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto a chuva cai e o vento grita&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
No silêncio do noite escura e fria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Evoco o tempo em que velhinho o via&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto a lareira que ora aqui trepita.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por esta casa que a Saudade habita,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tão erma como a noite mais sombria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda vitro a trémula harmonia,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
O eco triste d'essa voz bendita...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E sonho tê-lo, como então, ao lado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto do lume antigo, aqui sentado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com o seu ar de santa em doce preces...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E desta solidão já me inebrio...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ai! ver o Lar e achá-lo assim vazio&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem sempre tão cheio ele parece!...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P. 41&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4. '''MINHA ALDEIA'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
''Visão Antiga''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dormita a aldeia ao longo da verdura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E em torno. as fontes vão cantando às mároas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim tranauila, caiadinha e pura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Parece um cisne de brilhante alvura.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sonhando auieto no frescor das águas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bate-lhe em cheio a lua opalescente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Numa visão estranha de balada..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Oue paz augusta, elísia, ridente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Paira sobre ela, a pálida dormente.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aue festim de luz imaculada!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vêu de prata que lhe tece a lua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aranha cuia teia é o luar lindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Recorda fina gaze que flutua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre uma criança alva, toda nua,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em berço d'oiro a dormitar, sorrindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um solitário cão, de quando em quando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Đá um latido prolongado, insonte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Algum lebréu a suspirar, sonhando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre nevadas palhas dormitando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto à cabana, de vigia ao monte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(...)&lt;br /&gt;
(p. 59)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5.'''CANTARES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Para a sua boca)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tens frescores da manha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Na tua boca pequena..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
São dois bagos de romā&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios, morena!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À vista da tua boca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Rosa vermelha entreabrindo&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu sinto-me abelha louca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para os teus lábios fugindo ...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São um botão entreaberto&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios sem par,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que as borboletas, por certo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vão iludidas beijar!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tua boca é notada,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre as das mais raparigas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como a papoila encarnada&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre o oiro das espigas...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É taça cheia de amor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Essa boca graciosa...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda sinto o sabor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dos teus beijos cor de rosa!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(...)&lt;br /&gt;
P.70&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In '''''A obra poética de Bernardo de Passos''''', Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, 1983 &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63159</id>
		<title>Passos, Bernardo - A Obra Poética de Bernardo de Passos</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63159"/>
				<updated>2025-12-10T13:11:50Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo de - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - capa.jpg|271px]]   [[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Bernardo de Passos''' (1876–1930)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
  Poeta e jornalista de São Brás de Alportel, muito ligado ao movimento republicano e à poesia de inspiração social e regional. Formou-se em Direito em Coimbra, onde conviveu com figuras ligadas ao ideal republicano e à Geração de 90. Depois regressou ao Algarve, onde se destacou pela sua poesia social, cívica e profundamente humana.&amp;lt;br /&amp;gt;A sua casa natal, em São Brás de Alportel, é hoje Casa-Museu Bernardo de Passos, centro de preservação da sua memória literária e cívica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 O texto que se segue, o prefácio  de '''Joaquim Magalhães''' à &amp;quot;Obra Poética de Bernardo Passos&amp;quot;  apresenta o poeta como um homem tímido, sensível e de vida discreta. A sua obra poética, embora breve, revela um lirismo marcado pela sensibilidade, bondade, ternura e patriotismo sentimental, combina a delicadeza lírica com o amor ao próximo, à natureza e à pátria, tornando-a acessível e ao mesmo tempo rica em sensibilidade, convidando o leitor a descobrir pessoalmente as nuances e riquezas dos seus poemas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''PALAVRAS DE INTRODUÇÃO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 1&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas datas assinalam naturalmente a vida de '''Bernardo de Passos'''. Uma vida sem grandes aventuras, que não as teve um homem tímido e sensível como ele foi.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em 1876 — nascimento, a 29 de Outubro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
EM 1930 — morte, em Faro, a 2 de Junho.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A existência do poeta decorre assim, entre estes dois pontos no tempo; e entre estes dois sítios: a sua vila natal e a cidade em que exerceu várias funções.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Filho de jornalista, republicano desde a infância, assim se pode dizer, como também do mesmo modo se pode afirmar que foi poeta, quando descobriu a veia, por volta dos nove anos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Quiseram destiná-lo à vida comercial. Experimentou a de farmacêutico, em S. Brás e em Lisboa, onde aliás fez os respetivos preparatórios. Mas a vida comercial não o seduziu.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Foi solicitador na sua vila natal; e também aqui escrivão do juízo de paz.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Com o advento da República, no começo do mês em que completava 34 anos, foi nomeado administrador do concelho e comissário de polícia de Faro, por inerência de cargo, bem entendido.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Mais tarde conseguiram os amigos convencê-lo a estabilizar-se nas funções de Secretário da Câmara de Faro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Nesta cidade deu lições, gratuitamente, claro, no Centro Republicano. Em Faro escreveu em jornais. Em Faro, com outro amador jornalista, António Santos, funda &amp;quot;O Correio do Sul&amp;quot; (1 de Fevereiro de 1920).&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estas, algumas, as mais significativas atividades do homem e do cidadão. Porque a grande aventura de Bernardo de Passos é evidentemente a obra poética. Não muito extensa, em autor tão Auto exigente, como foi. Meia dúzia de títulos, apenas, no total.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;ADEUS&amp;quot; — 1902; &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; — 1907; &amp;quot;PORTU-GAL NA CRUZ&amp;quot; — 1909; &amp;quot;BANDEIRA DA REPÚBLICA&amp;quot; — 1913. E mais: &amp;quot;A ÁRVORE E O NINHO&amp;quot; — 1931; e &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; — 1936, postumamente publicados, mas organizados pelo autor.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O volume de poesias dispersas, que fora anunciado será o que corresponderia às tais já referidas composições &amp;quot;muito antigas&amp;quot; e outras que em seus rascunhos aparecem e agora se incluem nesta publicação.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 2&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A obra de '''Bernardo de Passos''' é toda ela de expressão lírica. O que o poeta escreveu é reflexo da sua vida interior, o espelho de uma sensibilidade e de uma consciência. Do seu amor ao Belo, da sua ternura pelo fraco, pelo desvalido, pelo pobre, pelo desamparado.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Deste modo, a bondade, a ternura, a delicadeza, a timidez, o sorriso, são as notas dominantes do seu lirismo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Acrescentem-se-lhes as notas de patriotismo sentimental e o inevitável pendor saudosista de todo o português que se preza, seja poeta ou não.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Logo no primeiro livro, &amp;quot;ADEUS&amp;quot;, de 1902, publicado dois anos depois da morte de António Nobre, autor do &amp;quot;Só&amp;quot;, e num tempo em que a pessoa de Junqueiro e a sua poesia marcam, entre nós, o clima de sensibilidade, os temas desenvolvidos, melhor dizendo inspiradores, são, no nosso poeta, além do &amp;quot;Adeus&amp;quot; do título, o desencanto, a dúvida, o &amp;quot;spleen&amp;quot;, a doçura do pranto, as ruínas, o inverno, a dor inútil, o apelo e a presença do sorriso, como palavras mais vezes presentes.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Aliás estas são as que servem de título a vários dos poemas do volume inicial. E revelam insofismavelmente, sem necessidade de aprofundamentos psicológicos difíceis, uma sensibilidade, dominada por uma melancolia saudosista, sem rebuscar formas de expressão.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;quot;O GRÃO DE TRIGO&amp;quot; (Versos à Natureza e à Vida) sugere-nos a ideia de uma como que retificação ou reconciliação com a vida e consequentemente uma espécie de libertação dos domínios da tristeza.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A Natureza e a Vida tomam, neste algarvio típico, a lógica posição de primeiro lugar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 3&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra nota característica, já anteriormente enunciada é a de insatisfação do artista. Melhorar formalmente um poema parece ser uma constante preocupação do artista.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
No &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; está, por exemplo, um poema com o título &amp;quot;A Árvore e o Ninho&amp;quot;. São dezasseis quadras. Ora,.com quarenta e cinco prepara o voluminho saído em 31, póstumo com o mesmo título.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O poema &amp;quot;Sermão da Montanha&amp;quot; (&amp;quot;Grão de Trigo&amp;quot;) vai aparecer em versão corrigida e aumentada e melhorada no volume &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; (1936).&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E outros exemplos se poderiam dar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estes bastam, no entanto, apenas como possível chamar de atenção para uma faceta que nos parece fundamental da obra de Bernardo de Passos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E, mais ou menos comum a todos os artistas, que como este, não desdenham os caminhos da perfeição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O leitor curioso, porém, descobrirá por si as riquezas destes poemas, que, a partir de agora, ficam mais à sua disposição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In: &amp;quot;A Obra Poética de Bernardo de Passos&amp;quot; p. 7 e 8&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Para saber mais sobre Bernardo de Passos''':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
1. Artigo de '''Joaquim Magalhães''' sobre '''Bernardo Passos''' no jornal ''Noticias de S. Braz'':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://hemeroteca.ualg.pt/resources/PDF/Noticias_SBraz_1976-10-29_0000.pdf&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Alguns poemas do livro ''A Obra poética de Bernardo Passos'': &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. '''SAUDADES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saudades de amor, são penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que nascem do coração…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E como as penas das aves,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quantas mais, mais brandas são!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu coração fez um ninho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como o das aves perfeito,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Juntando todas as penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De que ele me encheu o peito…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E nesse ninho, a sonhar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dorme, assim, horas serenas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme um passarinho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o seu ninho de penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2. '''REGRESSO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! Ave-marias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Teu crepúsculo de oiro até parece&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que me canta e me embala e me adormece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A florir a amargura dos meus dias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como a urze das tuas serranias,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Poeta aqui nasci, sem que o soubesse,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aqui, - visão de estrelas e de prece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vi meu primeiro amor, quando me vias!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! – Anoiteceu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o meu coração como um ninho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Estendes a asa de oiro do teu céu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ele dorme e sorri, - o abandonado!-&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme e sorri um passarinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sob a asa da mãe agasalhado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P.176&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3. '''MEU PAI'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto a chuva cai e o vento grita&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
No silêncio do noite escura e fria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Evoco o tempo em que velhinho o via&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto a lareira que ora aqui trepita.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por esta casa que a Saudade habita,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tão erma como a noite mais sombria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda vitro a trémula harmonia,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
O eco triste d'essa voz bendita...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E sonho tê-lo, como então, ao lado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto do lume antigo, aqui sentado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com o seu ar de santa em doce preces...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E desta solidão já me inebrio...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ai! ver o Lar e achá-lo assim vazio&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem sempre tão cheio ele parece!...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P. 41&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4. '''MINHA ALDEIA'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
''Visão Antiga''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dormita a aldeia ao longo da verdura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E em torno. as fontes vão cantando às mároas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim tranauila, caiadinha e pura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Parece um cisne de brilhante alvura.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sonhando auieto no frescor das águas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bate-lhe em cheio a lua opalescente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Numa visão estranha de balada..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Oue paz augusta, elísia, ridente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Paira sobre ela, a pálida dormente.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aue festim de luz imaculada!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vêu de prata que lhe tece a lua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aranha cuia teia é o luar lindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Recorda fina gaze que flutua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre uma criança alva, toda nua,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em berço d'oiro a dormitar, sorrindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um solitário cão, de quando em quando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Đá um latido prolongado, insonte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Algum lebréu a suspirar, sonhando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre nevadas palhas dormitando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto à cabana, de vigia ao monte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(...)&lt;br /&gt;
(p. 59)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5.'''CANTARES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Para a sua boca)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tens frescores da manha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Na tua boca pequena..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
São dois bagos de romā&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios, morena!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À vista da tua boca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Rosa vermelha entreabrindo&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu sinto-me abelha louca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para os teus lábios fugindo ...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São um botão entreaberto&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios sem par,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que as borboletas, por certo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vão iludidas beijar!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tua boca é notada,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre as das mais raparigas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como a papoila encarnada&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre o oiro das espigas...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É taça cheia de amor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Essa boca graciosa...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda sinto o sabor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dos teus beijos cor de rosa!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(...)&lt;br /&gt;
P.70&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In '''''A obra poética de Bernardo de Passos''''', Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, 1983 &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63158</id>
		<title>Passos, Bernardo - A Obra Poética de Bernardo de Passos</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63158"/>
				<updated>2025-12-10T13:10:30Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo de - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - capa.jpg|271px]]   [[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Bernardo de Passos''' (1876–1930)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
  Poeta e jornalista de São Brás de Alportel, muito ligado ao movimento republicano e à poesia de inspiração social e regional. Formou-se em Direito em Coimbra, onde conviveu com figuras ligadas ao ideal republicano e à Geração de 90. Depois regressou ao Algarve, onde se destacou pela sua poesia social, cívica e profundamente humana.&amp;lt;br /&amp;gt;A sua casa natal, em São Brás de Alportel, é hoje Casa-Museu Bernardo de Passos, centro de preservação da sua memória literária e cívica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 O texto que se segue, o prefácio  de '''Joaquim Magalhães''' à &amp;quot;Obra Poética de Bernardo Passos&amp;quot;  apresenta o poeta como um homem tímido, sensível e de vida discreta. A sua obra poética, embora breve, revela um lirismo marcado pela sensibilidade, bondade, ternura e patriotismo sentimental, combina a delicadeza lírica com o amor ao próximo, à natureza e à pátria, tornando-a acessível e ao mesmo tempo rica em sensibilidade, convidando o leitor a descobrir pessoalmente as nuances e riquezas dos seus poemas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''PALAVRAS DE INTRODUÇÃO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 1&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas datas assinalam naturalmente a vida de '''Bernardo de Passos'''. Uma vida sem grandes aventuras, que não as teve um homem tímido e sensível como ele foi.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em 1876 — nascimento, a 29 de Outubro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
EM 1930 — morte, em Faro, a 2 de Junho.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A existência do poeta decorre assim, entre estes dois pontos no tempo; e entre estes dois sítios: a sua vila natal e a cidade em que exerceu várias funções.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Filho de jornalista, republicano desde a infância, assim se pode dizer, como também do mesmo modo se pode afirmar que foi poeta, quando descobriu a veia, por volta dos nove anos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Quiseram destiná-lo à vida comercial. Experimentou a de farmacêutico, em S. Brás e em Lisboa, onde aliás fez os respetivos preparatórios. Mas a vida comercial não o seduziu.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Foi solicitador na sua vila natal; e também aqui escrivão do juízo de paz.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Com o advento da República, no começo do mês em que completava 34 anos, foi nomeado administrador do concelho e comissário de polícia de Faro, por inerência de cargo, bem entendido.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Mais tarde conseguiram os amigos convencê-lo a estabilizar-se nas funções de Secretário da Câmara de Faro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Nesta cidade deu lições, gratuitamente, claro, no Centro Republicano. Em Faro escreveu em jornais. Em Faro, com outro amador jornalista, António Santos, funda &amp;quot;O Correio do Sul&amp;quot; (1 de Fevereiro de 1920).&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estas, algumas, as mais significativas atividades do homem e do cidadão. Porque a grande aventura de Bernardo de Passos é evidentemente a obra poética. Não muito extensa, em autor tão Auto exigente, como foi. Meia dúzia de títulos, apenas, no total.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;ADEUS&amp;quot; — 1902; &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; — 1907; &amp;quot;PORTU-GAL NA CRUZ&amp;quot; — 1909; &amp;quot;BANDEIRA DA REPÚBLICA&amp;quot; — 1913. E mais: &amp;quot;A ÁRVORE E O NINHO&amp;quot; — 1931; e &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; — 1936, postumamente publicados, mas organizados pelo autor.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O volume de poesias dispersas, que fora anunciado será o que corresponderia às tais já referidas composições &amp;quot;muito antigas&amp;quot; e outras que em seus rascunhos aparecem e agora se incluem nesta publicação.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 2&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A obra de '''Bernardo de Passos''' é toda ela de expressão lírica. O que o poeta escreveu é reflexo da sua vida interior, o espelho de uma sensibilidade e de uma consciência. Do seu amor ao Belo, da sua ternura pelo fraco, pelo desvalido, pelo pobre, pelo desamparado.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Deste modo, a bondade, a ternura, a delicadeza, a timidez, o sorriso, são as notas dominantes do seu lirismo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Acrescentem-se-lhes as notas de patriotismo sentimental e o inevitável pendor saudosista de todo o português que se preza, seja poeta ou não.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Logo no primeiro livro, &amp;quot;ADEUS&amp;quot;, de 1902, publicado dois anos depois da morte de António Nobre, autor do &amp;quot;Só&amp;quot;, e num tempo em que a pessoa de Junqueiro e a sua poesia marcam, entre nós, o clima de sensibilidade, os temas desenvolvidos, melhor dizendo inspiradores, são, no nosso poeta, além do &amp;quot;Adeus&amp;quot; do título, o desencanto, a dúvida, o &amp;quot;spleen&amp;quot;, a doçura do pranto, as ruínas, o inverno, a dor inútil, o apelo e a presença do sorriso, como palavras mais vezes presentes.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Aliás estas são as que servem de título a vários dos poemas do volume inicial. E revelam insofismavelmente, sem necessidade de aprofundamentos psicológicos difíceis, uma sensibilidade, dominada por uma melancolia saudosista, sem rebuscar formas de expressão.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;quot;O GRÃO DE TRIGO&amp;quot; (Versos à Natureza e à Vida) sugere-nos a ideia de uma como que retificação ou reconciliação com a vida e consequentemente uma espécie de libertação dos domínios da tristeza.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A Natureza e a Vida tomam, neste algarvio típico, a lógica posição de primeiro lugar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 3&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra nota característica, já anteriormente enunciada é a de insatisfação do artista. Melhorar formalmente um poema parece ser uma constante preocupação do artista.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
No &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; está, por exemplo, um poema com o título &amp;quot;A Árvore e o Ninho&amp;quot;. São dezasseis quadras. Ora,.com quarenta e cinco prepara o voluminho saído em 31, póstumo com o mesmo título.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O poema &amp;quot;Sermão da Montanha&amp;quot; (&amp;quot;Grão de Trigo&amp;quot;) vai aparecer em versão corrigida e aumentada e melhorada no volume &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; (1936).&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E outros exemplos se poderiam dar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estes bastam, no entanto, apenas como possível chamar de atenção para uma faceta que nos parece fundamental da obra de Bernardo de Passos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E, mais ou menos comum a todos os artistas, que como este, não desdenham os caminhos da perfeição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O leitor curioso, porém, descobrirá por si as riquezas destes poemas, que, a partir de agora, ficam mais à sua disposição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In: &amp;quot;A Obra Poética de Bernardo de Passos&amp;quot; p. 7 e 8&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Para saber mais sobre Bernardo de Passos''':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
1. Artigo de '''Joaquim Magalhães''' sobre '''Bernardo Passos''' no jornal ''Noticias de S. Braz'':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://hemeroteca.ualg.pt/resources/PDF/Noticias_SBraz_1976-10-29_0000.pdf&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Alguns poemas do livro ''A Obra poética de Bernardo Passos'': &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. '''SAUDADES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saudades de amor, são penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que nascem do coração…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E como as penas das aves,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quantas mais, mais brandas são!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu coração fez um ninho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como o das aves perfeito,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Juntando todas as penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De que ele me encheu o peito…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E nesse ninho, a sonhar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dorme, assim, horas serenas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme um passarinho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o seu ninho de penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2. '''REGRESSO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! Ave-marias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Teu crepúsculo de oiro até parece&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que me canta e me embala e me adormece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A florir a amargura dos meus dias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como a urze das tuas serranias,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Poeta aqui nasci, sem que o soubesse,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aqui, - visão de estrelas e de prece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vi meu primeiro amor, quando me vias!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! – Anoiteceu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o meu coração como um ninho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Estendes a asa de oiro do teu céu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ele dorme e sorri, - o abandonado!-&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme e sorri um passarinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sob a asa da mãe agasalhado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P.176&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3. '''MEU PAI'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto a chuva cai e o vento grita&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
No silêncio do noite escura e fria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Evoco o tempo em que velhinho o via&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto a lareira que ora aqui trepita.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por esta casa que a Saudade habita,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tão erma como a noite mais sombria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda vitro a trémula harmonia,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
O eco triste d'essa voz bendita...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E sonho tê-lo, como então, ao lado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto do lume antigo, aqui sentado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com o seu ar de santa em doce preces...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E desta solidão já me inebrio...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ai! ver o Lar e achá-lo assim vazio&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem sempre tão cheio ele parece!...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P. 41&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4. '''MINHA ALDEIA'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
''Visão Antiga''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dormita a aldeia ao longo da verdura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E em torno. as fontes vão cantando às mároas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim tranauila, caiadinha e pura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Parece um cisne de brilhante alvura.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sonhando auieto no frescor das águas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bate-lhe em cheio a lua opalescente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Numa visão estranha de balada..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Oue paz augusta, elísia, ridente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Paira sobre ela, a pálida dormente.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aue festim de luz imaculada!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vêu de prata que lhe tece a lua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aranha cuia teia é o luar lindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Recorda fina gaze que flutua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre uma criança alva, toda nua,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em berço d'oiro a dormitar, sorrindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um solitário cão, de quando em quando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Đá um latido prolongado, insonte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Algum lebréu a suspirar, sonhando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre nevadas palhas dormitando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto à cabana, de vigia ao monte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(...)&lt;br /&gt;
(p. 59)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5.'''CANTARES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Para a sua boca)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tens frescores da manha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Na tua boca pequena..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
São dois bagos de romā&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios, morena!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À vista da tua boca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Rosa vermelha entreabrindo&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu sinto-me abelha louca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para os teus lábios fugindo ...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São um botão entreaberto&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios sem par,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que as borboletas, por certo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vão iludidas beijar!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tua boca é notada,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre as das mais raparigas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como a papoila encarnada&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre o oiro das espigas...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É taça cheia de amor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Essa boca graciosa...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda sinto o sabor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dos teus beijos cor de rosa!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(...)&lt;br /&gt;
P.70&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In '''''A obra poética de Bernardo de Passos''''', Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, 1983 &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In:http://diversidadesquecidas.blogspot.com/2010/12/bernardo-de-passos-poeta-algarvio.html&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63157</id>
		<title>Passos, Bernardo - A Obra Poética de Bernardo de Passos</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63157"/>
				<updated>2025-12-10T13:04:17Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo de - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - capa.jpg|271px]]   [[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Bernardo de Passos''' (1876–1930)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
  Poeta e jornalista de São Brás de Alportel, muito ligado ao movimento republicano e à poesia de inspiração social e regional. Formou-se em Direito em Coimbra, onde conviveu com figuras ligadas ao ideal republicano e à Geração de 90. Depois regressou ao Algarve, onde se destacou pela sua poesia social, cívica e profundamente humana.&amp;lt;br /&amp;gt;A sua casa natal, em São Brás de Alportel, é hoje Casa-Museu Bernardo de Passos, centro de preservação da sua memória literária e cívica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 O texto que se segue, o prefácio  de '''Joaquim Magalhães''' à &amp;quot;Obra Poética de Bernardo Passos&amp;quot;  apresenta o poeta como um homem tímido, sensível e de vida discreta. A sua obra poética, embora breve, revela um lirismo marcado pela sensibilidade, bondade, ternura e patriotismo sentimental, combina a delicadeza lírica com o amor ao próximo, à natureza e à pátria, tornando-a acessível e ao mesmo tempo rica em sensibilidade, convidando o leitor a descobrir pessoalmente as nuances e riquezas dos seus poemas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''PALAVRAS DE INTRODUÇÃO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 1&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas datas assinalam naturalmente a vida de '''Bernardo de Passos'''. Uma vida sem grandes aventuras, que não as teve um homem tímido e sensível como ele foi.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em 1876 — nascimento, a 29 de Outubro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
EM 1930 — morte, em Faro, a 2 de Junho.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A existência do poeta decorre assim, entre estes dois pontos no tempo; e entre estes dois sítios: a sua vila natal e a cidade em que exerceu várias funções.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Filho de jornalista, republicano desde a infância, assim se pode dizer, como também do mesmo modo se pode afirmar que foi poeta, quando descobriu a veia, por volta dos nove anos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Quiseram destiná-lo à vida comercial. Experimentou a de farmacêutico, em S. Brás e em Lisboa, onde aliás fez os respetivos preparatórios. Mas a vida comercial não o seduziu.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Foi solicitador na sua vila natal; e também aqui escrivão do juízo de paz.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Com o advento da República, no começo do mês em que completava 34 anos, foi nomeado administrador do concelho e comissário de polícia de Faro, por inerência de cargo, bem entendido.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Mais tarde conseguiram os amigos convencê-lo a estabilizar-se nas funções de Secretário da Câmara de Faro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Nesta cidade deu lições, gratuitamente, claro, no Centro Republicano. Em Faro escreveu em jornais. Em Faro, com outro amador jornalista, António Santos, funda &amp;quot;O Correio do Sul&amp;quot; (1 de Fevereiro de 1920).&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estas, algumas, as mais significativas atividades do homem e do cidadão. Porque a grande aventura de Bernardo de Passos é evidentemente a obra poética. Não muito extensa, em autor tão Auto exigente, como foi. Meia dúzia de títulos, apenas, no total.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;ADEUS&amp;quot; — 1902; &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; — 1907; &amp;quot;PORTU-GAL NA CRUZ&amp;quot; — 1909; &amp;quot;BANDEIRA DA REPÚBLICA&amp;quot; — 1913. E mais: &amp;quot;A ÁRVORE E O NINHO&amp;quot; — 1931; e &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; — 1936, postumamente publicados, mas organizados pelo autor.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O volume de poesias dispersas, que fora anunciado será o que corresponderia às tais já referidas composições &amp;quot;muito antigas&amp;quot; e outras que em seus rascunhos aparecem e agora se incluem nesta publicação.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 2&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A obra de '''Bernardo de Passos''' é toda ela de expressão lírica. O que o poeta escreveu é reflexo da sua vida interior, o espelho de uma sensibilidade e de uma consciência. Do seu amor ao Belo, da sua ternura pelo fraco, pelo desvalido, pelo pobre, pelo desamparado.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Deste modo, a bondade, a ternura, a delicadeza, a timidez, o sorriso, são as notas dominantes do seu lirismo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Acrescentem-se-lhes as notas de patriotismo sentimental e o inevitável pendor saudosista de todo o português que se preza, seja poeta ou não.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Logo no primeiro livro, &amp;quot;ADEUS&amp;quot;, de 1902, publicado dois anos depois da morte de António Nobre, autor do &amp;quot;Só&amp;quot;, e num tempo em que a pessoa de Junqueiro e a sua poesia marcam, entre nós, o clima de sensibilidade, os temas desenvolvidos, melhor dizendo inspiradores, são, no nosso poeta, além do &amp;quot;Adeus&amp;quot; do título, o desencanto, a dúvida, o &amp;quot;spleen&amp;quot;, a doçura do pranto, as ruínas, o inverno, a dor inútil, o apelo e a presença do sorriso, como palavras mais vezes presentes.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Aliás estas são as que servem de título a vários dos poemas do volume inicial. E revelam insofismavelmente, sem necessidade de aprofundamentos psicológicos difíceis, uma sensibilidade, dominada por uma melancolia saudosista, sem rebuscar formas de expressão.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;quot;O GRÃO DE TRIGO&amp;quot; (Versos à Natureza e à Vida) sugere-nos a ideia de uma como que retificação ou reconciliação com a vida e consequentemente uma espécie de libertação dos domínios da tristeza.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A Natureza e a Vida tomam, neste algarvio típico, a lógica posição de primeiro lugar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 3&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra nota característica, já anteriormente enunciada é a de insatisfação do artista. Melhorar formalmente um poema parece ser uma constante preocupação do artista.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
No &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; está, por exemplo, um poema com o título &amp;quot;A Árvore e o Ninho&amp;quot;. São dezasseis quadras. Ora,.com quarenta e cinco prepara o voluminho saído em 31, póstumo com o mesmo título.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O poema &amp;quot;Sermão da Montanha&amp;quot; (&amp;quot;Grão de Trigo&amp;quot;) vai aparecer em versão corrigida e aumentada e melhorada no volume &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; (1936).&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E outros exemplos se poderiam dar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estes bastam, no entanto, apenas como possível chamar de atenção para uma faceta que nos parece fundamental da obra de Bernardo de Passos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E, mais ou menos comum a todos os artistas, que como este, não desdenham os caminhos da perfeição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O leitor curioso, porém, descobrirá por si as riquezas destes poemas, que, a partir de agora, ficam mais à sua disposição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In: &amp;quot;A Obra Poética de Bernardo de Passos&amp;quot; p. 7 e 8&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Para saber mais sobre Bernardo de Passos''':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
1. Artigo de '''Joaquim Magalhães''' sobre '''Bernardo Passos''' no jornal ''Noticias de S. Braz'':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://hemeroteca.ualg.pt/resources/PDF/Noticias_SBraz_1976-10-29_0000.pdf&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Alguns poemas do livro ''A Obra poética de Bernardo Passos'': &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. '''SAUDADES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saudades de amor, são penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que nascem do coração…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E como as penas das aves,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quantas mais, mais brandas são!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu coração fez um ninho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como o das aves perfeito,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Juntando todas as penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De que ele me encheu o peito…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E nesse ninho, a sonhar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dorme, assim, horas serenas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme um passarinho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o seu ninho de penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2. '''REGRESSO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! Ave-marias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Teu crepúsculo de oiro até parece&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que me canta e me embala e me adormece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A florir a amargura dos meus dias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como a urze das tuas serranias,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Poeta aqui nasci, sem que o soubesse,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aqui, - visão de estrelas e de prece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vi meu primeiro amor, quando me vias!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! – Anoiteceu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o meu coração como um ninho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Estendes a asa de oiro do teu céu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ele dorme e sorri, - o abandonado!-&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme e sorri um passarinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sob a asa da mãe agasalhado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P.176&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3. '''MEU PAI'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto a chuva cai e o vento grita&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
No silêncio do noite escura e fria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Evoco o tempo em que velhinho o via&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto a lareira que ora aqui trepita.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por esta casa que a Saudade habita,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tão erma como a noite mais sombria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda vitro a trémula harmonia,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
O eco triste d'essa voz bendita...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E sonho tê-lo, como então, ao lado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto do lume antigo, aqui sentado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com o seu ar de santa em doce preces...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E desta solidão já me inebrio...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ai! ver o Lar e achá-lo assim vazio&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem sempre tão cheio ele parece!...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P. 41&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4. '''MINHA ALDEIA'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
''Visão Antiga''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dormita a aldeia ao longo da verdura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E em torno. as fontes vão cantando às mároas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim tranauila, caiadinha e pura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Parece um cisne de brilhante alvura.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sonhando auieto no frescor das águas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bate-lhe em cheio a lua opalescente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Numa visão estranha de balada..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Oue paz augusta, elísia, ridente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Paira sobre ela, a pálida dormente.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aue festim de luz imaculada!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vêu de prata que lhe tece a lua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aranha cuia teia é o luar lindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Recorda fina gaze que flutua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre uma criança alva, toda nua,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em berço d'oiro a dormitar, sorrindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um solitário cão, de quando em quando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Đá um latido prolongado, insonte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Algum lebréu a suspirar, sonhando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre nevadas palhas dormitando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto à cabana, de vigia ao monte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(...)&lt;br /&gt;
(p. 59)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5.'''CANTARES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Para a sua boca)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tens frescores da manha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Na tua boca pequena..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
São dois bagos de romā&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios, morena!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À vista da tua boca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Rosa vermelha entreabrindo&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu sinto-me abelha louca,&lt;br /&gt;
Para os teus lábios fugindo ...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São um botão entreaberto&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios sem par,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Oue as borboletas, por certo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vão iludidas beijar!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tua boca é notada,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre as das mais raparigas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como a papoila encarnada&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre o oiro das espigas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E taça cheia de amor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Essa boca graciosa&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda sinto o sabor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dos teus beijos cor de ro&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cheira a morangos e rosas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(«Minha Aldeia», in '''''A obra poética de Bernardo de Passos''''', Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, 1983, p. 59)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In:http://diversidadesquecidas.blogspot.com/2010/12/bernardo-de-passos-poeta-algarvio.html&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63156</id>
		<title>Passos, Bernardo - A Obra Poética de Bernardo de Passos</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63156"/>
				<updated>2025-12-10T12:38:24Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo de - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - capa.jpg|271px]]   [[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Bernardo de Passos''' (1876–1930)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
  Poeta e jornalista de São Brás de Alportel, muito ligado ao movimento republicano e à poesia de inspiração social e regional. Formou-se em Direito em Coimbra, onde conviveu com figuras ligadas ao ideal republicano e à Geração de 90. Depois regressou ao Algarve, onde se destacou pela sua poesia social, cívica e profundamente humana.&amp;lt;br /&amp;gt;A sua casa natal, em São Brás de Alportel, é hoje Casa-Museu Bernardo de Passos, centro de preservação da sua memória literária e cívica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 O texto que se segue, o prefácio  de '''Joaquim Magalhães''' à &amp;quot;Obra Poética de Bernardo Passos&amp;quot;  apresenta o poeta como um homem tímido, sensível e de vida discreta. A sua obra poética, embora breve, revela um lirismo marcado pela sensibilidade, bondade, ternura e patriotismo sentimental, combina a delicadeza lírica com o amor ao próximo, à natureza e à pátria, tornando-a acessível e ao mesmo tempo rica em sensibilidade, convidando o leitor a descobrir pessoalmente as nuances e riquezas dos seus poemas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''PALAVRAS DE INTRODUÇÃO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 1&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas datas assinalam naturalmente a vida de '''Bernardo de Passos'''. Uma vida sem grandes aventuras, que não as teve um homem tímido e sensível como ele foi.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em 1876 — nascimento, a 29 de Outubro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
EM 1930 — morte, em Faro, a 2 de Junho.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A existência do poeta decorre assim, entre estes dois pontos no tempo; e entre estes dois sítios: a sua vila natal e a cidade em que exerceu várias funções.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Filho de jornalista, republicano desde a infância, assim se pode dizer, como também do mesmo modo se pode afirmar que foi poeta, quando descobriu a veia, por volta dos nove anos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Quiseram destiná-lo à vida comercial. Experimentou a de farmacêutico, em S. Brás e em Lisboa, onde aliás fez os respetivos preparatórios. Mas a vida comercial não o seduziu.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Foi solicitador na sua vila natal; e também aqui escrivão do juízo de paz.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Com o advento da República, no começo do mês em que completava 34 anos, foi nomeado administrador do concelho e comissário de polícia de Faro, por inerência de cargo, bem entendido.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Mais tarde conseguiram os amigos convencê-lo a estabilizar-se nas funções de Secretário da Câmara de Faro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Nesta cidade deu lições, gratuitamente, claro, no Centro Republicano. Em Faro escreveu em jornais. Em Faro, com outro amador jornalista, António Santos, funda &amp;quot;O Correio do Sul&amp;quot; (1 de Fevereiro de 1920).&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estas, algumas, as mais significativas atividades do homem e do cidadão. Porque a grande aventura de Bernardo de Passos é evidentemente a obra poética. Não muito extensa, em autor tão Auto exigente, como foi. Meia dúzia de títulos, apenas, no total.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;ADEUS&amp;quot; — 1902; &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; — 1907; &amp;quot;PORTU-GAL NA CRUZ&amp;quot; — 1909; &amp;quot;BANDEIRA DA REPÚBLICA&amp;quot; — 1913. E mais: &amp;quot;A ÁRVORE E O NINHO&amp;quot; — 1931; e &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; — 1936, postumamente publicados, mas organizados pelo autor.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O volume de poesias dispersas, que fora anunciado será o que corresponderia às tais já referidas composições &amp;quot;muito antigas&amp;quot; e outras que em seus rascunhos aparecem e agora se incluem nesta publicação.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 2&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A obra de '''Bernardo de Passos''' é toda ela de expressão lírica. O que o poeta escreveu é reflexo da sua vida interior, o espelho de uma sensibilidade e de uma consciência. Do seu amor ao Belo, da sua ternura pelo fraco, pelo desvalido, pelo pobre, pelo desamparado.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Deste modo, a bondade, a ternura, a delicadeza, a timidez, o sorriso, são as notas dominantes do seu lirismo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Acrescentem-se-lhes as notas de patriotismo sentimental e o inevitável pendor saudosista de todo o português que se preza, seja poeta ou não.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Logo no primeiro livro, &amp;quot;ADEUS&amp;quot;, de 1902, publicado dois anos depois da morte de António Nobre, autor do &amp;quot;Só&amp;quot;, e num tempo em que a pessoa de Junqueiro e a sua poesia marcam, entre nós, o clima de sensibilidade, os temas desenvolvidos, melhor dizendo inspiradores, são, no nosso poeta, além do &amp;quot;Adeus&amp;quot; do título, o desencanto, a dúvida, o &amp;quot;spleen&amp;quot;, a doçura do pranto, as ruínas, o inverno, a dor inútil, o apelo e a presença do sorriso, como palavras mais vezes presentes.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Aliás estas são as que servem de título a vários dos poemas do volume inicial. E revelam insofismavelmente, sem necessidade de aprofundamentos psicológicos difíceis, uma sensibilidade, dominada por uma melancolia saudosista, sem rebuscar formas de expressão.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;quot;O GRÃO DE TRIGO&amp;quot; (Versos à Natureza e à Vida) sugere-nos a ideia de uma como que retificação ou reconciliação com a vida e consequentemente uma espécie de libertação dos domínios da tristeza.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A Natureza e a Vida tomam, neste algarvio típico, a lógica posição de primeiro lugar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 3&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra nota característica, já anteriormente enunciada é a de insatisfação do artista. Melhorar formalmente um poema parece ser uma constante preocupação do artista.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
No &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; está, por exemplo, um poema com o título &amp;quot;A Árvore e o Ninho&amp;quot;. São dezasseis quadras. Ora,.com quarenta e cinco prepara o voluminho saído em 31, póstumo com o mesmo título.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O poema &amp;quot;Sermão da Montanha&amp;quot; (&amp;quot;Grão de Trigo&amp;quot;) vai aparecer em versão corrigida e aumentada e melhorada no volume &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; (1936).&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E outros exemplos se poderiam dar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estes bastam, no entanto, apenas como possível chamar de atenção para uma faceta que nos parece fundamental da obra de Bernardo de Passos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E, mais ou menos comum a todos os artistas, que como este, não desdenham os caminhos da perfeição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O leitor curioso, porém, descobrirá por si as riquezas destes poemas, que, a partir de agora, ficam mais à sua disposição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''Joaquim Magalhães''' &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In: &amp;quot;A Obra Poética de Bernardo de Passos&amp;quot; p. 7 e 8&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Para saber mais sobre Bernardo de Passos:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
1. Artigo de Joaquim Magalhães sobre Bernardo Passos no jornal Noticias de S. Braz:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://hemeroteca.ualg.pt/resources/PDF/Noticias_SBraz_1976-10-29_0000.pdf&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Alguns Poemas do livro ''A Obra poética de Bernardo Passos'': &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. '''SAUDADES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saudades de amor, são penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que nascem do coração…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E como as penas das aves,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quantas mais, mais brandas são!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu coração fez um ninho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como o das aves perfeito,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Juntando todas as penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De que ele me encheu o peito…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E nesse ninho, a sonhar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dorme, assim, horas serenas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme um passarinho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o seu ninho de penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2. '''REGRESSO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! Ave-marias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Teu crepúsculo de oiro até parece&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que me canta e me embala e me adormece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A florir a amargura dos meus dias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como a urze das tuas serranias,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Poeta aqui nasci, sem que o soubesse,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aqui, -visão de estrelas e de prece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vi meu primeiro amor, quando me vias!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! –Anoiteceu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o meu coração como um ninho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Estendes a asa de oiro do teu céu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ele dorme e sorri, -o abandonado!-&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme e sorri um passarinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sob a asa da mãe agasalhado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dormita a aldeia ao longo da verdura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E, em torno, as fontes vão cantando às mágoas…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim tranquila, caiadinha e pura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Parece um cisne de brilhante alvura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sonhando quieto no frescor das águas…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(«Minha Aldeia», in '''''A obra poética de Bernardo de Passos''''', Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, 1983, p. 59)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In:http://diversidadesquecidas.blogspot.com/2010/12/bernardo-de-passos-poeta-algarvio.html&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MEUS PAI&lt;br /&gt;
Enquanto a chuva cai e o vento grita&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
No silêncio do noite escura e fria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Evoco o tempo em que velhinho o via&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto a lareira que ora aqui trepita.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por esta casa que a Saudade habita,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tão erma como a noite mais sombria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda vitro a trémula harmonia,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
O eco triste d'essa voz bendita...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E sonho tê-lo, como então, ao lado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto do lume antigo, aqui sentado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com o seu ar de santa em doce preces...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E desta solidão já me inebrio...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ai! ver o Lar e achá-lo assim vazio&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem sempre tão cheio ele parece!...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MINHA ALDEIA&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Visão Antiga&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dormita a aldeia ao longo da verdura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E em torno. as fontes vão cantando às mároas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim tranauila, caiadinha e pura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Parece um cisne de brilhante alvura.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sonhando auieto no frescor das águas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bate-lhe em cheio a lua opalescente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Numa visão estranha de balada..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Oue paz augusta, elísia, ridente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Paira sobre ela, a pálida dormente.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aue festim de luz imaculada!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vêu de prata que lhe tece a lua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aranha cuia teia é o luar lindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Recorda fina gaze que flutua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre uma criança alva, toda nua,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em berço d'oiro a dormitar, sorrindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um solitário cão, de quando em quando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Đá um latido prolongado, insonte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Algum lebrru a suspirar, sonhando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre nevađas palhas dormitando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto à cabana, de vigia ao monte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CANTARES&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Para a sua boca)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tens frescores da manha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Na tua boca pequena..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
São dois bagos de romā&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios, morena!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À vista da tua boca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Rosa vermelha entreabrindo&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu sinto-me abelha louca,&lt;br /&gt;
Para os teus lábios fugindo ...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São um botão entreaberto&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios sem par,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Oue as borboletas, por certo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vão iludidas beijar!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tua boca é notada,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre as das mais raparigas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como a papoila encarnada&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre o oiro das espigas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E taça cheia de amor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Essa boca graciosa&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda sinto o sabor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dos teus beijos cor de ro&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cheira a morangos e rosas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63155</id>
		<title>Passos, Bernardo - A Obra Poética de Bernardo de Passos</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63155"/>
				<updated>2025-12-10T12:27:38Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo de - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - capa.jpg|271px]]   [[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Bernardo de Passos''' (1876–1930)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
  Poeta e jornalista de São Brás de Alportel, muito ligado ao movimento republicano e à poesia de inspiração social e regional. Formou-se em Direito em Coimbra, onde conviveu com figuras ligadas ao ideal republicano e à Geração de 90. Depois regressou ao Algarve, onde se destacou pela sua poesia social, cívica e profundamente humana.&amp;lt;br /&amp;gt;A sua casa natal, em São Brás de Alportel, é hoje Casa-Museu Bernardo de Passos, centro de preservação da sua memória literária e cívica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 O texto que se segue, o prefácio  de '''Joaquim Magalhães''' à &amp;quot;Obra Poética de Bernardo Passos&amp;quot;  apresenta o poeta como um homem tímido, sensível e de vida discreta. A sua obra poética, embora breve, revela um lirismo marcado pela sensibilidade, bondade, ternura e patriotismo sentimental, combina a delicadeza lírica com o amor ao próximo, à natureza e à pátria, tornando-a acessível e ao mesmo tempo rica em sensibilidade, convidando o leitor a descobrir pessoalmente as nuances e riquezas dos seus poemas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''PALAVRAS DE INTRODUÇÃO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 1&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas datas assinalam naturalmente a vida de '''Bernardo de Passos'''. Uma vida sem grandes aventuras, que não as teve um homem tímido e sensível como ele foi.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em 1876 — nascimento, a 29 de Outubro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
EM 1930 — morte, em Faro, a 2 de Junho.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A existência do poeta decorre assim, entre estes dois pontos no tempo; e entre estes dois sítios: a sua vila natal e a cidade em que exerceu várias funções.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Filho de jornalista, republicano desde a infância, assim se pode dizer, como também do mesmo modo se pode afirmar que foi poeta, quando descobriu a veia, por volta dos nove anos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Quiseram destiná-lo à vida comercial. Experimentou a de farmacêutico, em S. Brás e em Lisboa, onde aliás fez os respetivos preparatórios. Mas a vida comercial não o seduziu.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Foi solicitador na sua vila natal; e também aqui escrivão do juízo de paz.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Com o advento da República, no começo do mês em que completava 34 anos, foi nomeado administrador do concelho e comissário de polícia de Faro, por inerência de cargo, bem entendido.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Mais tarde conseguiram os amigos convencê-lo a estabilizar-se nas funções de Secretário da Câmara de Faro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Nesta cidade deu lições, gratuitamente, claro, no Centro Republicano. Em Faro escreveu em jornais. Em Faro, com outro amador jornalista, António Santos, funda &amp;quot;O Correio do Sul&amp;quot; (1 de Fevereiro de 1920).&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estas, algumas, as mais significativas atividades do homem e do cidadão. Porque a grande aventura de Bernardo de Passos é evidentemente a obra poética. Não muito extensa, em autor tão Auto exigente, como foi. Meia dúzia de títulos, apenas, no total.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;ADEUS&amp;quot; — 1902; &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; — 1907; &amp;quot;PORTU-GAL NA CRUZ&amp;quot; — 1909; &amp;quot;BANDEIRA DA REPÚBLICA&amp;quot; — 1913. E mais: &amp;quot;A ÁRVORE E O NINHO&amp;quot; — 1931; e &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; — 1936, postumamente publicados, mas organizados pelo autor.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O volume de poesias dispersas, que fora anunciado será o que corresponderia às tais já referidas composições &amp;quot;muito antigas&amp;quot; e outras que em seus rascunhos aparecem e agora se incluem nesta publicação.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 2&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A obra de '''Bernardo de Passos''' é toda ela de expressão lírica. O que o poeta escreveu é reflexo da sua vida interior, o espelho de uma sensibilidade e de uma consciência. Do seu amor ao Belo, da sua ternura pelo fraco, pelo desvalido, pelo pobre, pelo desamparado.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Deste modo, a bondade, a ternura, a delicadeza, a timidez, o sorriso, são as notas dominantes do seu lirismo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Acrescentem-se-lhes as notas de patriotismo sentimental e o inevitável pendor saudosista de todo o português que se preza, seja poeta ou não.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Logo no primeiro livro, &amp;quot;ADEUS&amp;quot;, de 1902, publicado dois anos depois da morte de António Nobre, autor do &amp;quot;Só&amp;quot;, e num tempo em que a pessoa de Junqueiro e a sua poesia marcam, entre nós, o clima de sensibilidade, os temas desenvolvidos, melhor dizendo inspiradores, são, no nosso poeta, além do &amp;quot;Adeus&amp;quot; do título, o desencanto, a dúvida, o &amp;quot;spleen&amp;quot;, a doçura do pranto, as ruínas, o inverno, a dor inútil, o apelo e a presença do sorriso, como palavras mais vezes presentes.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Aliás estas são as que servem de título a vários dos poemas do volume inicial. E revelam insofismavelmente, sem necessidade de aprofundamentos psicológicos difíceis, uma sensibilidade, dominada por uma melancolia saudosista, sem rebuscar formas de expressão.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;quot;O GRÃO DE TRIGO&amp;quot; (Versos à Natureza e à Vida) sugere-nos a ideia de uma como que retificação ou reconciliação com a vida e consequentemente uma espécie de libertação dos domínios da tristeza.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A Natureza e a Vida tomam, neste algarvio típico, a lógica posição de primeiro lugar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 3&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra nota característica, já anteriormente enunciada é a de insatisfação do artista. Melhorar formalmente um poema parece ser uma constante preocupação do artista.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
No &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; está, por exemplo, um poema com o título &amp;quot;A Árvore e o Ninho&amp;quot;. São dezasseis quadras. Ora,.com quarenta e cinco prepara o voluminho saído em 31, póstumo com o mesmo título.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O poema &amp;quot;Sermão da Montanha&amp;quot; (&amp;quot;Grão de Trigo&amp;quot;) vai aparecer em versão corrigida e aumentada e melhorada no volume &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; (1936).&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E outros exemplos se poderiam dar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estes bastam, no entanto, apenas como possível chamar de atenção para uma faceta que nos parece fundamental da obra de Bernardo de Passos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E, mais ou menos comum a todos os artistas, que como este, não desdenham os caminhos da perfeição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O leitor curioso, porém, descobrirá por si as riquezas destes poemas, que, a partir de agora, ficam mais à sua disposição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''Joaquim Magalhães''' &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In: &amp;quot;A Obra Poética de Bernardo de Passos&amp;quot; p. 7 e 8&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Artigo de Joaquim Magalhaes sobre Bernardo Passos nojornal Noticias de S.braz&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://hemeroteca.ualg.pt/resources/PDF/Noticias_SBraz_1976-10-29_0000.pdf&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Poemas'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''SAUDADES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saudades de amor, são penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que nascem do coração…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E como as penas das aves,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quantas mais, mais brandas são!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu coração fez um ninho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como o das aves perfeito,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Juntando todas as penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De que ele me encheu o peito…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E nesse ninho, a sonhar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dorme, assim, horas serenas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme um passarinho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o seu ninho de penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''REGRESSO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! Avé-Marias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Teu crepúsculo de oiro até parece&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que me canta e me embala e me adormece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A florir a amargura dos meus dias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como a urze das tuas serranias,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Poeta aqui nasci, sem que o soubesse,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aqui, -visão de estrelas e de prece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vi meu primeiro amor, quando me vias!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! –Anoiteceu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o meu coração como um ninho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Estendes a asa de oiro do teu céu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ele dorme e sorri, -o abandonado!-&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme e sorri um passarinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sob a asa da mãe agasalhado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
In:http://diversidadesquecidas.blogspot.com/2010/12/bernardo-de-passos-poeta-algarvio.html&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dormita a aldeia ao longo da verdura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E, em torno, as fontes vão cantando às mágoas…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim tranquila, caiadinha e pura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Parece um cisne de brilhante alvura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sonhando quieto no frescor das águas…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(«Minha Aldeia», in '''''A obra poética de Bernardo de Passos''''', Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, 1983, p. 59)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MEUS PAI&lt;br /&gt;
Enquanto a chuva cai e o vento grita&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
No silêncio do noite escura e fria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Evoco o tempo em que velhinho o via&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto a lareira que ora aqui trepita.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por esta casa que a Saudade habita,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tão erma como a noite mais sombria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda vitro a trémula harmonia,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
O eco triste d'essa voz bendita...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E sonho tê-lo, como então, ao lado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto do lume antigo, aqui sentado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com o seu ar de santa em doce preces...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E desta solidão já me inebrio...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ai! ver o Lar e achá-lo assim vazio&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem sempre tão cheio ele parece!...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MINHA ALDEIA&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Visão Antiga&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dormita a aldeia ao longo da verdura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E em torno. as fontes vão cantando às mároas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim tranauila, caiadinha e pura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Parece um cisne de brilhante alvura.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sonhando auieto no frescor das águas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bate-lhe em cheio a lua opalescente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Numa visão estranha de balada..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Oue paz augusta, elísia, ridente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Paira sobre ela, a pálida dormente.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aue festim de luz imaculada!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vêu de prata que lhe tece a lua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aranha cuia teia é o luar lindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Recorda fina gaze que flutua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre uma criança alva, toda nua,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em berço d'oiro a dormitar, sorrindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um solitário cão, de quando em quando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Đá um latido prolongado, insonte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Algum lebrru a suspirar, sonhando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre nevađas palhas dormitando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto à cabana, de vigia ao monte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CANTARES&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Para a sua boca)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tens frescores da manha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Na tua boca pequena..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
São dois bagos de romā&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios, morena!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À vista da tua boca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Rosa vermelha entreabrindo&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu sinto-me abelha louca,&lt;br /&gt;
Para os teus lábios fugindo ...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São um botão entreaberto&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios sem par,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Oue as borboletas, por certo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vão iludidas beijar!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tua boca é notada,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre as das mais raparigas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como a papoila encarnada&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre o oiro das espigas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E taça cheia de amor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Essa boca graciosa&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda sinto o sabor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dos teus beijos cor de ro&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cheira a morangos e rosas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63154</id>
		<title>Passos, Bernardo - A Obra Poética de Bernardo de Passos</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63154"/>
				<updated>2025-12-09T14:01:11Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo de - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - capa.jpg|271px]]   [[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Bernardo de Passos''' (1876–1930)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
  Poeta e jornalista de São Brás de Alportel, muito ligado ao movimento republicano e à poesia de inspiração social e regional. Formou-se em Direito em Coimbra, onde conviveu com figuras ligadas ao ideal republicano e à Geração de 90. Depois regressou ao Algarve, onde se destacou pela sua poesia social, cívica e profundamente humana.&amp;lt;br /&amp;gt;A sua casa natal, em São Brás de Alportel, é hoje Casa-Museu Bernardo de Passos, centro de preservação da sua memória literária e cívica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 O texto que se segue, o prefácio  de '''Joaquim Magalhães''' à &amp;quot;Obra Poética de Bernardo Passos&amp;quot;  apresenta o poeta como um homem tímido, sensível e de vida discreta. A sua obra poética, embora breve, revela um lirismo marcado pela sensibilidade, bondade, ternura e patriotismo sentimental, combina a delicadeza lírica com o amor ao próximo, à natureza e à pátria, tornando-a acessível e ao mesmo tempo rica em sensibilidade, convidando o leitor a descobrir pessoalmente as nuances e riquezas dos seus poemas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''PALAVRAS DE INTRODUÇÃO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 1&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas datas assinalam naturalmente a vida de '''Bernardo de Passos'''. Uma vida sem grandes aventuras, que não as teve um homem tímido e sensível como ele foi.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em 1876 — nascimento, a 29 de Outubro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
EM 1930 — morte, em Faro, a 2 de Junho.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A existência do poeta decorre assim, entre estes dois pontos no tempo; e entre estes dois sítios: a sua vila natal e a cidade em que exerceu várias funções.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Filho de jornalista, republicano desde a infância, assim se pode dizer, como também do mesmo modo se pode afirmar que foi poeta, quando descobriu a veia, por volta dos nove anos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Quiseram destiná-lo à vida comercial. Experimentou a de farmacêutico, em S. Brás e em Lisboa, onde aliás fez os respetivos preparatórios. Mas a vida comercial não o seduziu.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Foi solicitador na sua vila natal; e também aqui escrivão do juízo de paz.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Com o advento da República, no começo do mês em que completava 34 anos, foi nomeado administrador do concelho e comissário de polícia de Faro, por inerência de cargo, bem entendido.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Mais tarde conseguiram os amigos convencê-lo a estabilizar-se nas funções de Secretário da Câmara de Faro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Nesta cidade deu lições, gratuitamente, claro, no Centro Republicano. Em Faro escreveu em jornais. Em Faro, com outro amador jornalista, António Santos, funda &amp;quot;O Correio do Sul&amp;quot; (1 de Fevereiro de 1920).&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estas, algumas, as mais significativas atividades do homem e do cidadão. Porque a grande aventura de Bernardo de Passos é evidentemente a obra poética. Não muito extensa, em autor tão Auto exigente, como foi. Meia dúzia de títulos, apenas, no total.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;ADEUS&amp;quot; — 1902; &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; — 1907; &amp;quot;PORTU-GAL NA CRUZ&amp;quot; — 1909; &amp;quot;BANDEIRA DA REPÚBLICA&amp;quot; — 1913. E mais: &amp;quot;A ÁRVORE E O NINHO&amp;quot; — 1931; e &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; — 1936, postumamente publicados, mas organizados pelo autor.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O volume de poesias dispersas, que fora anunciado será o que corresponderia às tais já referidas composições &amp;quot;muito antigas&amp;quot; e outras que em seus rascunhos aparecem e agora se incluem nesta publicação.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 2&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A obra de '''Bernardo de Passos''' é toda ela de expressão lírica. O que o poeta escreveu é reflexo da sua vida interior, o espelho de uma sensibilidade e de uma consciência. Do seu amor ao Belo, da sua ternura pelo fraco, pelo desvalido, pelo pobre, pelo desamparado.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Deste modo, a bondade, a ternura, a delicadeza, a timidez, o sorriso, são as notas dominantes do seu lirismo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Acrescentem-se-lhes as notas de patriotismo sentimental e o inevitável pendor saudosista de todo o português que se preza, seja poeta ou não.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Logo no primeiro livro, &amp;quot;ADEUS&amp;quot;, de 1902, publicado dois anos depois da morte de António Nobre, autor do &amp;quot;Só&amp;quot;, e num tempo em que a pessoa de Junqueiro e a sua poesia marcam, entre nós, o clima de sensibilidade, os temas desenvolvidos, melhor dizendo inspiradores, são, no nosso poeta, além do &amp;quot;Adeus&amp;quot; do título, o desencanto, a dúvida, o &amp;quot;spleen&amp;quot;, a doçura do pranto, as ruínas, o inverno, a dor inútil, o apelo e a presença do sorriso, como palavras mais vezes presentes.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Aliás estas são as que servem de título a vários dos poemas do volume inicial. E revelam insofismavelmente, sem necessidade de aprofundamentos psicológicos difíceis, uma sensibilidade, dominada por uma melancolia saudosista, sem rebuscar formas de expressão.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;quot;O GRÃO DE TRIGO&amp;quot; (Versos à Natureza e à Vida) sugere-nos a ideia de uma como que retificação ou reconciliação com a vida e consequentemente uma espécie de libertação dos domínios da tristeza.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A Natureza e a Vida tomam, neste algarvio típico, a lógica posição de primeiro lugar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 3&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra nota característica, já anteriormente enunciada é a de insatisfação do artista. Melhorar formalmente um poema parece ser uma constante preocupação do artista.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
No &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; está, por exemplo, um poema com o título &amp;quot;A Árvore e o Ninho&amp;quot;. São dezasseis quadras. Ora,.com quarenta e cinco prepara o voluminho saído em 31, póstumo com o mesmo título.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O poema &amp;quot;Sermão da Montanha&amp;quot; (&amp;quot;Grão de Trigo&amp;quot;) vai aparecer em versão corrigida e aumentada e melhorada no volume &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; (1936).&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E outros exemplos se poderiam dar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estes bastam, no entanto, apenas como possível chamar de atenção para uma faceta que nos parece fundamental da obra de Bernardo de Passos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E, mais ou menos comum a todos os artistas, que como este, não desdenham os caminhos da perfeição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O leitor curioso, porém, descobrirá por si as riquezas destes poemas, que, a partir de agora, ficam mais à sua disposição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''Joaquim Magalhães''' &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In: &amp;quot;A Obra Poética de Bernardo de Passos&amp;quot; p. 7 e 8&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Artigo de Joaquim Magalhaes sobre Bernardo Passos nojornal Noticias de S.braz&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://hemeroteca.ualg.pt/resources/PDF/Noticias_SBraz_1976-10-29_0000.pdf&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Poemas'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''SAUDADES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saudades de amor, são penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que nascem do coração…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E como as penas das aves,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quantas mais, mais brandas são!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu coração fez um ninho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como o das aves perfeito,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Juntando todas as penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De que ele me encheu o peito…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E nesse ninho, a sonhar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dorme, assim, horas serenas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme um passarinho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o seu ninho de penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''REGRESSO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! Avé-Marias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Teu crepúsculo de oiro até parece&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que me canta e me embala e me adormece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A florir a amargura dos meus dias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como a urze das tuas serranias,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Poeta aqui nasci, sem que o soubesse,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aqui, -visão de estrelas e de prece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vi meu primeiro amor, quando me vias!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! –Anoiteceu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o meu coração como um ninho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Estendes a asa de oiro do teu céu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ele dorme e sorri, -o abandonado!-&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme e sorri um passarinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sob a asa da mãe agasalhado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
In:http://diversidadesquecidas.blogspot.com/2010/12/bernardo-de-passos-poeta-algarvio.html&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dormita a aldeia ao longo da verdura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E, em torno, as fontes vão cantando às mágoas…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim tranquila, caiadinha e pura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Parece um cisne de brilhante alvura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sonhando quieto no frescor das águas…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(«Minha Aldeia», in '''''A obra poética de Bernardo de Passos''''', Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, 1983, p. 59)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MEUS PAI&lt;br /&gt;
Enquanto a chuva cai e o vento grita&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
No silêncio do noite escura e fria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Evoco o tempo em que velhinho o via&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto a lareira que ora aqui trepita.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por esta casa que a Saudade habita,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tão erma como a noite mais sombria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda vitro a trémula harmonia,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
O eco triste d'essa voz bendita...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E sonho tê-lo, como então, ao lado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto do lume antigo, aqui sentado,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com o seu ar de santa em doce preces...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E desta solidão já me inebrio...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ai! ver o Lar e achá-lo assim vazio&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem sempre tão cheio ele parece!...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MINHA ALDEIA&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Visão Antiga&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dormita a aldeia ao longo da verdura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E em torno. as fontes vão cantando às mároas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim tranauila, caiadinha e pura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Parece um cisne de brilhante alvura.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sonhando auieto no frescor das águas.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bate-lhe em cheio a lua opalescente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Numa visão estranha de balada..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Oue paz augusta, elísia, ridente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Paira sobre ela, a pálida dormente.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aue festim de luz imaculada!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vêu de prata que lhe tece a lua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aranha cuia teia é o luar lindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Recorda fina gaze que flutua&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre uma criança alva, toda nua,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em berço d'oiro a dormitar, sorrindo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um solitário cão, de quando em quando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Đá um latido prolongado, insonte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Algum lebrru a suspirar, sonhando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre nevađas palhas dormitando,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto à cabana, de vigia ao monte.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CANTARES&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Para a sua boca)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tens frescores da manha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Na tua boca pequena..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
São dois bagos de romā&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios, morena!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À vista da tua boca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Rosa vermelha entreabrindo&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu sinto-me abelha louca,&lt;br /&gt;
Para os teus lábios fugindo ...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São um botão entreaberto&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esses teus lábios sem par,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Oue as borboletas, por certo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vão iludidas beijar!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tua boca é notada,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre as das mais raparigas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como a papoila encarnada&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entre o oiro das espigas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E taça cheia de amor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Essa boca graciosa&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ainda sinto o sabor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dos teus beijos cor de ro&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cheira a morangos e rosas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63153</id>
		<title>Passos, Bernardo - A Obra Poética de Bernardo de Passos</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Passos,_Bernardo_-_A_Obra_Po%C3%A9tica_de_Bernardo_de_Passos&amp;diff=63153"/>
				<updated>2025-12-09T12:57:44Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo de - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - capa.jpg|271px]]   [[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Bernardo de Passos''' (1876–1930)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
  Poeta e jornalista de São Brás de Alportel, muito ligado ao movimento republicano e à poesia de inspiração social e regional. Formou-se em Direito em Coimbra, onde conviveu com figuras ligadas ao ideal republicano e à Geração de 90. Depois regressou ao Algarve, onde se destacou pela sua poesia social, cívica e profundamente humana.&amp;lt;br /&amp;gt;A sua casa natal, em São Brás de Alportel, é hoje Casa-Museu Bernardo de Passos, centro de preservação da sua memória literária e cívica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 O texto que se segue, o prefácio  de '''Joaquim Magalhães''' à &amp;quot;Obra Poética de Bernardo Passos&amp;quot;  apresenta o poeta como um homem tímido, sensível e de vida discreta. A sua obra poética, embora breve, revela um lirismo marcado pela sensibilidade, bondade, ternura e patriotismo sentimental, combina a delicadeza lírica com o amor ao próximo, à natureza e à pátria, tornando-a acessível e ao mesmo tempo rica em sensibilidade, convidando o leitor a descobrir pessoalmente as nuances e riquezas dos seus poemas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''PALAVRAS DE INTRODUÇÃO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 1&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas datas assinalam naturalmente a vida de '''Bernardo de Passos'''. Uma vida sem grandes aventuras, que não as teve um homem tímido e sensível como ele foi.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em 1876 — nascimento, a 29 de Outubro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
EM 1930 — morte, em Faro, a 2 de Junho.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A existência do poeta decorre assim, entre estes dois pontos no tempo; e entre estes dois sítios: a sua vila natal e a cidade em que exerceu várias funções.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Filho de jornalista, republicano desde a infância, assim se pode dizer, como também do mesmo modo se pode afirmar que foi poeta, quando descobriu a veia, por volta dos nove anos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Quiseram destiná-lo à vida comercial. Experimentou a de farmacêutico, em S. Brás e em Lisboa, onde aliás fez os respetivos preparatórios. Mas a vida comercial não o seduziu.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Foi solicitador na sua vila natal; e também aqui escrivão do juízo de paz.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Com o advento da República, no começo do mês em que completava 34 anos, foi nomeado administrador do concelho e comissário de polícia de Faro, por inerência de cargo, bem entendido.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Mais tarde conseguiram os amigos convencê-lo a estabilizar-se nas funções de Secretário da Câmara de Faro.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Nesta cidade deu lições, gratuitamente, claro, no Centro Republicano. Em Faro escreveu em jornais. Em Faro, com outro amador jornalista, António Santos, funda &amp;quot;O Correio do Sul&amp;quot; (1 de Fevereiro de 1920).&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estas, algumas, as mais significativas atividades do homem e do cidadão. Porque a grande aventura de Bernardo de Passos é evidentemente a obra poética. Não muito extensa, em autor tão Auto exigente, como foi. Meia dúzia de títulos, apenas, no total.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;ADEUS&amp;quot; — 1902; &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; — 1907; &amp;quot;PORTU-GAL NA CRUZ&amp;quot; — 1909; &amp;quot;BANDEIRA DA REPÚBLICA&amp;quot; — 1913. E mais: &amp;quot;A ÁRVORE E O NINHO&amp;quot; — 1931; e &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; — 1936, postumamente publicados, mas organizados pelo autor.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O volume de poesias dispersas, que fora anunciado será o que corresponderia às tais já referidas composições &amp;quot;muito antigas&amp;quot; e outras que em seus rascunhos aparecem e agora se incluem nesta publicação.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 2&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A obra de '''Bernardo de Passos''' é toda ela de expressão lírica. O que o poeta escreveu é reflexo da sua vida interior, o espelho de uma sensibilidade e de uma consciência. Do seu amor ao Belo, da sua ternura pelo fraco, pelo desvalido, pelo pobre, pelo desamparado.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Deste modo, a bondade, a ternura, a delicadeza, a timidez, o sorriso, são as notas dominantes do seu lirismo.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Acrescentem-se-lhes as notas de patriotismo sentimental e o inevitável pendor saudosista de todo o português que se preza, seja poeta ou não.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Logo no primeiro livro, &amp;quot;ADEUS&amp;quot;, de 1902, publicado dois anos depois da morte de António Nobre, autor do &amp;quot;Só&amp;quot;, e num tempo em que a pessoa de Junqueiro e a sua poesia marcam, entre nós, o clima de sensibilidade, os temas desenvolvidos, melhor dizendo inspiradores, são, no nosso poeta, além do &amp;quot;Adeus&amp;quot; do título, o desencanto, a dúvida, o &amp;quot;spleen&amp;quot;, a doçura do pranto, as ruínas, o inverno, a dor inútil, o apelo e a presença do sorriso, como palavras mais vezes presentes.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Aliás estas são as que servem de título a vários dos poemas do volume inicial. E revelam insofismavelmente, sem necessidade de aprofundamentos psicológicos difíceis, uma sensibilidade, dominada por uma melancolia saudosista, sem rebuscar formas de expressão.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;quot;O GRÃO DE TRIGO&amp;quot; (Versos à Natureza e à Vida) sugere-nos a ideia de uma como que retificação ou reconciliação com a vida e consequentemente uma espécie de libertação dos domínios da tristeza.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A Natureza e a Vida tomam, neste algarvio típico, a lógica posição de primeiro lugar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Excerto 3&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra nota característica, já anteriormente enunciada é a de insatisfação do artista. Melhorar formalmente um poema parece ser uma constante preocupação do artista.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
No &amp;quot;GRÃO DE TRIGO&amp;quot; está, por exemplo, um poema com o título &amp;quot;A Árvore e o Ninho&amp;quot;. São dezasseis quadras. Ora,.com quarenta e cinco prepara o voluminho saído em 31, póstumo com o mesmo título.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O poema &amp;quot;Sermão da Montanha&amp;quot; (&amp;quot;Grão de Trigo&amp;quot;) vai aparecer em versão corrigida e aumentada e melhorada no volume &amp;quot;REFÚGIO&amp;quot; (1936).&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E outros exemplos se poderiam dar.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
Estes bastam, no entanto, apenas como possível chamar de atenção para uma faceta que nos parece fundamental da obra de Bernardo de Passos.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
E, mais ou menos comum a todos os artistas, que como este, não desdenham os caminhos da perfeição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
O leitor curioso, porém, descobrirá por si as riquezas destes poemas, que, a partir de agora, ficam mais à sua disposição.&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''Joaquim Magalhães''' &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In: &amp;quot;A Obra Poética de Bernardo de Passos&amp;quot; p. 7 e 8&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Artigo de Joaquim Magalhaes sobre Bernardo Passos nojornal Noticias de S.braz&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://hemeroteca.ualg.pt/resources/PDF/Noticias_SBraz_1976-10-29_0000.pdf&lt;br /&gt;
[[File:Passos, Bernardo - AObraPoeticaDeBernardoDePassos - Prefácio de Joaquim Magalhães - prefácio.jpg|507px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Poemas'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''SAUDADES'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saudades de amor, são penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que nascem do coração…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E como as penas das aves,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quantas mais, mais brandas são!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu coração fez um ninho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como o das aves perfeito,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Juntando todas as penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De que ele me encheu o peito…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E nesse ninho, a sonhar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dorme, assim, horas serenas,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme um passarinho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o seu ninho de penas&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''REGRESSO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! Avé-Marias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Teu crepúsculo de oiro até parece&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que me canta e me embala e me adormece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A florir a amargura dos meus dias…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como a urze das tuas serranias,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Poeta aqui nasci, sem que o soubesse,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aqui, -visão de estrelas e de prece,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Vi meu primeiro amor, quando me vias!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha aldeia, voltei! –Anoiteceu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sobre o meu coração como um ninho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Estendes a asa de oiro do teu céu…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ele dorme e sorri, -o abandonado!-&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como dorme e sorri um passarinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sob a asa da mãe agasalhado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
In:http://diversidadesquecidas.blogspot.com/2010/12/bernardo-de-passos-poeta-algarvio.html&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dormita a aldeia ao longo da verdura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E, em torno, as fontes vão cantando às mágoas…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim tranquila, caiadinha e pura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Parece um cisne de brilhante alvura,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sonhando quieto no frescor das águas…&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(«Minha Aldeia», in '''''A obra poética de Bernardo de Passos''''', Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, 1983, p. 59)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Gon%C3%A7alves,_Alexandra_R._-_A_cidade_velha_pela_m%C3%A3o_de_Joaquim_Magalh%C3%A3es&amp;diff=63152</id>
		<title>Gonçalves, Alexandra R. - A cidade velha pela mão de Joaquim Magalhães</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Gon%C3%A7alves,_Alexandra_R._-_A_cidade_velha_pela_m%C3%A3o_de_Joaquim_Magalh%C3%A3es&amp;diff=63152"/>
				<updated>2025-12-09T12:31:43Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Gon%C3%A7alves,_Alexandra_R._-_A_cidade_velha_pela_m%C3%A3o_de_Joaquim_Magalh%C3%A3es&amp;diff=63151</id>
		<title>Gonçalves, Alexandra R. - A cidade velha pela mão de Joaquim Magalhães</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Gon%C3%A7alves,_Alexandra_R._-_A_cidade_velha_pela_m%C3%A3o_de_Joaquim_Magalh%C3%A3es&amp;diff=63151"/>
				<updated>2025-12-09T12:31:27Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:AnaisDeFaroCapa2018-ArtigoDeAlexandraRGonçalves-ACidadeVelhaPelaMaoDeJoaquimMagalhaes-capa-e-foto-p.jpg]] &lt;br /&gt;
[[Gonçalves, Alexandra R. - A cidade velha pela mão de Joaquim Magalhães]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Gon%C3%A7alves,_Alexandra_R._-_A_cidade_velha_pela_m%C3%A3o_de_Joaquim_Magalh%C3%A3es&amp;diff=63150</id>
		<title>Gonçalves, Alexandra R. - A cidade velha pela mão de Joaquim Magalhães</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Gon%C3%A7alves,_Alexandra_R._-_A_cidade_velha_pela_m%C3%A3o_de_Joaquim_Magalh%C3%A3es&amp;diff=63150"/>
				<updated>2025-12-09T12:30:57Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:AnaisDeFaroCapa2018-ArtigoDeAlexandraRGonçalves-ACidadeVelhaPelaMaoDeJoaquimMagalhaes-capa-e-foto-p.jpg|300px]] &lt;br /&gt;
[[Gonçalves, Alexandra R. - A cidade velha pela mão de Joaquim Magalhães|300px]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Gon%C3%A7alves,_Alexandra_R._-_A_cidade_velha_pela_m%C3%A3o_de_Joaquim_Magalh%C3%A3es&amp;diff=63149</id>
		<title>Gonçalves, Alexandra R. - A cidade velha pela mão de Joaquim Magalhães</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Gon%C3%A7alves,_Alexandra_R._-_A_cidade_velha_pela_m%C3%A3o_de_Joaquim_Magalh%C3%A3es&amp;diff=63149"/>
				<updated>2025-12-09T12:29:50Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:AnaisDeFaroCapa2018-ArtigoDeAlexandraRGonçalves-ACidadeVelhaPelaMaoDeJoaquimMagalhaes-capa-e-foto-p.jpg|300pxleft]] &lt;br /&gt;
[[Gonçalves, Alexandra R. - A cidade velha pela mão de Joaquim Magalhães | Faro, 2018 - In: Anais do Município de Faro, 2018. Vol. 40, p. 371-376.|300px]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Gon%C3%A7alves,_Alexandra_R._-_A_cidade_velha_pela_m%C3%A3o_de_Joaquim_Magalh%C3%A3es&amp;diff=63148</id>
		<title>Gonçalves, Alexandra R. - A cidade velha pela mão de Joaquim Magalhães</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Gon%C3%A7alves,_Alexandra_R._-_A_cidade_velha_pela_m%C3%A3o_de_Joaquim_Magalh%C3%A3es&amp;diff=63148"/>
				<updated>2025-12-09T12:29:04Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:AnaisDeFaroCapa2018-ArtigoDeAlexandraRGonçalves-ACidadeVelhaPelaMaoDeJoaquimMagalhaes-capa-e-foto-p.jpg|150pxleft]] &lt;br /&gt;
[[Gonçalves, Alexandra R. - A cidade velha pela mão de Joaquim Magalhães | Faro, 2018 - In: Anais do Município de Faro, 2018. Vol. 40, p. 371-376.|150px]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Gon%C3%A7alves,_Alexandra_R._-_A_cidade_velha_pela_m%C3%A3o_de_Joaquim_Magalh%C3%A3es&amp;diff=63147</id>
		<title>Gonçalves, Alexandra R. - A cidade velha pela mão de Joaquim Magalhães</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Gon%C3%A7alves,_Alexandra_R._-_A_cidade_velha_pela_m%C3%A3o_de_Joaquim_Magalh%C3%A3es&amp;diff=63147"/>
				<updated>2025-12-09T12:27:58Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:AnaisDeFaroCapa2018-ArtigoDeAlexandraRGonçalves-ACidadeVelhaPelaMaoDeJoaquimMagalhaes-capa-e-foto-p.jpg|left]] &lt;br /&gt;
[[Gonçalves, Alexandra R. - A cidade velha pela mão de Joaquim Magalhães | Faro, 2018 - In: Anais do Município de Faro, 2018. Vol. 40, p. 371-376.]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Gon%C3%A7alves,_Alexandra_R._-_A_cidade_velha_pela_m%C3%A3o_de_Joaquim_Magalh%C3%A3es&amp;diff=63146</id>
		<title>Gonçalves, Alexandra R. - A cidade velha pela mão de Joaquim Magalhães</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Gon%C3%A7alves,_Alexandra_R._-_A_cidade_velha_pela_m%C3%A3o_de_Joaquim_Magalh%C3%A3es&amp;diff=63146"/>
				<updated>2025-12-09T12:26:35Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:AnaisDeFaroCapa2018-ArtigoDeAlexandraRGonçalves-ACidadeVelhaPelaMaoDeJoaquimMagalhaes-capa-e-foto-p.jp]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Magalh%C3%A3es,_Joaquim_-_Mais_uma_fala_acerca_de_Jo%C3%A3o_de_Deus&amp;diff=63145</id>
		<title>Magalhães, Joaquim - Mais uma fala acerca de João de Deus</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Magalh%C3%A3es,_Joaquim_-_Mais_uma_fala_acerca_de_Jo%C3%A3o_de_Deus&amp;diff=63145"/>
				<updated>2025-12-09T12:24:35Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:MaisUmaFalaAcercaDeJoaoDeDeuscapa-FotoDeJMNaPag7DaBrochuraRuaJM-Albufeira.jpg|350px]]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Título: '''Mais uma fala acerca de João de Deus'''&amp;lt;br /&amp;gt;Autor: Joaquim Peixoto Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;Natureza / Tipo: Conferência / separata — alocução pronunciada por ocasião da inauguração de uma exposição comemorativa (bodas de diamante da Biblioteca Municipal de Faro) sobre João de Deus, e publicada nos “Anais do Município de Faro”, volume VIII, 1979.&amp;lt;br /&amp;gt;Local / Editora / Data de publicação: Faro; Ano: 1979; foi publicada como separata dos “Anais do Município de Faro, n.º VIII”.&amp;lt;br /&amp;gt;Contexto: A conferência visava homenagear João de Deus e foi proferida na inauguração da Exposição Comemorativa das Bodas de Diamante da Biblioteca Municipal de Faro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Conferência na inauguração da Exposição Comemorativa das Bodas de Diamante da Biblioteca Municipal de Faro, 7 de maio de 1977, publicada no VIII volume dos &amp;quot;Anais do Município&amp;quot;, 1979 &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Mais uma fala acerca de JOÃO DE DEUS'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;Senhor Governador Civil&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Senhor Presidente da Câmara Municipal&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Minhas senhoras, meus senhores&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sempre que se fala ou escreve de João de Deus, a imagem, que imediatamente ocorre e vemos, no écran ou pantalha interior da nossa Cinemateca intelectual, é a do Poeta. O Poeta do Amor, o autor do &amp;lt;Campo de Flores, que começaram por ser &amp;lt;Flores do Campo&amp;gt;. O Poeta inspirou a outro, Afonso Lopes Vieira, essa obra-prima de antologia que é &amp;lt;0 Livro de Amor de João de Deus, título, como todos sabem, do florilégio lírico extraído do &amp;lt;Campo de Flores&amp;gt;), no alambique requintado da sensibilidade do antologiador. Mas, se continuamos a evocar João de Deus, logo os transistores da nossa mecânica cerebral põem em atividade o computador da nossa memoria de pessoas cultas e ocorre-nos a imagem, e a pessoa, e a ação do autor da &amp;lt;Cartilha Maternal, essa Arte de Leitura&amp;gt; que deu brado, e foi notícia, e foi polémica, nos anos 70 e tal, oitenta, do século passado, isto é, há precisamente cem anos.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Convenhamos em que, apesar de tudo, estas duas sequências da nossa evocação, não nos chegam para entender o facto de ter sido e ser João de Deus o mais consagrado dos poetas ou escritores portugueses pelos seus próprios contemporâneos. Com efeito, nenhum outro logrou a coroa de louros, em vida, que foi atribuída a João de Deus. Podemos percorrer a galeria, longa e variada, do nosso passado cultural, e não encontramos nenhum escritor, poeta ou prosador, que tivesse tido, em vida, a consagração que João de Deus mereceu. Lembremos alguns: Gil Vicente, Camões, P. António Vieira, Bocage, Garrett, Herculano, Fernando Pessoa, Aquilino... Só Antero e Junqueiro tiveram também o seu momento de popularidade.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Mas nada que se assemelhe ao que se passou com João de Deus. Por quê? Sim, por quê? Por quê, por exemplo, haver um liceu, que foi, deixou de ser, voltou a ser de João de Deus? Por quê uma escola técnica teve, e creio que ainda tem, como patrono, João de Deus? E há um externato de João de Deus; e houve um colégio, no Porto, que era de João de Deus. E há a Associação de Cegos João de Deus. E há os jardins-escolas João de Deus. E há, por todas as cidades, e muitas vilas, deste pais, as ruas de João de Deus - mesmo que, em algumas, como nesta nossa em que vivemos, faltem a respetiva tabuleta e a indicação do nome. Há vilas e aldeias com o nome de João de Deus em pequenas ou grandes ruas. Aqui em Faro temos uma alameda que é, como lá está escrito numa das entradas, &amp;quot;Campo de Flores&amp;quot; com o nome do Poeta.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Conferência na inauguração das Bodas de Diamante da Biblioteca Municipal de Faro'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
In: &amp;quot;Separata do nº VIII dos &amp;quot;Anais do Município&amp;quot; Vários. P. 1-11&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Magalh%C3%A3es,_Joaquim_-_Mais_uma_fala_acerca_de_Jo%C3%A3o_de_Deus&amp;diff=63144</id>
		<title>Magalhães, Joaquim - Mais uma fala acerca de João de Deus</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Magalh%C3%A3es,_Joaquim_-_Mais_uma_fala_acerca_de_Jo%C3%A3o_de_Deus&amp;diff=63144"/>
				<updated>2025-12-09T12:24:08Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:MaisUmaFalaAcercaDeJoaoDeDeuscapa-FotoDeJMNaPag7DaBrochuraRuaJM-Albufeira.jpg|250px]]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Título: '''Mais uma fala acerca de João de Deus'''&amp;lt;br /&amp;gt;Autor: Joaquim Peixoto Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;Natureza / Tipo: Conferência / separata — alocução pronunciada por ocasião da inauguração de uma exposição comemorativa (bodas de diamante da Biblioteca Municipal de Faro) sobre João de Deus, e publicada nos “Anais do Município de Faro”, volume VIII, 1979.&amp;lt;br /&amp;gt;Local / Editora / Data de publicação: Faro; Ano: 1979; foi publicada como separata dos “Anais do Município de Faro, n.º VIII”.&amp;lt;br /&amp;gt;Contexto: A conferência visava homenagear João de Deus e foi proferida na inauguração da Exposição Comemorativa das Bodas de Diamante da Biblioteca Municipal de Faro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Conferência na inauguração da Exposição Comemorativa das Bodas de Diamante da Biblioteca Municipal de Faro, 7 de maio de 1977, publicada no VIII volume dos &amp;quot;Anais do Município&amp;quot;, 1979 &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Mais uma fala acerca de JOÃO DE DEUS'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;Senhor Governador Civil&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Senhor Presidente da Câmara Municipal&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Minhas senhoras, meus senhores&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sempre que se fala ou escreve de João de Deus, a imagem, que imediatamente ocorre e vemos, no écran ou pantalha interior da nossa Cinemateca intelectual, é a do Poeta. O Poeta do Amor, o autor do &amp;lt;Campo de Flores, que começaram por ser &amp;lt;Flores do Campo&amp;gt;. O Poeta inspirou a outro, Afonso Lopes Vieira, essa obra-prima de antologia que é &amp;lt;0 Livro de Amor de João de Deus, título, como todos sabem, do florilégio lírico extraído do &amp;lt;Campo de Flores&amp;gt;), no alambique requintado da sensibilidade do antologiador. Mas, se continuamos a evocar João de Deus, logo os transistores da nossa mecânica cerebral põem em atividade o computador da nossa memoria de pessoas cultas e ocorre-nos a imagem, e a pessoa, e a ação do autor da &amp;lt;Cartilha Maternal, essa Arte de Leitura&amp;gt; que deu brado, e foi notícia, e foi polémica, nos anos 70 e tal, oitenta, do século passado, isto é, há precisamente cem anos.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Convenhamos em que, apesar de tudo, estas duas sequências da nossa evocação, não nos chegam para entender o facto de ter sido e ser João de Deus o mais consagrado dos poetas ou escritores portugueses pelos seus próprios contemporâneos. Com efeito, nenhum outro logrou a coroa de louros, em vida, que foi atribuída a João de Deus. Podemos percorrer a galeria, longa e variada, do nosso passado cultural, e não encontramos nenhum escritor, poeta ou prosador, que tivesse tido, em vida, a consagração que João de Deus mereceu. Lembremos alguns: Gil Vicente, Camões, P. António Vieira, Bocage, Garrett, Herculano, Fernando Pessoa, Aquilino... Só Antero e Junqueiro tiveram também o seu momento de popularidade.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Mas nada que se assemelhe ao que se passou com João de Deus. Por quê? Sim, por quê? Por quê, por exemplo, haver um liceu, que foi, deixou de ser, voltou a ser de João de Deus? Por quê uma escola técnica teve, e creio que ainda tem, como patrono, João de Deus? E há um externato de João de Deus; e houve um colégio, no Porto, que era de João de Deus. E há a Associação de Cegos João de Deus. E há os jardins-escolas João de Deus. E há, por todas as cidades, e muitas vilas, deste pais, as ruas de João de Deus - mesmo que, em algumas, como nesta nossa em que vivemos, faltem a respetiva tabuleta e a indicação do nome. Há vilas e aldeias com o nome de João de Deus em pequenas ou grandes ruas. Aqui em Faro temos uma alameda que é, como lá está escrito numa das entradas, &amp;quot;Campo de Flores&amp;quot; com o nome do Poeta.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Conferência na inauguração das Bodas de Diamante da Biblioteca Municipal de Faro'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
In: &amp;quot;Separata do nº VIII dos &amp;quot;Anais do Município&amp;quot; Vários. P. 1-11&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Magalh%C3%A3es,_Joaquim_-_Mais_uma_fala_acerca_de_Jo%C3%A3o_de_Deus&amp;diff=63143</id>
		<title>Magalhães, Joaquim - Mais uma fala acerca de João de Deus</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Magalh%C3%A3es,_Joaquim_-_Mais_uma_fala_acerca_de_Jo%C3%A3o_de_Deus&amp;diff=63143"/>
				<updated>2025-12-09T12:23:12Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:MaisUmaFalaAcercaDeJoaoDeDeuscapa-FotoDeJMNaPag7DaBrochuraRuaJM-Albufeira.jpg|250px|left]]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Título: '''Mais uma fala acerca de João de Deus'''&amp;lt;br /&amp;gt;Autor: Joaquim Peixoto Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;Natureza / Tipo: Conferência / separata — alocução pronunciada por ocasião da inauguração de uma exposição comemorativa (bodas de diamante da Biblioteca Municipal de Faro) sobre João de Deus, e publicada nos “Anais do Município de Faro”, volume VIII, 1979.&amp;lt;br /&amp;gt;Local / Editora / Data de publicação: Faro; Ano: 1979; foi publicada como separata dos “Anais do Município de Faro, n.º VIII”.&amp;lt;br /&amp;gt;Contexto: A conferência visava homenagear João de Deus e foi proferida na inauguração da Exposição Comemorativa das Bodas de Diamante da Biblioteca Municipal de Faro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Conferência na inauguração da Exposição Comemorativa das Bodas de Diamante da Biblioteca Municipal de Faro, 7 de maio de 1977, publicada no VIII volume dos &amp;quot;Anais do Município&amp;quot;, 1979 &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Mais uma fala acerca de JOÃO DE DEUS'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;Senhor Governador Civil&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Senhor Presidente da Câmara Municipal&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Minhas senhoras, meus senhores&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sempre que se fala ou escreve de João de Deus, a imagem, que imediatamente ocorre e vemos, no écran ou pantalha interior da nossa Cinemateca intelectual, é a do Poeta. O Poeta do Amor, o autor do &amp;lt;Campo de Flores, que começaram por ser &amp;lt;Flores do Campo&amp;gt;. O Poeta inspirou a outro, Afonso Lopes Vieira, essa obra-prima de antologia que é &amp;lt;0 Livro de Amor de João de Deus, título, como todos sabem, do florilégio lírico extraído do &amp;lt;Campo de Flores&amp;gt;), no alambique requintado da sensibilidade do antologiador. Mas, se continuamos a evocar João de Deus, logo os transistores da nossa mecânica cerebral põem em atividade o computador da nossa memoria de pessoas cultas e ocorre-nos a imagem, e a pessoa, e a ação do autor da &amp;lt;Cartilha Maternal, essa Arte de Leitura&amp;gt; que deu brado, e foi notícia, e foi polémica, nos anos 70 e tal, oitenta, do século passado, isto é, há precisamente cem anos.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Convenhamos em que, apesar de tudo, estas duas sequências da nossa evocação, não nos chegam para entender o facto de ter sido e ser João de Deus o mais consagrado dos poetas ou escritores portugueses pelos seus próprios contemporâneos. Com efeito, nenhum outro logrou a coroa de louros, em vida, que foi atribuída a João de Deus. Podemos percorrer a galeria, longa e variada, do nosso passado cultural, e não encontramos nenhum escritor, poeta ou prosador, que tivesse tido, em vida, a consagração que João de Deus mereceu. Lembremos alguns: Gil Vicente, Camões, P. António Vieira, Bocage, Garrett, Herculano, Fernando Pessoa, Aquilino... Só Antero e Junqueiro tiveram também o seu momento de popularidade.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Mas nada que se assemelhe ao que se passou com João de Deus. Por quê? Sim, por quê? Por quê, por exemplo, haver um liceu, que foi, deixou de ser, voltou a ser de João de Deus? Por quê uma escola técnica teve, e creio que ainda tem, como patrono, João de Deus? E há um externato de João de Deus; e houve um colégio, no Porto, que era de João de Deus. E há a Associação de Cegos João de Deus. E há os jardins-escolas João de Deus. E há, por todas as cidades, e muitas vilas, deste pais, as ruas de João de Deus - mesmo que, em algumas, como nesta nossa em que vivemos, faltem a respetiva tabuleta e a indicação do nome. Há vilas e aldeias com o nome de João de Deus em pequenas ou grandes ruas. Aqui em Faro temos uma alameda que é, como lá está escrito numa das entradas, &amp;quot;Campo de Flores&amp;quot; com o nome do Poeta.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Conferência na inauguração das Bodas de Diamante da Biblioteca Municipal de Faro'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
In: &amp;quot;Separata do nº VIII dos &amp;quot;Anais do Município&amp;quot; Vários. P. 1-11&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Magalh%C3%A3es,_Joaquim_-_Mais_uma_fala_acerca_de_Jo%C3%A3o_de_Deus&amp;diff=63142</id>
		<title>Magalhães, Joaquim - Mais uma fala acerca de João de Deus</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Magalh%C3%A3es,_Joaquim_-_Mais_uma_fala_acerca_de_Jo%C3%A3o_de_Deus&amp;diff=63142"/>
				<updated>2025-12-09T12:22:45Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:MaisUmaFalaAcercaDeJoaoDeDeuscapa-FotoDeJMNaPag7DaBrochuraRuaJM-Albufeira.jpg|250px|left]]&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Título: '''Mais uma fala acerca de João de Deus'''&amp;lt;br /&amp;gt;Autor: Joaquim Peixoto Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;Natureza / Tipo: Conferência / separata — alocução pronunciada por ocasião da inauguração de uma exposição comemorativa (bodas de diamante da Biblioteca Municipal de Faro) sobre João de Deus, e publicada nos “Anais do Município de Faro”, volume VIII, 1979.&amp;lt;br /&amp;gt;Local / Editora / Data de publicação: Faro; Ano: 1979; foi publicada como separata dos “Anais do Município de Faro, n.º VIII”.&amp;lt;br /&amp;gt;Contexto: A conferência visava homenagear João de Deus e foi proferida na inauguração da Exposição Comemorativa das Bodas de Diamante da Biblioteca Municipal de Faro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Conferência na inauguração da Exposição Comemorativa das Bodas de Diamante da Biblioteca Municipal de Faro, 7 de maio de 1977, publicada no VIII volume dos &amp;quot;Anais do Município&amp;quot;, 1979 &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Mais uma fala acerca de JOÃO DE DEUS'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;Senhor Governador Civil&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Senhor Presidente da Câmara Municipal&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Minhas senhoras, meus senhores&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sempre que se fala ou escreve de João de Deus, a imagem, que imediatamente ocorre e vemos, no écran ou pantalha interior da nossa Cinemateca intelectual, é a do Poeta. O Poeta do Amor, o autor do &amp;lt;Campo de Flores, que começaram por ser &amp;lt;Flores do Campo&amp;gt;. O Poeta inspirou a outro, Afonso Lopes Vieira, essa obra-prima de antologia que é &amp;lt;0 Livro de Amor de João de Deus, título, como todos sabem, do florilégio lírico extraído do &amp;lt;Campo de Flores&amp;gt;), no alambique requintado da sensibilidade do antologiador. Mas, se continuamos a evocar João de Deus, logo os transistores da nossa mecânica cerebral põem em atividade o computador da nossa memoria de pessoas cultas e ocorre-nos a imagem, e a pessoa, e a ação do autor da &amp;lt;Cartilha Maternal, essa Arte de Leitura&amp;gt; que deu brado, e foi notícia, e foi polémica, nos anos 70 e tal, oitenta, do século passado, isto é, há precisamente cem anos.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Convenhamos em que, apesar de tudo, estas duas sequências da nossa evocação, não nos chegam para entender o facto de ter sido e ser João de Deus o mais consagrado dos poetas ou escritores portugueses pelos seus próprios contemporâneos. Com efeito, nenhum outro logrou a coroa de louros, em vida, que foi atribuída a João de Deus. Podemos percorrer a galeria, longa e variada, do nosso passado cultural, e não encontramos nenhum escritor, poeta ou prosador, que tivesse tido, em vida, a consagração que João de Deus mereceu. Lembremos alguns: Gil Vicente, Camões, P. António Vieira, Bocage, Garrett, Herculano, Fernando Pessoa, Aquilino... Só Antero e Junqueiro tiveram também o seu momento de popularidade.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Mas nada que se assemelhe ao que se passou com João de Deus. Por quê? Sim, por quê? Por quê, por exemplo, haver um liceu, que foi, deixou de ser, voltou a ser de João de Deus? Por quê uma escola técnica teve, e creio que ainda tem, como patrono, João de Deus? E há um externato de João de Deus; e houve um colégio, no Porto, que era de João de Deus. E há a Associação de Cegos João de Deus. E há os jardins-escolas João de Deus. E há, por todas as cidades, e muitas vilas, deste pais, as ruas de João de Deus - mesmo que, em algumas, como nesta nossa em que vivemos, faltem a respetiva tabuleta e a indicação do nome. Há vilas e aldeias com o nome de João de Deus em pequenas ou grandes ruas. Aqui em Faro temos uma alameda que é, como lá está escrito numa das entradas, &amp;quot;Campo de Flores&amp;quot; com o nome do Poeta.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Conferência na inauguração das Bodas de Diamante da Biblioteca Municipal de Faro'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
In: &amp;quot;Separata do nº VIII dos &amp;quot;Anais do Município&amp;quot; Vários. P. 1-11&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Magalh%C3%A3es,_Joaquim_-_Mais_uma_fala_acerca_de_Jo%C3%A3o_de_Deus&amp;diff=63141</id>
		<title>Magalhães, Joaquim - Mais uma fala acerca de João de Deus</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Magalh%C3%A3es,_Joaquim_-_Mais_uma_fala_acerca_de_Jo%C3%A3o_de_Deus&amp;diff=63141"/>
				<updated>2025-12-09T12:21:56Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:MaisUmaFalaAcercaDeJoaoDeDeuscapa-FotoDeJMNaPag7DaBrochuraRuaJM-Albufeira.jpg|150px|left]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Título: '''Mais uma fala acerca de João de Deus'''&amp;lt;br /&amp;gt;Autor: Joaquim Peixoto Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;Natureza / Tipo: Conferência / separata — alocução pronunciada por ocasião da inauguração de uma exposição comemorativa (bodas de diamante da Biblioteca Municipal de Faro) sobre João de Deus, e publicada nos “Anais do Município de Faro”, volume VIII, 1979.&amp;lt;br /&amp;gt;Local / Editora / Data de publicação: Faro; Ano: 1979; foi publicada como separata dos “Anais do Município de Faro, n.º VIII”.&amp;lt;br /&amp;gt;Contexto: A conferência visava homenagear João de Deus e foi proferida na inauguração da Exposição Comemorativa das Bodas de Diamante da Biblioteca Municipal de Faro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Conferência na inauguração da Exposição Comemorativa das Bodas de Diamante da Biblioteca Municipal de Faro, 7 de maio de 1977, publicada no VIII volume dos &amp;quot;Anais do Município&amp;quot;, 1979 &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Mais uma fala acerca de JOÃO DE DEUS'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;Senhor Governador Civil&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Senhor Presidente da Câmara Municipal&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Minhas senhoras, meus senhores&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sempre que se fala ou escreve de João de Deus, a imagem, que imediatamente ocorre e vemos, no écran ou pantalha interior da nossa Cinemateca intelectual, é a do Poeta. O Poeta do Amor, o autor do &amp;lt;Campo de Flores, que começaram por ser &amp;lt;Flores do Campo&amp;gt;. O Poeta inspirou a outro, Afonso Lopes Vieira, essa obra-prima de antologia que é &amp;lt;0 Livro de Amor de João de Deus, título, como todos sabem, do florilégio lírico extraído do &amp;lt;Campo de Flores&amp;gt;), no alambique requintado da sensibilidade do antologiador. Mas, se continuamos a evocar João de Deus, logo os transistores da nossa mecânica cerebral põem em atividade o computador da nossa memoria de pessoas cultas e ocorre-nos a imagem, e a pessoa, e a ação do autor da &amp;lt;Cartilha Maternal, essa Arte de Leitura&amp;gt; que deu brado, e foi notícia, e foi polémica, nos anos 70 e tal, oitenta, do século passado, isto é, há precisamente cem anos.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Convenhamos em que, apesar de tudo, estas duas sequências da nossa evocação, não nos chegam para entender o facto de ter sido e ser João de Deus o mais consagrado dos poetas ou escritores portugueses pelos seus próprios contemporâneos. Com efeito, nenhum outro logrou a coroa de louros, em vida, que foi atribuída a João de Deus. Podemos percorrer a galeria, longa e variada, do nosso passado cultural, e não encontramos nenhum escritor, poeta ou prosador, que tivesse tido, em vida, a consagração que João de Deus mereceu. Lembremos alguns: Gil Vicente, Camões, P. António Vieira, Bocage, Garrett, Herculano, Fernando Pessoa, Aquilino... Só Antero e Junqueiro tiveram também o seu momento de popularidade.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Mas nada que se assemelhe ao que se passou com João de Deus. Por quê? Sim, por quê? Por quê, por exemplo, haver um liceu, que foi, deixou de ser, voltou a ser de João de Deus? Por quê uma escola técnica teve, e creio que ainda tem, como patrono, João de Deus? E há um externato de João de Deus; e houve um colégio, no Porto, que era de João de Deus. E há a Associação de Cegos João de Deus. E há os jardins-escolas João de Deus. E há, por todas as cidades, e muitas vilas, deste pais, as ruas de João de Deus - mesmo que, em algumas, como nesta nossa em que vivemos, faltem a respetiva tabuleta e a indicação do nome. Há vilas e aldeias com o nome de João de Deus em pequenas ou grandes ruas. Aqui em Faro temos uma alameda que é, como lá está escrito numa das entradas, &amp;quot;Campo de Flores&amp;quot; com o nome do Poeta.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Conferência na inauguração das Bodas de Diamante da Biblioteca Municipal de Faro'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
In: &amp;quot;Separata do nº VIII dos &amp;quot;Anais do Município&amp;quot; Vários. P. 1-11&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Magalh%C3%A3es,_Joaquim_-_Romance_do_Poeta_Aleixo&amp;diff=63140</id>
		<title>Magalhães, Joaquim - Romance do Poeta Aleixo</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Magalh%C3%A3es,_Joaquim_-_Romance_do_Poeta_Aleixo&amp;diff=63140"/>
				<updated>2025-12-09T12:18:26Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Romance Poeta Aleixo.jpg|150px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Título - '''Romance do Poeta Aleixo'''&amp;lt;br /&amp;gt;Autor - Joaquim Peixoto Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;Ano de edição - 1959&amp;lt;br /&amp;gt;Natureza / Género - Poema — um esboço biográfico - poético dedicado a António Aleixo, em estilo de “romance” poético.&amp;lt;br /&amp;gt;Contexto - A obra foi escrita integralmente em verso, com 206 estrofes (“duzentos e seis, mais precisamente”).&amp;lt;br /&amp;gt; — Foi lida publicamente pela primeira vez em 1959, numa sessão que antecedeu a representação de “Auto do Curandeiro” em Faro, interpretada pelo grupo cénico do teatro amador local.  A partir da insistência de ouvintes, o poema foi publicado posteriormente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Joaquim Magalhães''' - ''Romance do Poeta Aleixo''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Prefácio  do livro '''Romance do Poeta Aleixo''' com o título '''POEMA NUMA GAVETA''' - (pág. 3)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Novembro de 1949, poucos dias depois da morte do poeta '''António Aleixo''', ainda fortemente emocionado pelo acontecimento escreveu o autor este &amp;lt;romance &amp;gt;.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Guardado e esquecido numa gaveta, aguardou quase dez anos a oportunidade de ser tirado e lido em público antes da primeira representação, em Faro, do &amp;lt;Auto do Curandeiro&amp;gt; do poeta popular, pelo grupo dos amadores do T. A. F..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por sugestão de vários assistentes ao espetáculo, agora se publica.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que o seja em boa hora.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Transcreve-se, de seguida, o início e o final do poema''':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* '''Início''' &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Vila Real aquela,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A das ruas em esquadria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi que nasceu o cantor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De inspiração mais singela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E mais popular sabor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Desta província algarvia.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Lá, foi menino e brincou,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Naquela alegre inocência&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De correr e de brincar,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que é toda a nossa ciência,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Antes de a vida pesar.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Até os seis ou sete anos,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Na terra natal viveu;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Depois, foi ao seu destino,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
P'ra Loulé, onde aprendeu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Os primeiros rudimentos,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que a vida lhe ensinaria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De um longo rol de tormentos,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que tudo passaria.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(P.5)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* '''Final'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
«E, como as folhas caindo,&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
também da vida tombou&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
o coração que a cantou:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
a alma ao corpo fugiu&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
e o pobre Aleixo partiu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
num dia formoso e lindo.»&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
«Mas na sua garra fria&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
a morte apenas levou&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
consigo o homem mortal,&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
que o poeta, esse, ficou,&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
p'ra todo o sempre imortal &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
na sua terra algarvia,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
pois os versos que ditou, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
porque escrever mal sabia, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
eu juro à fé de quem sou,&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
são da mais séria poesia&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
que em português se cantou»'.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Palavra de Professor de Liceu!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(P.15 e 16)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Pode ler o poema todo no seguinte link:&lt;br /&gt;
https://agr-tc.pt/bibliotecas/JM/ORomanceDoPoetaAleixo-LivroDeJoaquimMagalhaes-1959.pdf&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* O mesmo Poema foi republicado no jornal ''&amp;quot;Preto no Branco&amp;quot;'' da Escola Secundária de João de Deus  nº 5, de Abril de 1985, com o título ''&amp;quot;O Poeta Aleixo - O Romance da sua vida...&amp;quot;'', ilustrado com uma xilogravura de '''Manuel Cabanas''', com desenho de '''Tóssan'''.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Magalh%C3%A3es,_Joaquim_-_Romance_do_Poeta_Aleixo&amp;diff=63139</id>
		<title>Magalhães, Joaquim - Romance do Poeta Aleixo</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Magalh%C3%A3es,_Joaquim_-_Romance_do_Poeta_Aleixo&amp;diff=63139"/>
				<updated>2025-12-09T12:17:58Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Romance Poeta Aleixo.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Título - '''Romance do Poeta Aleixo'''&amp;lt;br /&amp;gt;Autor - Joaquim Peixoto Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;Ano de edição - 1959&amp;lt;br /&amp;gt;Natureza / Género - Poema — um esboço biográfico - poético dedicado a António Aleixo, em estilo de “romance” poético.&amp;lt;br /&amp;gt;Contexto - A obra foi escrita integralmente em verso, com 206 estrofes (“duzentos e seis, mais precisamente”).&amp;lt;br /&amp;gt; — Foi lida publicamente pela primeira vez em 1959, numa sessão que antecedeu a representação de “Auto do Curandeiro” em Faro, interpretada pelo grupo cénico do teatro amador local.  A partir da insistência de ouvintes, o poema foi publicado posteriormente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Joaquim Magalhães''' - ''Romance do Poeta Aleixo''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Prefácio  do livro '''Romance do Poeta Aleixo''' com o título '''POEMA NUMA GAVETA''' - (pág. 3)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Novembro de 1949, poucos dias depois da morte do poeta '''António Aleixo''', ainda fortemente emocionado pelo acontecimento escreveu o autor este &amp;lt;romance &amp;gt;.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Guardado e esquecido numa gaveta, aguardou quase dez anos a oportunidade de ser tirado e lido em público antes da primeira representação, em Faro, do &amp;lt;Auto do Curandeiro&amp;gt; do poeta popular, pelo grupo dos amadores do T. A. F..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por sugestão de vários assistentes ao espetáculo, agora se publica.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que o seja em boa hora.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Transcreve-se, de seguida, o início e o final do poema''':&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* '''Início''' &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Vila Real aquela,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A das ruas em esquadria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi que nasceu o cantor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De inspiração mais singela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E mais popular sabor&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Desta província algarvia.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Lá, foi menino e brincou,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Naquela alegre inocência&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De correr e de brincar,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que é toda a nossa ciência,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Antes de a vida pesar.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Até os seis ou sete anos,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Na terra natal viveu;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Depois, foi ao seu destino,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
P'ra Loulé, onde aprendeu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Os primeiros rudimentos,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que a vida lhe ensinaria,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De um longo rol de tormentos,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que tudo passaria.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(P.5)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* '''Final'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
«E, como as folhas caindo,&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
também da vida tombou&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
o coração que a cantou:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
a alma ao corpo fugiu&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
e o pobre Aleixo partiu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
num dia formoso e lindo.»&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
«Mas na sua garra fria&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
a morte apenas levou&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
consigo o homem mortal,&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
que o poeta, esse, ficou,&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
p'ra todo o sempre imortal &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
na sua terra algarvia,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
pois os versos que ditou, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
porque escrever mal sabia, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
eu juro à fé de quem sou,&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
são da mais séria poesia&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
que em português se cantou»'.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Palavra de Professor de Liceu!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(P.15 e 16)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Pode ler o poema todo no seguinte link:&lt;br /&gt;
https://agr-tc.pt/bibliotecas/JM/ORomanceDoPoetaAleixo-LivroDeJoaquimMagalhaes-1959.pdf&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* O mesmo Poema foi republicado no jornal ''&amp;quot;Preto no Branco&amp;quot;'' da Escola Secundária de João de Deus  nº 5, de Abril de 1985, com o título ''&amp;quot;O Poeta Aleixo - O Romance da sua vida...&amp;quot;'', ilustrado com uma xilogravura de '''Manuel Cabanas''', com desenho de '''Tóssan'''.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:Romance_Poeta_Aleixo.jpg&amp;diff=63138</id>
		<title>File:Romance Poeta Aleixo.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:Romance_Poeta_Aleixo.jpg&amp;diff=63138"/>
				<updated>2025-12-09T12:17:24Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63137</id>
		<title>Braz, João Braz - Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63137"/>
				<updated>2025-12-08T14:45:14Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
João Braz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Braz.jpg|106px]] [[File:João-perfil.jpg|101px]] [[File:Velho.jpg|123px]]  &amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
*'''João Braz''' Machado&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
S. Brás de Alportel, 13/03/1912 - Portimão, 22/06/1993&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Poeta. Jornalista. Escritor. Autor de peças de teatro e de revista. Os seus versos foram ditos por alguns dos maiores declamadores nacionais, como João Villaret e Natália Correia. Fez o curso da[[:Category:Agr._Silves,_em_Silves | Industrial e Comercial de Silves / Secundária de Silves]] &lt;br /&gt;
[[File:Grupo joão.jpg|198px]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em casa de Emiliano da Costa, na aldeia de Estoi, num dos últimos aniversários do poeta.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da esquerda para a direita, em pé, João Braz, Joaquim Magalhães, Elviro da Rocha Gomes e o José Neves Júnior.&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Em 1978, '''Joaquim Magalhães''' escreveu o prefácio para a coletânea de poemas de poetas algarvios organizada por '''João Braz''' na Casa do Algarve, em Lisboa. Neste texto, '''Magalhães''' revela a sua paixão pelo Algarve e pelo seu património literário, valorizando tanto autores consagrados como aqueles menos conhecidos. Mostrando como a cultura regional pode ser celebrada e partilhada com todos, defendendo a importância de ler, ouvir e divulgar poesia.&amp;lt;br /&amp;gt;Ler este prefácio é uma oportunidade de descobrir o entusiasmo de um verdadeiro promotor da cultura algarvia e de perceber como pequenos gestos, como organizar um sarau, podem manter viva a memória literária da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Prefácio escrito por '''Joaquim Magalhães''' para a ''&amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;'', com seleção de '''João Braz'''&lt;br /&gt;
'''''À Maneira de Prefácio'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''Excerto 1'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Todo e qualquer prefácio não passa afinal de posfácio, já que, na realidade, quase sempre é escrito depois da obra feita. Como acontece com este.&lt;br /&gt;
Na Casa do Algarves houve um sarau de poesia com poemas de poetas algarvios selecionados pelo declamador-poeta João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para isso escolheu primeiro e fez, portanto, uma antologia.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quer agora a Casa do Algarves dar-lhe publicação. O que me parece certo. Nunca é demasiado o que se faça dos escritos dos escritores algarvios.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Generosamente acham os seus dirigentes que o trabalho precisa de um apresentador. E escolheram-me para o efeito. Aceitei. Porque este tem sido em parte o  meu destino de algarvio por opção, vai para 45 anos, com tempo de sobra, portanto, para me ter tornado algarvio deveras, como os que mais o são. E mais deliberadamente até, por o ser voluntariamente, com  o coração a bater em uníssono simpático com o que ao Algarve mais importa. Agora e sempre, desde que para cá vim. E nisto tudo estará, com certeza, a fundamentação da escolha. Isto mesmo também torna imperiosa a aceitação do convite.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 2'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A Casa do Algarve  tem sido uma espécie de verdadeiro consulado turístico e cultural da sua província na capital do País. Tem no decurso dos anos da sua existência dado cobertura e apoio a muitas propostas de realizações e sonhos daquilo tudo que, em seu parecer, convém, ou possa vir a ser conveniente para o Algarve.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Persistentemente tem vivido a sonhar com um Algarve que se afirme e se realize com ações de características muito próprias. Tem sonhado - e, por vezes, visto que os sonhos se realizam - como no caso do Conservatório Regional do Algarve, que foi sonhado em Lisboa e saiu do casulo do sonho para ser a realidade que hoje é, em Faro, onde vive com dificuldades, mas procura cumprir, graças a um leque de carolices que vai desde a da Cruz Vermelha, que lhe dá abrigo e instalações, até ao sacrificado corpo docente que lhe đá a alma, e não só.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pretende, pois, a “Casa do Algarve”  editar esta coletânea de poemas, organizada por João Braz, com os versos que ele escolheu e disse aos sócios da Casa, num serão bem conseguido. João Braz preferiu, claro está, os de que mais gosta, como, de resto fazem todos os antologistas. Segundo o seu critério estético, de acordo com os seus padrões de gosto pessoal. Como, porém, lhe não chama antologia, mas modestamente, uma coletânea, não se estranhará que. tanto de poetas vivos como de já mortos, mas nascidos no Algarve, alguns autores e poemas não figurem na seleção. Poderá assim notar-se a falta, por exemplo de Ramos Rosa, de Gastão Cruz, de Leonel Neves, de Vicente Campinas, de Torcato da Luz, etc. Cito apenas alguns. Porque ainda há mais, claro está. Só que de mais um em mais um, a cadeia é sem fim. Logo temos de entender o critério de João Braz e de nos não esquecermos de que a escolha foi feita para ser ouvida por um público de assistentes curiosos de poesia, sim, mas não com certeza, de amadores muito exigentes. Para os quais, naturalmente e, com o devido respeito, o declamador-poeta escolheu aqueles poemas que em seu parecer obteriam sem problemas uma mais direta adesão de comunicação e simpatia. Para os quais não seriam precisas aquelas introduções exegéticas, ou simples explicações, que facilitam o entendimento do que é  mesmo menos fácil. Ora, como é sabido, muita da produção lírica dos poetas das  mais modernas gerações nem sempre é acessível a um público não-iniciado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 3'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por outro lado é sempre útil divulgar e relembrar poemas grandes dos poetas da província, porque uns são menos lembrados e outros mais ou menos esquecidos. E. num caso ou noutro, esta pequena antologia sem pretensões põe em foco poemas e autores de obras esgotadas. Esta uma outra justificação para a edição.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quanto à inclusão de poemas de João Braz, não houve auto seleção. Sendo poeta também e declamador da sessão, lógico seria que dissesse versos seus, no mesmo serão em que recitou os restantes. A sua inclusão tem, pois, lugar na coletânea do que foi dito no serão. Com escrúpulos dele, mas com justiça, pois não faria sentido que fossem excluídos alguns dos textos ditos, só por serem da autoria do recitador. Daí que a sua publicação se faça aqui, apesar de estarem incluídos na 2.* edição do volume de João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Só nos resta repetir o voto de que este aperitivo sirva de estímulo à curiosidade do eventual leitor para mais intenso proveito e mais profundo convívio com os autores escolhidos e as obras de que os poemas, ora presentes, são apenas uma amostra.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Se tal se conseguir terão sido atingidos todos os objetivos da iniciativa.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim seja.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Faro, 6 de Maio de 1978&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Joaquim Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*LEITURAS:&lt;br /&gt;
*Poema de '''João Braz''' publicado na referida &amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;:&lt;br /&gt;
'''Variações Sobre um Tema Eterno'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tive-a nas mãos inteirinha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aos poucos a fui deixando&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por onde a má sorte minha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aos baldões me ia levando.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, ao longo dos dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que, errado, envelheci,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ficaram-me as mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da vida que não vivi...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pudesse eu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ser outra vez rapaz,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E a vida que Deus me deu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tivesse-a inteira, outra vez,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Fazia de mim e dela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Qualquer coisa grande e bela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como nunca ninguém fez!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de afrontar mares terriveis,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Correr mundo ao apelo das lonjuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Atrever-me às maiores aventuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E derrotar todos os impossíveis!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cada, homem, sem olhar a cor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu havia de ver um meu irmão&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E dar-lhe a minha fé e o meu amor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pôr-lhe uma esp'rança a rir no coração..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de semear&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Meu Sonho enorme e fecundo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E vê-lo, enfim, germinar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nas cinco partes do mundo!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ai, vida daqueles dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que errado me perdi,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E fiquei de mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De tudo o que não vivi!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E forte, alegre e audaz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dar-me à luta com coragem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E, a cada meu passo em frente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Deixar sinal da passagem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De alguém que é vivo e presente!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
... Mas não dá Deus outra vez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A vida que já nos deu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E ai de quem a não prendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem a não agarrou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ai daquele que se fez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aquilo que eu hoje sou:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Chama que não acendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Asa que nunca voou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''''A que me trouxe o Amor''''' ([blogue https://poemas-poestas.blogspot.com/2008/06/joo-braz_07.html no blogue Poemas &amp;amp; Poetas)&lt;br /&gt;
A que me trouxe o Amor veio à tardinha,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com sol nos olhos e com mel na boca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em gestos coleantes de gatinha,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aninhar-se em meus braços p`ra ser minha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Um breve instante, numa entrega louca!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
As minhas mãos morenas, enlaçei-as&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nas suas brancas mãos---lírios em flor;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dei-lh`as vazias, tristes e plebeias,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E elas ficaram milionárias, cheias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da alma daquela que me trouxe o Amor...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A que me trouxe o Amor veio de mansinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com graças de menina e de mulher,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto ao meu peito procurar carinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pomba cansada que regressa ao ninho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para suavemente adormecer.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*De Braço Dado - [https://www.facebook.com/groups/109160642455237/permalink/25267555709522383/ Poema publicado no facebook por Graça Braz]&lt;br /&gt;
[[File:De-braco-dado JoaoBraz aoDrJoaquimMagalhaes.jpg]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:S. Brás de Alportel]][[Category:Silves]][[Category:Portimão]][[Category:Agr. Silves, em Silves]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o&amp;diff=63136</id>
		<title>Braz, João</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o&amp;diff=63136"/>
				<updated>2025-12-08T14:45:08Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:Braz.jpg|106px]] [[File:João-perfil.jpg|101px]] [[File:Velho.jpg|123px]]  &amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
*'''João Braz''' Machado&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
S. Brás de Alportel, 13/03/1912 - Portimão, 22/06/1993&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Poeta. Jornalista. Escritor. Autor de peças de teatro e de revista. Os seus versos foram ditos por alguns dos maiores declamadores nacionais, como João Villaret e Natália Correia. Fez o curso da[[:Category:Agr._Silves,_em_Silves | Industrial e Comercial de Silves / Secundária de Silves]] &lt;br /&gt;
[[File:Poemas.jpg|221px]] [[File:Estátua joão.png]] &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Grupo joão.jpg|198px]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em casa de Emiliano da Costa, na aldeia de Estoi, num dos últimos aniversários do poeta. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da esquerda para a direita, em pé, João Braz, Joaquim Magalhães, Elviro da Rocha Gomes e o José Neves Júnior.&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''O mundo, pião de Deus&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Nunca em tal tinha pensado!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E fiquei muito admirado&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
com a lição que aprendi&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Roda o Mundo... e o caso é&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
que eu ando a rodar em pé&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
e ainda não entonteci!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ora um dia, em pequenino,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
disseram-me que o destino&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
e mares, terras, e céus&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
eram fruto de labôr &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
insano do Creador &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
e o Creador era Deus.... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Mas, pondo o caso em estudo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
reparo que nisto tudo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
reina grande confusão; &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
pois no Céu, seria asneira &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Deus andar, por brincadeira, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sempre a jogar ao pião..... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E nem o meu professor &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
decifra, sem aranzel &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
este segredo profundo:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Onde é que Nosso Senhor &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
foi arranjar um cordel &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
p'ra fazer rodar o Mundo? &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''Quadras soltas &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Toda a riqueza que em vida &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
alcança a nossa ambição, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pela morte é reduzida &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A sete palmos de chão. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pedi. Disseste que não. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Mas com tal graça me olhaste, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
que eu tive de ser ladrão &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Do beijo que me negaste. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com riquezas não me iludo, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que a fortuna nada indica. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Falta às vezes quase tudo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A gente que é muito rica. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A alegria, quando passa, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nunca pára em meu caminho... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
É mais amiga a desgraça, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que não me deixa sozinho... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''Notas Biográficas'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''João Braz''' aclamado &amp;quot;Príncipe dos Poetas Algarvios&amp;quot;, nos Jogos Florais Nacionais, em 1951, consagração máxima atribuída ao maior dos maiores, ganhou o seu primeiro prémio em concurso de poesia aos 13 anos.&lt;br /&gt;
João Villaret e Natália Correia, entre outros, dois dos grandes declamadores nacionais disseram os seus versos.&lt;br /&gt;
Na sua atividade como jornalista '''João Braz''' fundou e dirigiu &amp;quot;A Rajada&amp;quot;, colaborou nos jornais &amp;quot;O Diabo&amp;quot;, &amp;quot;Ala Esquerda&amp;quot;, &amp;quot;Vibração&amp;quot;, &amp;quot;Espectáculo&amp;quot;, &amp;quot;Artes e Letras&amp;quot;, &amp;quot;Diário de Lisboa&amp;quot;, &amp;quot;Diário Illustrado&amp;quot;, &amp;quot;Correio do Sul&amp;quot;, &amp;quot;Jornal do Algarve&amp;quot; e &amp;quot;Diário do Alentejo&amp;quot;.&lt;br /&gt;
Escreveu para o teatro de revista, as peças «Sendo assim está certo…», «Fitas faladas», «Feira de Agosto» e «Isto só visto», com a qual foi inaugurado o antigo Cineteatro de Portimão, recebeu o «Prémio Diário de Lisboa» pela peça em um ato «Casar por anúncio», para teatro. Toda a sua obra para teatro  foi já representada, mas não editada, além disso é autor de três autos em verso. Integra a toponímia da sua terra natal, S. Brás de Alportel, Portimão e Lagos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Livro joão.jpeg|129px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Bibliografia''' &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Esta Riqueza Que O Senhor Me Deu (1953)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Colectânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Peças de Teatro e Revistas''' &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Casar por Anúncio &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Sendo Assim Está Certo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Fitas Faladas &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Isto Só Visto &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Feira de Agosto&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Autos de El-Rei Xéxé &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Serração da Velha &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Máscaras&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:S. Brás de Alportel]][[Category:Silves]][[Category:Portimão]][[Category:Agr. Silves, em Silves]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63135</id>
		<title>Braz, João Braz - Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63135"/>
				<updated>2025-12-08T14:42:04Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
João Braz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Braz.jpg|106px]] [[File:João-perfil.jpg|101px]] [[File:Velho.jpg|123px]]  &amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
*'''João Braz''' Machado&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
S. Brás de Alportel, 13/03/1912 - Portimão, 22/06/1993&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Poeta. Jornalista. Escritor. Autor de peças de teatro e de revista. Os seus versos foram ditos por alguns dos maiores declamadores nacionais, como João Villaret e Natália Correia. Fez o curso da[[:Category:Agr._Silves,_em_Silves | Industrial e Comercial de Silves / Secundária de Silves]] &lt;br /&gt;
[[File:Grupo joão.jpg|198px]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em casa de Emiliano da Costa, na aldeia de Estoi, num dos últimos aniversários do poeta.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da esquerda para a direita, em pé, João Braz, Joaquim Magalhães, Elviro da Rocha Gomes e o José Neves Júnior.&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Em 1978, '''Joaquim Magalhães''' escreveu o prefácio para a coletânea de poemas de poetas algarvios organizada por '''João Braz''' na Casa do Algarve, em Lisboa. Neste texto, '''Magalhães''' revela a sua paixão pelo Algarve e pelo seu património literário, valorizando tanto autores consagrados como aqueles menos conhecidos. Mostrando como a cultura regional pode ser celebrada e partilhada com todos, defendendo a importância de ler, ouvir e divulgar poesia.&amp;lt;br /&amp;gt;Ler este prefácio é uma oportunidade de descobrir o entusiasmo de um verdadeiro promotor da cultura algarvia e de perceber como pequenos gestos, como organizar um sarau, podem manter viva a memória literária da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Prefácio escrito por '''Joaquim Magalhães''' para a ''&amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;'', com seleção de '''João Braz'''&lt;br /&gt;
'''''À Maneira de Prefácio'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''Excerto 1'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Todo e qualquer prefácio não passa afinal de posfácio, já que, na realidade, quase sempre é escrito depois da obra feita. Como acontece com este.&lt;br /&gt;
Na Casa do Algarves houve um sarau de poesia com poemas de poetas algarvios selecionados pelo declamador-poeta João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para isso escolheu primeiro e fez, portanto, uma antologia.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quer agora a Casa do Algarves dar-lhe publicação. O que me parece certo. Nunca é demasiado o que se faça dos escritos dos escritores algarvios.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Generosamente acham os seus dirigentes que o trabalho precisa de um apresentador. E escolheram-me para o efeito. Aceitei. Porque este tem sido em parte o  meu destino de algarvio por opção, vai para 45 anos, com tempo de sobra, portanto, para me ter tornado algarvio deveras, como os que mais o são. E mais deliberadamente até, por o ser voluntariamente, com  o coração a bater em uníssono simpático com o que ao Algarve mais importa. Agora e sempre, desde que para cá vim. E nisto tudo estará, com certeza, a fundamentação da escolha. Isto mesmo também torna imperiosa a aceitação do convite.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 2'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A Casa do Algarve  tem sido uma espécie de verdadeiro consulado turístico e cultural da sua província na capital do País. Tem no decurso dos anos da sua existência dado cobertura e apoio a muitas propostas de realizações e sonhos daquilo tudo que, em seu parecer, convém, ou possa vir a ser conveniente para o Algarve.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Persistentemente tem vivido a sonhar com um Algarve que se afirme e se realize com ações de características muito próprias. Tem sonhado - e, por vezes, visto que os sonhos se realizam - como no caso do Conservatório Regional do Algarve, que foi sonhado em Lisboa e saiu do casulo do sonho para ser a realidade que hoje é, em Faro, onde vive com dificuldades, mas procura cumprir, graças a um leque de carolices que vai desde a da Cruz Vermelha, que lhe dá abrigo e instalações, até ao sacrificado corpo docente que lhe đá a alma, e não só.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pretende, pois, a “Casa do Algarve”  editar esta coletânea de poemas, organizada por João Braz, com os versos que ele escolheu e disse aos sócios da Casa, num serão bem conseguido. João Braz preferiu, claro está, os de que mais gosta, como, de resto fazem todos os antologistas. Segundo o seu critério estético, de acordo com os seus padrões de gosto pessoal. Como, porém, lhe não chama antologia, mas modestamente, uma coletânea, não se estranhará que. tanto de poetas vivos como de já mortos, mas nascidos no Algarve, alguns autores e poemas não figurem na seleção. Poderá assim notar-se a falta, por exemplo de Ramos Rosa, de Gastão Cruz, de Leonel Neves, de Vicente Campinas, de Torcato da Luz, etc. Cito apenas alguns. Porque ainda há mais, claro está. Só que de mais um em mais um, a cadeia é sem fim. Logo temos de entender o critério de João Braz e de nos não esquecermos de que a escolha foi feita para ser ouvida por um público de assistentes curiosos de poesia, sim, mas não com certeza, de amadores muito exigentes. Para os quais, naturalmente e, com o devido respeito, o declamador-poeta escolheu aqueles poemas que em seu parecer obteriam sem problemas uma mais direta adesão de comunicação e simpatia. Para os quais não seriam precisas aquelas introduções exegéticas, ou simples explicações, que facilitam o entendimento do que é  mesmo menos fácil. Ora, como é sabido, muita da produção lírica dos poetas das  mais modernas gerações nem sempre é acessível a um público não-iniciado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 3'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por outro lado é sempre útil divulgar e relembrar poemas grandes dos poetas da província, porque uns são menos lembrados e outros mais ou menos esquecidos. E. num caso ou noutro, esta pequena antologia sem pretensões põe em foco poemas e autores de obras esgotadas. Esta uma outra justificação para a edição.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quanto à inclusão de poemas de João Braz, não houve auto seleção. Sendo poeta também e declamador da sessão, lógico seria que dissesse versos seus, no mesmo serão em que recitou os restantes. A sua inclusão tem, pois, lugar na coletânea do que foi dito no serão. Com escrúpulos dele, mas com justiça, pois não faria sentido que fossem excluídos alguns dos textos ditos, só por serem da autoria do recitador. Daí que a sua publicação se faça aqui, apesar de estarem incluídos na 2.* edição do volume de João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Só nos resta repetir o voto de que este aperitivo sirva de estímulo à curiosidade do eventual leitor para mais intenso proveito e mais profundo convívio com os autores escolhidos e as obras de que os poemas, ora presentes, são apenas uma amostra.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Se tal se conseguir terão sido atingidos todos os objetivos da iniciativa.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim seja.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Faro, 6 de Maio de 1978&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Joaquim Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*LEITURAS:&lt;br /&gt;
*Poema de '''João Braz''' publicado na referida &amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;:&lt;br /&gt;
'''Variações Sobre um Tema Eterno'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tive-a nas mãos inteirinha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aos poucos a fui deixando&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por onde a má sorte minha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aos baldões me ia levando.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, ao longo dos dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que, errado, envelheci,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ficaram-me as mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da vida que não vivi...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pudesse eu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ser outra vez rapaz,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E a vida que Deus me deu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tivesse-a inteira, outra vez,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Fazia de mim e dela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Qualquer coisa grande e bela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como nunca ninguém fez!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de afrontar mares terriveis,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Correr mundo ao apelo das lonjuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Atrever-me às maiores aventuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E derrotar todos os impossíveis!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cada, homem, sem olhar a cor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu havia de ver um meu irmão&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E dar-lhe a minha fé e o meu amor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pôr-lhe uma esp'rança a rir no coração..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de semear&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Meu Sonho enorme e fecundo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E vê-lo, enfim, germinar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nas cinco partes do mundo!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ai, vida daqueles dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que errado me perdi,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E fiquei de mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De tudo o que não vivi!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E forte, alegre e audaz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dar-me à luta com coragem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E, a cada meu passo em frente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Deixar sinal da passagem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De alguém que é vivo e presente!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
... Mas não dá Deus outra vez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A vida que já nos deu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E ai de quem a não prendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem a não agarrou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ai daquele que se fez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aquilo que eu hoje sou:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Chama que não acendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Asa que nunca voou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''''A que me trouxe o Amor''''' ([blogue https://poemas-poestas.blogspot.com/2008/06/joo-braz_07.html no blogue Poemas &amp;amp; Poetas)&lt;br /&gt;
A que me trouxe o Amor veio à tardinha,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com sol nos olhos e com mel na boca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em gestos coleantes de gatinha,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aninhar-se em meus braços p`ra ser minha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Um breve instante, numa entrega louca!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
As minhas mãos morenas, enlaçei-as&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nas suas brancas mãos---lírios em flor;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dei-lh`as vazias, tristes e plebeias,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E elas ficaram milionárias, cheias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da alma daquela que me trouxe o Amor...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A que me trouxe o Amor veio de mansinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com graças de menina e de mulher,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto ao meu peito procurar carinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pomba cansada que regressa ao ninho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para suavemente adormecer.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*De Braço Dado - [https://www.facebook.com/groups/109160642455237/permalink/25267555709522383/ Poema publicado no facebook por Graça Braz]&lt;br /&gt;
[[File:De-braco-dado JoaoBraz aoDrJoaquimMagalhaes.jpg]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:S. Brás de Alportel]][[Category:Silves]][[Category:Portimão]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63134</id>
		<title>Braz, João Braz - Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63134"/>
				<updated>2025-12-08T14:41:08Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
João Braz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Braz.jpg|106px]] [[File:João-perfil.jpg|101px]] [[File:Velho.jpg|123px]]  &amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
*'''João Braz''' Machado&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
S. Brás de Alportel, 13/03/1912 - Portimão, 22/06/1993&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Poeta. Jornalista. Escritor. Autor de peças de teatro e de revista. Os seus versos foram ditos por alguns dos maiores declamadores nacionais, como João Villaret e Natália Correia. Fez o curso da [[:Category:Agr._Silves,_em_Silves | Industrial e Comercial de Silves / Secundária de Silves]] &lt;br /&gt;
[[File:Grupo joão.jpg|198px]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em casa de Emiliano da Costa, na aldeia de Estoi, num dos últimos aniversários do poeta.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da esquerda para a direita, em pé, João Braz, Joaquim Magalhães, Elviro da Rocha Gomes e o José Neves Júnior.&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Em 1978, '''Joaquim Magalhães''' escreveu o prefácio para a coletânea de poemas de poetas algarvios organizada por '''João Braz''' na Casa do Algarve, em Lisboa. Neste texto, '''Magalhães''' revela a sua paixão pelo Algarve e pelo seu património literário, valorizando tanto autores consagrados como aqueles menos conhecidos. Mostrando como a cultura regional pode ser celebrada e partilhada com todos, defendendo a importância de ler, ouvir e divulgar poesia.&amp;lt;br /&amp;gt;Ler este prefácio é uma oportunidade de descobrir o entusiasmo de um verdadeiro promotor da cultura algarvia e de perceber como pequenos gestos, como organizar um sarau, podem manter viva a memória literária da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Prefácio escrito por '''Joaquim Magalhães''' para a ''&amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;'', com seleção de '''João Braz'''&lt;br /&gt;
'''''À Maneira de Prefácio'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''Excerto 1'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Todo e qualquer prefácio não passa afinal de posfácio, já que, na realidade, quase sempre é escrito depois da obra feita. Como acontece com este.&lt;br /&gt;
Na Casa do Algarves houve um sarau de poesia com poemas de poetas algarvios selecionados pelo declamador-poeta João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para isso escolheu primeiro e fez, portanto, uma antologia.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quer agora a Casa do Algarves dar-lhe publicação. O que me parece certo. Nunca é demasiado o que se faça dos escritos dos escritores algarvios.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Generosamente acham os seus dirigentes que o trabalho precisa de um apresentador. E escolheram-me para o efeito. Aceitei. Porque este tem sido em parte o  meu destino de algarvio por opção, vai para 45 anos, com tempo de sobra, portanto, para me ter tornado algarvio deveras, como os que mais o são. E mais deliberadamente até, por o ser voluntariamente, com  o coração a bater em uníssono simpático com o que ao Algarve mais importa. Agora e sempre, desde que para cá vim. E nisto tudo estará, com certeza, a fundamentação da escolha. Isto mesmo também torna imperiosa a aceitação do convite.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 2'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A Casa do Algarve  tem sido uma espécie de verdadeiro consulado turístico e cultural da sua província na capital do País. Tem no decurso dos anos da sua existência dado cobertura e apoio a muitas propostas de realizações e sonhos daquilo tudo que, em seu parecer, convém, ou possa vir a ser conveniente para o Algarve.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Persistentemente tem vivido a sonhar com um Algarve que se afirme e se realize com ações de características muito próprias. Tem sonhado - e, por vezes, visto que os sonhos se realizam - como no caso do Conservatório Regional do Algarve, que foi sonhado em Lisboa e saiu do casulo do sonho para ser a realidade que hoje é, em Faro, onde vive com dificuldades, mas procura cumprir, graças a um leque de carolices que vai desde a da Cruz Vermelha, que lhe dá abrigo e instalações, até ao sacrificado corpo docente que lhe đá a alma, e não só.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pretende, pois, a “Casa do Algarve”  editar esta coletânea de poemas, organizada por João Braz, com os versos que ele escolheu e disse aos sócios da Casa, num serão bem conseguido. João Braz preferiu, claro está, os de que mais gosta, como, de resto fazem todos os antologistas. Segundo o seu critério estético, de acordo com os seus padrões de gosto pessoal. Como, porém, lhe não chama antologia, mas modestamente, uma coletânea, não se estranhará que. tanto de poetas vivos como de já mortos, mas nascidos no Algarve, alguns autores e poemas não figurem na seleção. Poderá assim notar-se a falta, por exemplo de Ramos Rosa, de Gastão Cruz, de Leonel Neves, de Vicente Campinas, de Torcato da Luz, etc. Cito apenas alguns. Porque ainda há mais, claro está. Só que de mais um em mais um, a cadeia é sem fim. Logo temos de entender o critério de João Braz e de nos não esquecermos de que a escolha foi feita para ser ouvida por um público de assistentes curiosos de poesia, sim, mas não com certeza, de amadores muito exigentes. Para os quais, naturalmente e, com o devido respeito, o declamador-poeta escolheu aqueles poemas que em seu parecer obteriam sem problemas uma mais direta adesão de comunicação e simpatia. Para os quais não seriam precisas aquelas introduções exegéticas, ou simples explicações, que facilitam o entendimento do que é  mesmo menos fácil. Ora, como é sabido, muita da produção lírica dos poetas das  mais modernas gerações nem sempre é acessível a um público não-iniciado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 3'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por outro lado é sempre útil divulgar e relembrar poemas grandes dos poetas da província, porque uns são menos lembrados e outros mais ou menos esquecidos. E. num caso ou noutro, esta pequena antologia sem pretensões põe em foco poemas e autores de obras esgotadas. Esta uma outra justificação para a edição.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quanto à inclusão de poemas de João Braz, não houve auto seleção. Sendo poeta também e declamador da sessão, lógico seria que dissesse versos seus, no mesmo serão em que recitou os restantes. A sua inclusão tem, pois, lugar na coletânea do que foi dito no serão. Com escrúpulos dele, mas com justiça, pois não faria sentido que fossem excluídos alguns dos textos ditos, só por serem da autoria do recitador. Daí que a sua publicação se faça aqui, apesar de estarem incluídos na 2.* edição do volume de João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Só nos resta repetir o voto de que este aperitivo sirva de estímulo à curiosidade do eventual leitor para mais intenso proveito e mais profundo convívio com os autores escolhidos e as obras de que os poemas, ora presentes, são apenas uma amostra.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Se tal se conseguir terão sido atingidos todos os objetivos da iniciativa.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim seja.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Faro, 6 de Maio de 1978&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Joaquim Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*LEITURAS:&lt;br /&gt;
*Poema de '''João Braz''' publicado na referida &amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;:&lt;br /&gt;
'''Variações Sobre um Tema Eterno'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tive-a nas mãos inteirinha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aos poucos a fui deixando&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por onde a má sorte minha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aos baldões me ia levando.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, ao longo dos dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que, errado, envelheci,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ficaram-me as mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da vida que não vivi...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pudesse eu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ser outra vez rapaz,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E a vida que Deus me deu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tivesse-a inteira, outra vez,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Fazia de mim e dela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Qualquer coisa grande e bela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como nunca ninguém fez!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de afrontar mares terriveis,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Correr mundo ao apelo das lonjuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Atrever-me às maiores aventuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E derrotar todos os impossíveis!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cada, homem, sem olhar a cor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu havia de ver um meu irmão&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E dar-lhe a minha fé e o meu amor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pôr-lhe uma esp'rança a rir no coração..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de semear&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Meu Sonho enorme e fecundo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E vê-lo, enfim, germinar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nas cinco partes do mundo!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ai, vida daqueles dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que errado me perdi,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E fiquei de mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De tudo o que não vivi!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E forte, alegre e audaz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dar-me à luta com coragem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E, a cada meu passo em frente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Deixar sinal da passagem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De alguém que é vivo e presente!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
... Mas não dá Deus outra vez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A vida que já nos deu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E ai de quem a não prendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem a não agarrou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ai daquele que se fez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aquilo que eu hoje sou:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Chama que não acendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Asa que nunca voou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''''A que me trouxe o Amor''''' ([blogue https://poemas-poestas.blogspot.com/2008/06/joo-braz_07.html no blogue Poemas &amp;amp; Poetas)&lt;br /&gt;
A que me trouxe o Amor veio à tardinha,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com sol nos olhos e com mel na boca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em gestos coleantes de gatinha,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aninhar-se em meus braços p`ra ser minha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Um breve instante, numa entrega louca!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
As minhas mãos morenas, enlaçei-as&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nas suas brancas mãos---lírios em flor;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dei-lh`as vazias, tristes e plebeias,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E elas ficaram milionárias, cheias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da alma daquela que me trouxe o Amor...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A que me trouxe o Amor veio de mansinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com graças de menina e de mulher,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto ao meu peito procurar carinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pomba cansada que regressa ao ninho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para suavemente adormecer.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*De Braço Dado - [https://www.facebook.com/groups/109160642455237/permalink/25267555709522383/ Poema publicado no facebook por Graça Braz]&lt;br /&gt;
[[File:De-braco-dado JoaoBraz aoDrJoaquimMagalhaes.jpg]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:S. Brás de Alportel]][[Category:Silves]][[Category:Portimão]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63133</id>
		<title>Braz, João Braz - Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63133"/>
				<updated>2025-12-08T14:31:54Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
João Braz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Braz.jpg|106px]] [[File:João-perfil.jpg|101px]] [[File:Velho.jpg|123px]]  &amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
*'''João Braz''' Machado&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
S. Brás de Alportel, 13/03/1912 - Portimão, 22/06/1993&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Poeta. Jornalista. Escritor. Autor de peças de teatro e de revista. Os seus versos foram ditos por alguns dos maiores declamadores nacionais, como João Villaret e Natália Correia.&lt;br /&gt;
[[File:Grupo joão.jpg|198px]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em casa de Emiliano da Costa, na aldeia de Estoi, num dos últimos aniversários do poeta. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da esquerda para a direita, em pé, João Braz, Joaquim Magalhães, Elviro da Rocha Gomes e o José Neves Júnior.&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Em 1978, '''Joaquim Magalhães''' escreveu o prefácio para a coletânea de poemas de poetas algarvios organizada por '''João Braz''' na Casa do Algarve, em Lisboa. Neste texto, '''Magalhães''' revela a sua paixão pelo Algarve e pelo seu património literário, valorizando tanto autores consagrados como aqueles menos conhecidos. Mostrando como a cultura regional pode ser celebrada e partilhada com todos, defendendo a importância de ler, ouvir e divulgar poesia.&amp;lt;br /&amp;gt;Ler este prefácio é uma oportunidade de descobrir o entusiasmo de um verdadeiro promotor da cultura algarvia e de perceber como pequenos gestos, como organizar um sarau, podem manter viva a memória literária da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Prefácio escrito por '''Joaquim Magalhães''' para a ''&amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;'', com seleção de '''João Braz'''&lt;br /&gt;
'''''À Maneira de Prefácio'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''Excerto 1'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Todo e qualquer prefácio não passa afinal de posfácio, já que, na realidade, quase sempre é escrito depois da obra feita. Como acontece com este.&lt;br /&gt;
Na Casa do Algarves houve um sarau de poesia com poemas de poetas algarvios selecionados pelo declamador-poeta João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para isso escolheu primeiro e fez, portanto, uma antologia.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quer agora a Casa do Algarves dar-lhe publicação. O que me parece certo. Nunca é demasiado o que se faça dos escritos dos escritores algarvios.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Generosamente acham os seus dirigentes que o trabalho precisa de um apresentador. E escolheram-me para o efeito. Aceitei. Porque este tem sido em parte o  meu destino de algarvio por opção, vai para 45 anos, com tempo de sobra, portanto, para me ter tornado algarvio deveras, como os que mais o são. E mais deliberadamente até, por o ser voluntariamente, com  o coração a bater em uníssono simpático com o que ao Algarve mais importa. Agora e sempre, desde que para cá vim. E nisto tudo estará, com certeza, a fundamentação da escolha. Isto mesmo também torna imperiosa a aceitação do convite.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 2'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A Casa do Algarve  tem sido uma espécie de verdadeiro consulado turístico e cultural da sua província na capital do País. Tem no decurso dos anos da sua existência dado cobertura e apoio a muitas propostas de realizações e sonhos daquilo tudo que, em seu parecer, convém, ou possa vir a ser conveniente para o Algarve.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Persistentemente tem vivido a sonhar com um Algarve que se afirme e se realize com ações de características muito próprias. Tem sonhado - e, por vezes, visto que os sonhos se realizam - como no caso do Conservatório Regional do Algarve, que foi sonhado em Lisboa e saiu do casulo do sonho para ser a realidade que hoje é, em Faro, onde vive com dificuldades, mas procura cumprir, graças a um leque de carolices que vai desde a da Cruz Vermelha, que lhe dá abrigo e instalações, até ao sacrificado corpo docente que lhe đá a alma, e não só.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pretende, pois, a “Casa do Algarve”  editar esta coletânea de poemas, organizada por João Braz, com os versos que ele escolheu e disse aos sócios da Casa, num serão bem conseguido. João Braz preferiu, claro está, os de que mais gosta, como, de resto fazem todos os antologistas. Segundo o seu critério estético, de acordo com os seus padrões de gosto pessoal. Como, porém, lhe não chama antologia, mas modestamente, uma coletânea, não se estranhará que. tanto de poetas vivos como de já mortos, mas nascidos no Algarve, alguns autores e poemas não figurem na seleção. Poderá assim notar-se a falta, por exemplo de Ramos Rosa, de Gastão Cruz, de Leonel Neves, de Vicente Campinas, de Torcato da Luz, etc. Cito apenas alguns. Porque ainda há mais, claro está. Só que de mais um em mais um, a cadeia é sem fim. Logo temos de entender o critério de João Braz e de nos não esquecermos de que a escolha foi feita para ser ouvida por um público de assistentes curiosos de poesia, sim, mas não com certeza, de amadores muito exigentes. Para os quais, naturalmente e, com o devido respeito, o declamador-poeta escolheu aqueles poemas que em seu parecer obteriam sem problemas uma mais direta adesão de comunicação e simpatia. Para os quais não seriam precisas aquelas introduções exegéticas, ou simples explicações, que facilitam o entendimento do que é  mesmo menos fácil. Ora, como é sabido, muita da produção lírica dos poetas das  mais modernas gerações nem sempre é acessível a um público não-iniciado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 3'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por outro lado é sempre útil divulgar e relembrar poemas grandes dos poetas da província, porque uns são menos lembrados e outros mais ou menos esquecidos. E. num caso ou noutro, esta pequena antologia sem pretensões põe em foco poemas e autores de obras esgotadas. Esta uma outra justificação para a edição.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quanto à inclusão de poemas de João Braz, não houve auto seleção. Sendo poeta também e declamador da sessão, lógico seria que dissesse versos seus, no mesmo serão em que recitou os restantes. A sua inclusão tem, pois, lugar na coletânea do que foi dito no serão. Com escrúpulos dele, mas com justiça, pois não faria sentido que fossem excluídos alguns dos textos ditos, só por serem da autoria do recitador. Daí que a sua publicação se faça aqui, apesar de estarem incluídos na 2.* edição do volume de João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Só nos resta repetir o voto de que este aperitivo sirva de estímulo à curiosidade do eventual leitor para mais intenso proveito e mais profundo convívio com os autores escolhidos e as obras de que os poemas, ora presentes, são apenas uma amostra.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Se tal se conseguir terão sido atingidos todos os objetivos da iniciativa.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim seja.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Faro, 6 de Maio de 1978&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Joaquim Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*LEITURAS:&lt;br /&gt;
*Poema de '''João Braz''' publicado na referida &amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;:&lt;br /&gt;
'''Variações Sobre um Tema Eterno'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tive-a nas mãos inteirinha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aos poucos a fui deixando&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por onde a má sorte minha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aos baldões me ia levando.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, ao longo dos dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que, errado, envelheci,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ficaram-me as mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da vida que não vivi...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pudesse eu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ser outra vez rapaz,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E a vida que Deus me deu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tivesse-a inteira, outra vez,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Fazia de mim e dela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Qualquer coisa grande e bela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como nunca ninguém fez!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de afrontar mares terriveis,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Correr mundo ao apelo das lonjuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Atrever-me às maiores aventuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E derrotar todos os impossíveis!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cada, homem, sem olhar a cor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu havia de ver um meu irmão&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E dar-lhe a minha fé e o meu amor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pôr-lhe uma esp'rança a rir no coração..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de semear&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Meu Sonho enorme e fecundo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E vê-lo, enfim, germinar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nas cinco partes do mundo!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ai, vida daqueles dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que errado me perdi,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E fiquei de mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De tudo o que não vivi!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E forte, alegre e audaz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dar-me à luta com coragem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E, a cada meu passo em frente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Deixar sinal da passagem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De alguém que é vivo e presente!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
... Mas não dá Deus outra vez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A vida que já nos deu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E ai de quem a não prendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem a não agarrou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ai daquele que se fez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aquilo que eu hoje sou:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Chama que não acendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Asa que nunca voou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''''A que me trouxe o Amor''''' ([blogue https://poemas-poestas.blogspot.com/2008/06/joo-braz_07.html no blogue Poemas &amp;amp; Poetas)&lt;br /&gt;
A que me trouxe o Amor veio à tardinha,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com sol nos olhos e com mel na boca,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em gestos coleantes de gatinha,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aninhar-se em meus braços p`ra ser minha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Um breve instante, numa entrega louca!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
As minhas mãos morenas, enlaçei-as&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nas suas brancas mãos---lírios em flor;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dei-lh`as vazias, tristes e plebeias,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E elas ficaram milionárias, cheias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da alma daquela que me trouxe o Amor...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A que me trouxe o Amor veio de mansinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com graças de menina e de mulher,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Junto ao meu peito procurar carinho,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pomba cansada que regressa ao ninho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para suavemente adormecer.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*De Braço Dado - [https://www.facebook.com/groups/109160642455237/permalink/25267555709522383/ Poema publicado no facebook por Graça Braz]&lt;br /&gt;
[[File:De-braco-dado JoaoBraz aoDrJoaquimMagalhaes.jpg]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:S. Brás de Alportel]][[Category:Portimão]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63132</id>
		<title>Braz, João Braz - Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63132"/>
				<updated>2025-12-08T14:18:03Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
João Braz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Braz.jpg|106px]] [[File:João-perfil.jpg|101px]] [[File:Velho.jpg|123px]]  &amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
*'''João Braz''' Machado&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
S. Brás de Alportel, 13/03/1912 - Portimão, 22/06/1993&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Poeta. Jornalista. Escritor. Autor de peças de teatro e de revista. Os seus versos foram ditos por alguns dos maiores declamadores nacionais, como João Villaret e Natália Correia.&lt;br /&gt;
[[File:Grupo joão.jpg|198px]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em casa de Emiliano da Costa, na aldeia de Estoi, num dos últimos aniversários do poeta. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da esquerda para a direita, em pé, João Braz, Joaquim Magalhães, Elviro da Rocha Gomes e o José Neves Júnior.&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Em 1978, '''Joaquim Magalhães''' escreveu o prefácio para a coletânea de poemas de poetas algarvios organizada por '''João Braz''' na Casa do Algarve, em Lisboa. Neste texto, '''Magalhães''' revela a sua paixão pelo Algarve e pelo seu património literário, valorizando tanto autores consagrados como aqueles menos conhecidos. Mostrando como a cultura regional pode ser celebrada e partilhada com todos, defendendo a importância de ler, ouvir e divulgar poesia.&amp;lt;br /&amp;gt;Ler este prefácio é uma oportunidade de descobrir o entusiasmo de um verdadeiro promotor da cultura algarvia e de perceber como pequenos gestos, como organizar um sarau, podem manter viva a memória literária da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Prefácio escrito por '''Joaquim Magalhães''' para a ''&amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;'', com seleção de '''João Braz'''&lt;br /&gt;
'''''À Maneira de Prefácio'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''Excerto 1'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Todo e qualquer prefácio não passa afinal de posfácio, já que, na realidade, quase sempre é escrito depois da obra feita. Como acontece com este.&lt;br /&gt;
Na Casa do Algarves houve um sarau de poesia com poemas de poetas algarvios selecionados pelo declamador-poeta João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para isso escolheu primeiro e fez, portanto, uma antologia.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quer agora a Casa do Algarves dar-lhe publicação. O que me parece certo. Nunca é demasiado o que se faça dos escritos dos escritores algarvios.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Generosamente acham os seus dirigentes que o trabalho precisa de um apresentador. E escolheram-me para o efeito. Aceitei. Porque este tem sido em parte o  meu destino de algarvio por opção, vai para 45 anos, com tempo de sobra, portanto, para me ter tornado algarvio deveras, como os que mais o são. E mais deliberadamente até, por o ser voluntariamente, com  o coração a bater em uníssono simpático com o que ao Algarve mais importa. Agora e sempre, desde que para cá vim. E nisto tudo estará, com certeza, a fundamentação da escolha. Isto mesmo também torna imperiosa a aceitação do convite.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 2'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A Casa do Algarve  tem sido uma espécie de verdadeiro consulado turístico e cultural da sua província na capital do País. Tem no decurso dos anos da sua existência dado cobertura e apoio a muitas propostas de realizações e sonhos daquilo tudo que, em seu parecer, convém, ou possa vir a ser conveniente para o Algarve.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Persistentemente tem vivido a sonhar com um Algarve que se afirme e se realize com ações de características muito próprias. Tem sonhado - e, por vezes, visto que os sonhos se realizam - como no caso do Conservatório Regional do Algarve, que foi sonhado em Lisboa e saiu do casulo do sonho para ser a realidade que hoje é, em Faro, onde vive com dificuldades, mas procura cumprir, graças a um leque de carolices que vai desde a da Cruz Vermelha, que lhe dá abrigo e instalações, até ao sacrificado corpo docente que lhe đá a alma, e não só.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pretende, pois, a “Casa do Algarve”  editar esta coletânea de poemas, organizada por João Braz, com os versos que ele escolheu e disse aos sócios da Casa, num serão bem conseguido. João Braz preferiu, claro está, os de que mais gosta, como, de resto fazem todos os antologistas. Segundo o seu critério estético, de acordo com os seus padrões de gosto pessoal. Como, porém, lhe não chama antologia, mas modestamente, uma coletânea, não se estranhará que. tanto de poetas vivos como de já mortos, mas nascidos no Algarve, alguns autores e poemas não figurem na seleção. Poderá assim notar-se a falta, por exemplo de Ramos Rosa, de Gastão Cruz, de Leonel Neves, de Vicente Campinas, de Torcato da Luz, etc. Cito apenas alguns. Porque ainda há mais, claro está. Só que de mais um em mais um, a cadeia é sem fim. Logo temos de entender o critério de João Braz e de nos não esquecermos de que a escolha foi feita para ser ouvida por um público de assistentes curiosos de poesia, sim, mas não com certeza, de amadores muito exigentes. Para os quais, naturalmente e, com o devido respeito, o declamador-poeta escolheu aqueles poemas que em seu parecer obteriam sem problemas uma mais direta adesão de comunicação e simpatia. Para os quais não seriam precisas aquelas introduções exegéticas, ou simples explicações, que facilitam o entendimento do que é  mesmo menos fácil. Ora, como é sabido, muita da produção lírica dos poetas das  mais modernas gerações nem sempre é acessível a um público não-iniciado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 3'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por outro lado é sempre útil divulgar e relembrar poemas grandes dos poetas da província, porque uns são menos lembrados e outros mais ou menos esquecidos. E. num caso ou noutro, esta pequena antologia sem pretensões põe em foco poemas e autores de obras esgotadas. Esta uma outra justificação para a edição.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quanto à inclusão de poemas de João Braz, não houve auto seleção. Sendo poeta também e declamador da sessão, lógico seria que dissesse versos seus, no mesmo serão em que recitou os restantes. A sua inclusão tem, pois, lugar na coletânea do que foi dito no serão. Com escrúpulos dele, mas com justiça, pois não faria sentido que fossem excluídos alguns dos textos ditos, só por serem da autoria do recitador. Daí que a sua publicação se faça aqui, apesar de estarem incluídos na 2.* edição do volume de João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Só nos resta repetir o voto de que este aperitivo sirva de estímulo à curiosidade do eventual leitor para mais intenso proveito e mais profundo convívio com os autores escolhidos e as obras de que os poemas, ora presentes, são apenas uma amostra.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Se tal se conseguir terão sido atingidos todos os objetivos da iniciativa.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim seja.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Faro, 6 de Maio de 1978&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Joaquim Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*Poema de '''João Braz''' publicado na referida &amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;:&lt;br /&gt;
'''VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA ETERNO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tive-a nas mãos inteirinha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aos poucos a fui deixando&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por onde a má sorte minha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aos baldões me ia levando.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, ao longo dos dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que, errado, envelheci,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ficaram-me as mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da vida que não vivi...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pudesse eu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ser outra vez rapaz,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E a vida que Deus me deu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tivesse-a inteira, outra vez,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Fazia de mim e dela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Qualquer coisa grande e bela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como nunca ninguém fez!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de afrontar mares terriveis,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Correr mundo ao apelo das lonjuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Atrever-me às maiores aventuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E derrotar todos os impossíveis!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cada, homem, sem olhar a cor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu havia de ver um meu irmão&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E dar-lhe a minha fé e o meu amor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pôr-lhe uma esp'rança a rir no coração..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de semear&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Meu Sonho enorme e fecundo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E vê-lo, enfim, germinar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nas cinco partes do mundo!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ai, vida daqueles dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que errado me perdi,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E fiquei de mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De tudo o que não vivi!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E forte, alegre e audaz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dar-me à luta com coragem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E, a cada meu passo em frente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Deixar sinal da passagem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De alguém que é vivo e presente!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
... Mas não dá Deus outra vez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A vida que já nos deu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E ai de quem a não prendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem a não agarrou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ai daquele que se fez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aquilo que eu hoje sou:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Chama que não acendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Asa que nunca voou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*De Braço Dado - [https://www.facebook.com/groups/109160642455237/permalink/25267555709522383/ Poema publicado no facebook por Graça Braz]&lt;br /&gt;
[[File:De-braco-dado JoaoBraz aoDrJoaquimMagalhaes.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63131</id>
		<title>Braz, João Braz - Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63131"/>
				<updated>2025-12-08T14:14:52Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
João Braz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Braz.jpg|106px]] [[File:João-perfil.jpg|101px]] [[File:Velho.jpg|123px]]  &amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
*'''João Braz''' Machado&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
S. Brás de Alportel, 13/03/1912 - Portimão, 22/06/1993&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Poeta. Jornalista. Escritor. Autor de peças de teatro e de revista. Os seus versos foram ditos por alguns dos maiores declamadores nacionais, como João Villaret e Natália Correia.&lt;br /&gt;
[[File:Grupo joão.jpg|198px]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em casa de Emiliano da Costa, na aldeia de Estoi, num dos últimos aniversários do poeta. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da esquerda para a direita, em pé, João Braz, Joaquim Magalhães, Elviro da Rocha Gomes e o José Neves Júnior.&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Em 1978, '''Joaquim Magalhães''' escreveu o prefácio para a coletânea de poemas de poetas algarvios organizada por '''João Braz''' na Casa do Algarve, em Lisboa. Neste texto, '''Magalhães''' revela a sua paixão pelo Algarve e pelo seu património literário, valorizando tanto autores consagrados como aqueles menos conhecidos. Mostrando como a cultura regional pode ser celebrada e partilhada com todos, defendendo a importância de ler, ouvir e divulgar poesia.&amp;lt;br /&amp;gt;Ler este prefácio é uma oportunidade de descobrir o entusiasmo de um verdadeiro promotor da cultura algarvia e de perceber como pequenos gestos, como organizar um sarau, podem manter viva a memória literária da região.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Prefácio escrito por '''Joaquim Magalhães''' para a ''&amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;'', com seleção de '''João Braz'''&lt;br /&gt;
'''''À Maneira de Prefácio'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''Excerto 1'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Todo e qualquer prefácio não passa afinal de posfácio, já que, na realidade, quase sempre é escrito depois da obra feita. Como acontece com este.&lt;br /&gt;
Na Casa do Algarves houve um sarau de poesia com poemas de poetas algarvios selecionados pelo declamador-poeta João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para isso escolheu primeiro e fez, portanto, uma antologia.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quer agora a Casa do Algarves dar-lhe publicação. O que me parece certo. Nunca é demasiado o que se faça dos escritos dos escritores algarvios.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Generosamente acham os seus dirigentes que o trabalho precisa de um apresentador. E escolheram-me para o efeito. Aceitei. Porque este tem sido em parte o  meu destino de algarvio por opção, vai para 45 anos, com tempo de sobra, portanto, para me ter tornado algarvio deveras, como os que mais o são. E mais deliberadamente até, por o ser voluntariamente, com  o coração a bater em uníssono simpático com o que ao Algarve mais importa. Agora e sempre, desde que para cá vim. E nisto tudo estará, com certeza, a fundamentação da escolha. Isto mesmo também torna imperiosa a aceitação do convite.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 2'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Casa do Algarve  tem sido uma espécie de verdadeiro consulado turístico e cultural da sua província na capital do País. Tem no decurso dos anos da sua existência dado cobertura e apoio a muitas propostas de realizações e sonhos daquilo tudo que, em seu parecer, convém, ou possa vir a ser conveniente para o Algarve.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Persistentemente tem vivido a sonhar com um Algarve que se afirme e se realize com ações de características muito próprias. Tem sonhado - e, por vezes, visto que os sonhos se realizam - como no caso do Conservatório Regional do Algarve, que foi sonhado em Lisboa e saiu do casulo do sonho para ser a realidade que hoje é, em Faro, onde vive com dificuldades, mas procura cumprir, graças a um leque de carolices que vai desde a da Cruz Vermelha, que lhe dá abrigo e instalações, até ao sacrificado corpo docente que lhe đá a alma, e não só.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pretende, pois, a “Casa do Algarve”  editar esta coletânea de poemas, organizada por João Braz, com os versos que ele escolheu e disse aos sócios da Casa, num serão bem conseguido. João Braz preferiu, claro está, os de que mais gosta, como, de resto fazem todos os antologistas. Segundo o seu critério estético, de acordo com os seus padrões de gosto pessoal. Como, porém, lhe não chama antologia, mas modestamente, uma coletânea, não se estranhará que. tanto de poetas vivos como de já mortos, mas nascidos no Algarve, alguns autores e poemas não figurem na seleção. Poderá assim notar-se a falta, por exemplo de Ramos Rosa, de Gastão Cruz, de Leonel Neves, de Vicente Campinas, de Torcato da Luz, etc. Cito apenas alguns. Porque ainda há mais, claro está. Só que de mais um em mais um, a cadeia é sem fim. Logo temos de entender o critério de João Braz e de nos não esquecermos de que a escolha foi feita para ser ouvida por um público de assistentes curiosos de poesia, sim, mas não com certeza, de amadores muito exigentes. Para os quais, naturalmente e, com o devido respeito, o declamador-poeta escolheu aqueles poemas que em seu parecer obteriam sem problemas uma mais direta adesão de comunicação e simpatia. Para os quais não seriam precisas aquelas introduções exegéticas, ou simples explicações, que facilitam o entendimento do que é  mesmo menos fácil. Ora, como é sabido, muita da produção lírica dos poetas das  mais modernas gerações nem sempre é acessível a um público não-iniciado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 3'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado é sempre útil divulgar e relembrar poemas grandes dos poetas da província, porque uns são menos lembrados e outros mais ou menos esquecidos. E. num caso ou noutro, esta pequena antologia sem pretensões põe em foco poemas e autores de obras esgotadas. Esta uma outra justificação para a edição.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quanto à inclusão de poemas de João Braz, não houve auto seleção. Sendo poeta também e declamador da sessão, lógico seria que dissesse versos seus, no mesmo serão em que recitou os restantes. A sua inclusão tem, pois, lugar na coletânea do que foi dito no serão. Com escrúpulos dele, mas com justiça, pois não faria sentido que fossem excluídos alguns dos textos ditos, só por serem da autoria do recitador. Daí que a sua publicação se faça aqui, apesar de estarem incluídos na 2.* edição do volume de João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Só nos resta repetir o voto de que este aperitivo sirva de estímulo à curiosidade do eventual leitor para mais intenso proveito e mais profundo convívio com os autores escolhidos e as obras de que os poemas, ora presentes, são apenas uma amostra.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Se tal se conseguir terão sido atingidos todos os objetivos da iniciativa.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim seja.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Faro, 6 de Maio de 1978&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Joaquim Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Poema de '''João Braz''' publicado na referida &amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;:&lt;br /&gt;
'''VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA ETERNO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tive-a nas mãos inteirinha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aos poucos a fui deixando&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por onde a má sorte minha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aos baldões me ia levando.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, ao longo dos dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que, errado, envelheci,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ficaram-me as mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da vida que não vivi...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pudesse eu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ser outra vez rapaz,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E a vida que Deus me deu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tivesse-a inteira, outra vez,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Fazia de mim e dela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Qualquer coisa grande e bela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como nunca ninguém fez!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de afrontar mares terriveis,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Correr mundo ao apelo das lonjuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Atrever-me às maiores aventuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E derrotar todos os impossíveis!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cada, homem, sem olhar a cor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu havia de ver um meu irmão&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E dar-lhe a minha fé e o meu amor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pôr-lhe uma esp'rança a rir no coração..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de semear&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Meu Sonho enorme e fecundo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E vê-lo, enfim, germinar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nas cinco partes do mundo!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ai, vida daqueles dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que errado me perdi,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E fiquei de mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De tudo o que não vivi!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E forte, alegre e audaz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dar-me à luta com coragem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E, a cada meu passo em frente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Deixar sinal da passagem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De alguém que é vivo e presente!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
... Mas não dá Deus outra vez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A vida que já nos deu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E ai de quem a não prendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem a não agarrou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ai daquele que se fez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aquilo que eu hoje sou:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Chama que não acendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Asa que nunca voou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*De Braço Dado - [https://www.facebook.com/groups/109160642455237/permalink/25267555709522383/ Poema publicado no facebook por Graça Braz]&lt;br /&gt;
[[File:De-braco-dado JoaoBraz aoDrJoaquimMagalhaes.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63130</id>
		<title>Braz, João Braz - Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63130"/>
				<updated>2025-12-08T13:57:35Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
João Braz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Braz.jpg|106px]] [[File:João-perfil.jpg|101px]] [[File:Velho.jpg|123px]]  &amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
*'''João Braz''' Machado&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
S. Brás de Alportel, 13/03/1912 - Portimão, 22/06/1993&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Poeta. Jornalista. Escritor. Autor de peças de teatro e de revista. Os seus versos foram ditos por alguns dos maiores declamadores nacionais, como João Villaret e Natália Correia.&lt;br /&gt;
[[File:Grupo joão.jpg|198px]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em casa de Emiliano da Costa, na aldeia de Estoi, num dos últimos aniversários do poeta. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da esquerda para a direita, em pé, João Braz, Joaquim Magalhães, Elviro da Rocha Gomes e o José Neves Júnior.&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Em 1978, '''Joaquim Magalhães''' escreveu o prefácio para a coletânea de poemas de poetas algarvios organizada por '''João Braz''' na Casa do Algarve, em Lisboa. Neste texto, '''Magalhães''' revela a sua paixão pelo Algarve e pelo seu património literário, valorizando tanto autores consagrados como aqueles menos conhecidos. Mostrando como a cultura regional pode ser celebrada e partilhada com todos, defendendo a importância de ler, ouvir e divulgar poesia.&amp;lt;br /&amp;gt;Ler este prefácio é uma oportunidade de descobrir o entusiasmo de um verdadeiro promotor da cultura algarvia e de perceber como pequenos gestos, como organizar um sarau, podem manter viva a memória literária da região.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;* Prefácio escrito por '''Joaquim Magalhães''' para a ''&amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;'', com seleção de '''João Braz'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''À MANEIRA DE PREFÁCIO'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 1'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo e qualquer prefácio não passa afinal de posfácio, já que, na realidade, quase sempre é escrito depois da obra feita. Como acontece com este.&lt;br /&gt;
Na Casa do Algarves houve um sarau de poesia com poemas de poetas algarvios selecionados pelo declamador-poeta João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para isso escolheu primeiro e fez, portanto, uma antologia.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quer agora a Casa do Algarves dar-lhe publicação. O que me parece certo. Nunca é demasiado o que se faça dos escritos dos escritores algarvios.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Generosamente acham os seus dirigentes que o trabalho precisa de um apresentador. E escolheram-me para o efeito. Aceitei. Porque este tem sido em parte o  meu destino de algarvio por opção, vai para 45 anos, com tempo de sobra, portanto, para me ter tornado algarvio deveras, como os que mais o são. E mais deliberadamente até, por o ser voluntariamente, com  o coração a bater em uníssono simpático com o que ao Algarve mais importa. Agora e sempre, desde que para cá vim. E nisto tudo estará, com certeza, a fundamentação da escolha. Isto mesmo também torna imperiosa a aceitação do convite.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 2'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Casa do Algarve  tem sido uma espécie de verdadeiro consulado turístico e cultural da sua província na capital do País. Tem no decurso dos anos da sua existência dado cobertura e apoio a muitas propostas de realizações e sonhos daquilo tudo que, em seu parecer, convém, ou possa vir a ser conveniente para o Algarve.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Persistentemente tem vivido a sonhar com um Algarve que se afirme e se realize com ações de características muito próprias. Tem sonhado - e, por vezes, visto que os sonhos se realizam - como no caso do Conservatório Regional do Algarve, que foi sonhado em Lisboa e saiu do casulo do sonho para ser a realidade que hoje é, em Faro, onde vive com dificuldades, mas procura cumprir, graças a um leque de carolices que vai desde a da Cruz Vermelha, que lhe dá abrigo e instalações, até ao sacrificado corpo docente que lhe đá a alma, e não só.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pretende, pois, a “Casa do Algarve”  editar esta coletânea de poemas, organizada por João Braz, com os versos que ele escolheu e disse aos sócios da Casa, num serão bem conseguido. João Braz preferiu, claro está, os de que mais gosta, como, de resto fazem todos os antologistas. Segundo o seu critério estético, de acordo com os seus padrões de gosto pessoal. Como, porém, lhe não chama antologia, mas modestamente, uma coletânea, não se estranhará que. tanto de poetas vivos como de já mortos, mas nascidos no Algarve, alguns autores e poemas não figurem na seleção. Poderá assim notar-se a falta, por exemplo de Ramos Rosa, de Gastão Cruz, de Leonel Neves, de Vicente Campinas, de Torcato da Luz, etc. Cito apenas alguns. Porque ainda há mais, claro está. Só que de mais um em mais um, a cadeia é sem fim. Logo temos de entender o critério de João Braz e de nos não esquecermos de que a escolha foi feita para ser ouvida por um público de assistentes curiosos de poesia, sim, mas não com certeza, de amadores muito exigentes. Para os quais, naturalmente e, com o devido respeito, o declamador-poeta escolheu aqueles poemas que em seu parecer obteriam sem problemas uma mais direta adesão de comunicação e simpatia. Para os quais não seriam precisas aquelas introduções exegéticas, ou simples explicações, que facilitam o entendimento do que é  mesmo menos fácil. Ora, como é sabido, muita da produção lírica dos poetas das  mais modernas gerações nem sempre é acessível a um público não-iniciado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 3'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado é sempre útil divulgar e relembrar poemas grandes dos poetas da província, porque uns são menos lembrados e outros mais ou menos esquecidos. E. num caso ou noutro, esta pequena antologia sem pretensões põe em foco poemas e autores de obras esgotadas. Esta uma outra justificação para a edição.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quanto à inclusão de poemas de João Braz, não houve auto seleção. Sendo poeta também e declamador da sessão, lógico seria que dissesse versos seus, no mesmo serão em que recitou os restantes. A sua inclusão tem, pois, lugar na coletânea do que foi dito no serão. Com escrúpulos dele, mas com justiça, pois não faria sentido que fossem excluídos alguns dos textos ditos, só por serem da autoria do recitador. Daí que a sua publicação se faça aqui, apesar de estarem incluídos na 2.* edição do volume de João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Só nos resta repetir o voto de que este aperitivo sirva de estímulo à curiosidade do eventual leitor para mais intenso proveito e mais profundo convívio com os autores escolhidos e as obras de que os poemas, ora presentes, são apenas uma amostra.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Se tal se conseguir terão sido atingidos todos os objetivos da iniciativa.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim seja.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Faro, 6 de Maio de 1978&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Joaquim Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Poema de '''João Braz''' publicado na referida &amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;:&lt;br /&gt;
'''VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA ETERNO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tive-a nas mãos inteirinha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aos poucos a fui deixando&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por onde a má sorte minha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aos baldões me ia levando.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, ao longo dos dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que, errado, envelheci,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ficaram-me as mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da vida que não vivi...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pudesse eu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ser outra vez rapaz,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E a vida que Deus me deu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tivesse-a inteira, outra vez,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Fazia de mim e dela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Qualquer coisa grande e bela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como nunca ninguém fez!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de afrontar mares terriveis,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Correr mundo ao apelo das lonjuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Atrever-me às maiores aventuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E derrotar todos os impossíveis!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cada, homem, sem olhar a cor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu havia de ver um meu irmão&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E dar-lhe a minha fé e o meu amor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pôr-lhe uma esp'rança a rir no coração..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de semear&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Meu Sonho enorme e fecundo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E vê-lo, enfim, germinar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nas cinco partes do mundo!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ai, vida daqueles dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que errado me perdi,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E fiquei de mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De tudo o que não vivi!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E forte, alegre e audaz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dar-me à luta com coragem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E, a cada meu passo em frente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Deixar sinal da passagem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De alguém que é vivo e presente!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
... Mas não dá Deus outra vez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A vida que já nos deu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E ai de quem a não prendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem a não agarrou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ai daquele que se fez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aquilo que eu hoje sou:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Chama que não acendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Asa que nunca voou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*De Braço Dado - [https://www.facebook.com/groups/109160642455237/permalink/25267555709522383/ Poema publicado no facebook por Graça Braz]&lt;br /&gt;
[[File:De-braco-dado JoaoBraz aoDrJoaquimMagalhaes.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o&amp;diff=63129</id>
		<title>Braz, João</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o&amp;diff=63129"/>
				<updated>2025-12-08T13:55:55Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:Braz.jpg|106px]] [[File:João-perfil.jpg|101px]] [[File:Velho.jpg|123px]]  &amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
*'''João Braz''' Machado&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
S. Brás de Alportel, 13/03/1912 - Portimão, 22/06/1993&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Poeta. Jornalista. Escritor. Autor de peças de teatro e de revista. Os seus versos foram ditos por alguns dos maiores declamadores nacionais, como João Villaret e Natália Correia.&lt;br /&gt;
[[File:Poemas.jpg|221px]] [[File:Estátua joão.png]] &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Grupo joão.jpg|198px]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em casa de Emiliano da Costa, na aldeia de Estoi, num dos últimos aniversários do poeta. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da esquerda para a direita, em pé, João Braz, Joaquim Magalhães, Elviro da Rocha Gomes e o José Neves Júnior.&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''O mundo, pião de Deus&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Nunca em tal tinha pensado!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E fiquei muito admirado&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
com a lição que aprendi&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Roda o Mundo... e o caso é&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
que eu ando a rodar em pé&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
e ainda não entonteci!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ora um dia, em pequenino,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
disseram-me que o destino&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
e mares, terras, e céus&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
eram fruto de labôr &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
insano do Creador &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
e o Creador era Deus.... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Mas, pondo o caso em estudo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
reparo que nisto tudo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
reina grande confusão; &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
pois no Céu, seria asneira &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Deus andar, por brincadeira, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sempre a jogar ao pião..... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E nem o meu professor &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
decifra, sem aranzel &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
este segredo profundo:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Onde é que Nosso Senhor &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
foi arranjar um cordel &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
p'ra fazer rodar o Mundo? &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''Quadras soltas &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Toda a riqueza que em vida &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
alcança a nossa ambição, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pela morte é reduzida &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A sete palmos de chão. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pedi. Disseste que não. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Mas com tal graça me olhaste, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
que eu tive de ser ladrão &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Do beijo que me negaste. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com riquezas não me iludo, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que a fortuna nada indica. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Falta às vezes quase tudo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A gente que é muito rica. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A alegria, quando passa, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nunca pára em meu caminho... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
É mais amiga a desgraça, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que não me deixa sozinho... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''Notas Biográficas'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''João Braz''' aclamado &amp;quot;Príncipe dos Poetas Algarvios&amp;quot;, nos Jogos Florais Nacionais, em 1951, consagração máxima atribuída ao maior dos maiores, ganhou o seu primeiro prémio em concurso de poesia aos 13 anos.&lt;br /&gt;
João Villaret e Natália Correia, entre outros, dois dos grandes declamadores nacionais disseram os seus versos.&lt;br /&gt;
Na sua atividade como jornalista '''João Braz''' fundou e dirigiu &amp;quot;A Rajada&amp;quot;, colaborou nos jornais &amp;quot;O Diabo&amp;quot;, &amp;quot;Ala Esquerda&amp;quot;, &amp;quot;Vibração&amp;quot;, &amp;quot;Espectáculo&amp;quot;, &amp;quot;Artes e Letras&amp;quot;, &amp;quot;Diário de Lisboa&amp;quot;, &amp;quot;Diário Illustrado&amp;quot;, &amp;quot;Correio do Sul&amp;quot;, &amp;quot;Jornal do Algarve&amp;quot; e &amp;quot;Diário do Alentejo&amp;quot;.&lt;br /&gt;
Escreveu para o teatro de revista, as peças «Sendo assim está certo…», «Fitas faladas», «Feira de Agosto» e «Isto só visto», com a qual foi inaugurado o antigo Cineteatro de Portimão, recebeu o «Prémio Diário de Lisboa» pela peça em um ato «Casar por anúncio», para teatro. Toda a sua obra para teatro  foi já representada, mas não editada, além disso é autor de três autos em verso. Integra a toponímia da sua terra natal, S. Brás de Alportel, Portimão e Lagos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Livro joão.jpeg|129px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Bibliografia''' &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Esta Riqueza Que O Senhor Me Deu (1953)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Colectânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Peças de Teatro e Revistas''' &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Casar por Anúncio &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Sendo Assim Está Certo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Fitas Faladas &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Isto Só Visto &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Feira de Agosto&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Autos de El-Rei Xéxé &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Serração da Velha &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Máscaras&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:S.Brás do Alportel]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o&amp;diff=63128</id>
		<title>Braz, João</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o&amp;diff=63128"/>
				<updated>2025-12-08T13:55:22Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:Braz.jpg|106px]] [[File:João-perfil.jpg|101px]] [[File:Velho.jpg|123px]]  &amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
*'''João Braz''' Machado&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
S. Brás de Alportel, 13/03/1912 - Portimão, 22/06/1993&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Poeta. Jornalista. Escritor. Autor de peças de teatro e de revista. Os seus versos foram ditos por alguns dos maiores declamadores nacionais, como João Villaret e Natália Correia.&lt;br /&gt;
[[File:Poemas.jpg|221px]] [[File:Estátua joão.png]] &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Grupo joão.jpg|198px]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em casa de Emiliano da Costa, na aldeia de Estoi, num dos últimos aniversários do poeta. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da esquerda para a direita, em pé, João Braz, Joaquim Magalhães, Elviro da Rocha Gomes e o José Neves Júnior.&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''O mundo, pião de Deus&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Nunca em tal tinha pensado!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E fiquei muito admirado&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
com a lição que aprendi&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Roda o Mundo... e o caso é&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
que eu ando a rodar em pé&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
e ainda não entonteci!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ora um dia, em pequenino,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
disseram-me que o destino&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
e mares, terras, e céus&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
eram fruto de labôr &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
insano do Creador &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
e o Creador era Deus.... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Mas, pondo o caso em estudo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
reparo que nisto tudo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
reina grande confusão; &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
pois no Céu, seria asneira &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Deus andar, por brincadeira, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sempre a jogar ao pião..... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E nem o meu professor &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
decifra, sem aranzel &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
este segredo profundo:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Onde é que Nosso Senhor &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
foi arranjar um cordel &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
p'ra fazer rodar o Mundo? &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''Quadras soltas &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Toda a riqueza que em vida &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
alcança a nossa ambição, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pela morte é reduzida &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A sete palmos de chão. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pedi. Disseste que não. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Mas com tal graça me olhaste, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
que eu tive de ser ladrão &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Do beijo que me negaste. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com riquezas não me iludo, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que a fortuna nada indica. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Falta às vezes quase tudo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A gente que é muito rica. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A alegria, quando passa, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nunca pára em meu caminho... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
É mais amiga a desgraça, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que não me deixa sozinho... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''Notas Biográficas'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''João Braz''' aclamado &amp;quot;Príncipe dos Poetas Algarvios&amp;quot;, nos Jogos Florais Nacionais, em 1951, consagração máxima atribuída ao maior dos maiores, ganhou o seu primeiro prémio em concurso de poesia aos 13 anos.&lt;br /&gt;
João Villaret e Natália Correia, entre outros, dois dos grandes declamadores nacionais disseram os seus versos.&lt;br /&gt;
Na sua atividade como jornalista '''João Braz''' fundou e dirigiu &amp;quot;A Rajada&amp;quot;, colaborou nos jornais &amp;quot;O Diabo&amp;quot;, &amp;quot;Ala Esquerda&amp;quot;, &amp;quot;Vibração&amp;quot;, &amp;quot;Espectáculo&amp;quot;, &amp;quot;Artes e Letras&amp;quot;, &amp;quot;Diário de Lisboa&amp;quot;, &amp;quot;Diário Illustrado&amp;quot;, &amp;quot;Correio do Sul&amp;quot;, &amp;quot;Jornal do Algarve&amp;quot; e &amp;quot;Diário do Alentejo&amp;quot;.&lt;br /&gt;
Escreveu para o teatro de revista, as peças «Sendo assim está certo…», «Fitas faladas», «Feira de Agosto» e «Isto só visto», com a qual foi inaugurado o antigo Cineteatro de Portimão, recebeu o «Prémio Diário de Lisboa» pela peça em um ato «Casar por anúncio», para teatro. Toda a sua obra para teatro  foi já representada, mas não editada, além disso é autor de três autos em verso. Integra a toponímia da sua terra natal, S. Brás de Alportel, Portimão e Lagos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Livro joão.jpeg|129px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Bibliografia''' &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Esta Riqueza Que O Senhor Me Deu (1953)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Colectânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Peças de Teatro e Revistas''' &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Casar por Anúncio &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Sendo Assim Está Certo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Fitas Faladas &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Isto Só Visto &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Feira de Agosto&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Autos de El-Rei Xéxé &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Serração da Velha &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Máscaras&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:S.Brás do Alportel]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o&amp;diff=63127</id>
		<title>Braz, João</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o&amp;diff=63127"/>
				<updated>2025-12-08T13:53:10Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:Braz.jpg|106px]] [[File:João-perfil.jpg|101px]] [[File:Velho.jpg|123px]]  &amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
*'''João Braz''' Machado&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
S. Brás de Alportel, 13/03/1912 - Portimão, 22/06/1993&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Poeta. Jornalista. Escritor. Autor de peças de teatro e de revista. Os seus versos foram ditos por alguns dos maiores declamadores nacionais, como João Villaret e Natália Correia.&lt;br /&gt;
[[File:Poemas.jpg|221px]] [[File:Estátua joão.png]] &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Grupo joão.jpg|198px]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em casa de Emiliano da Costa, na aldeia de Estoi, num dos últimos aniversários do poeta. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da esquerda para a direita, em pé, João Braz, Joaquim Magalhães, Elviro da Rocha Gomes e o José Neves Júnior.&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''O mundo, pião de Deus&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Nunca em tal tinha pensado!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E fiquei muito admirado&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
com a lição que aprendi&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Roda o Mundo... e o caso é&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
que eu ando a rodar em pé&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
e ainda não entonteci!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ora um dia, em pequenino,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
disseram-me que o destino&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
e mares, terras, e céus&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
eram fruto de labôr &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
insano do Creador &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
e o Creador era Deus.... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Mas, pondo o caso em estudo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
reparo que nisto tudo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
reina grande confusão; &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
pois no Céu, seria asneira &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Deus andar, por brincadeira, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sempre a jogar ao pião..... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E nem o meu professor &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
decifra, sem aranzel &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
este segredo profundo:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Onde é que Nosso Senhor &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
foi arranjar um cordel &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
p'ra fazer rodar o Mundo? &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''Quadras soltas &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Toda a riqueza que em vida &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
alcança a nossa ambição, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pela morte é reduzida &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A sete palmos de chão. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pedi. Disseste que não. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Mas com tal graça me olhaste, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
que eu tive de ser ladrão &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Do beijo que me negaste. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com riquezas não me iludo, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que a fortuna nada indica. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Falta às vezes quase tudo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A gente que é muito rica. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
A alegria, quando passa, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nunca pára em meu caminho... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
É mais amiga a desgraça, &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Que não me deixa sozinho... &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
*'''Notas Biográficas'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''João Braz''' aclamado &amp;quot;Príncipe dos Poetas Algarvios&amp;quot;, nos Jogos Florais Nacionais, em 1951, consagração máxima atribuída ao maior dos maiores, ganhou o seu primeiro prémio em concurso de poesia aos 13 anos.&lt;br /&gt;
João Villaret e Natália Correia, entre outros, dois dos grandes declamadores nacionais disseram os seus versos.&lt;br /&gt;
Na sua atividade como jornalista '''João Braz''' fundou e dirigiu &amp;quot;A Rajada&amp;quot;, colaborou nos jornais &amp;quot;O Diabo&amp;quot;, &amp;quot;Ala Esquerda&amp;quot;, &amp;quot;Vibração&amp;quot;, &amp;quot;Espectáculo&amp;quot;, &amp;quot;Artes e Letras&amp;quot;, &amp;quot;Diário de Lisboa&amp;quot;, &amp;quot;Diário Illustrado&amp;quot;, &amp;quot;Correio do Sul&amp;quot;, &amp;quot;Jornal do Algarve&amp;quot; e &amp;quot;Diário do Alentejo&amp;quot;.&lt;br /&gt;
Escreveu para o teatro de revista, as peças «Sendo assim está certo…», «Fitas faladas», «Feira de Agosto» e «Isto só visto», com a qual foi inaugurado o antigo Cineteatro de Portimão, recebeu o «Prémio Diário de Lisboa» pela peça em um ato «Casar por anúncio», para teatro. Toda a sua obra para teatro  foi já representada, mas não editada, além disso é autor de três autos em verso. Integra a toponímia da sua terra natal, S. Brás de Alportel, Portimão e Lagos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Livro joão.jpeg|129px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Bibliografia''' &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Esta Riqueza Que O Senhor Me Deu (1953)&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Colectânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Peças de Teatro e Revistas''' &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Casar por Anúncio &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Sendo Assim Está Certo &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Fitas Faladas &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Isto Só Visto &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Feira de Agosto&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Autos de El-Rei Xéxé &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Serração da Velha &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Máscaras&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:S.Brás do Alportel]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63126</id>
		<title>Braz, João Braz - Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63126"/>
				<updated>2025-12-08T13:41:05Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
João Braz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Braz.jpg|106px]] [[File:João-perfil.jpg|101px]] [[File:Velho.jpg|123px]]  &amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
*'''João Braz''' Machado&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
S. Brás de Alportel, 13/03/1912 - Portimão, 22/06/1993&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Poeta. Jornalista. Escritor. Autor de peças de teatro e de revista. Os seus versos foram ditos por alguns dos maiores declamadores nacionais, como João Villaret e Natália Correia.&lt;br /&gt;
[[File:Grupo joão.jpg|198px]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em casa de Emiliano da Costa, na aldeia de Estoi, num dos últimos aniversários do poeta. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da esquerda para a direita, em pé, João Braz, Joaquim Magalhães, Elviro da Rocha Gomes e o José Neves Júnior.&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Em 1978, '''Joaquim Magalhães''' escreveu o prefácio para a coletânea de poemas de poetas algarvios organizada por '''João Braz''' na Casa do Algarve, em Lisboa. Neste texto, '''Magalhães''' revela a sua paixão pelo Algarve e pelo seu património literário, valorizando tanto autores consagrados como aqueles menos conhecidos. Mostrando como a cultura regional pode ser celebrada e partilhada com todos, defendendo a importância de ler, ouvir e divulgar poesia.&amp;lt;br /&amp;gt;Ler este prefácio é uma oportunidade de descobrir o entusiasmo de um verdadeiro promotor da cultura algarvia e de perceber como pequenos gestos, como organizar um sarau, podem manter viva a memória literária da região.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;* Prefácio escrito por '''Joaquim Magalhães''' para a ''&amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;'', com seleção de '''João Braz'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''À MANEIRA DE PREFÁCIO'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 1'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo e qualquer prefácio não passa afinal de posfácio, já que, na realidade, quase sempre é escrito depois da obra feita. Como acontece com este.&lt;br /&gt;
Na Casa do Algarves houve um sarau de poesia com poemas de poetas algarvios selecionados pelo declamador-poeta João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para isso escolheu primeiro e fez, portanto, uma antologia.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quer agora a Casa do Algarves dar-lhe publicação. O que me parece certo. Nunca é demasiado o que se faça dos escritos dos escritores algarvios.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Generosamente acham os seus dirigentes que o trabalho precisa de um apresentador. E escolheram-me para o efeito. Aceitei. Porque este tem sido em parte o  meu destino de algarvio por opção, vai para 45 anos, com tempo de sobra, portanto, para me ter tornado algarvio deveras, como os que mais o são. E mais deliberadamente até, por o ser voluntariamente, com  o coração a bater em uníssono simpático com o que ao Algarve mais importa. Agora e sempre, desde que para cá vim. E nisto tudo estará, com certeza, a fundamentação da escolha. Isto mesmo também torna imperiosa a aceitação do convite.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 2'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Casa do Algarve  tem sido uma espécie de verdadeiro consulado turístico e cultural da sua província na capital do País. Tem no decurso dos anos da sua existência dado cobertura e apoio a muitas propostas de realizações e sonhos daquilo tudo que, em seu parecer, convém, ou possa vir a ser conveniente para o Algarve.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Persistentemente tem vivido a sonhar com um Algarve que se afirme e se realize com ações de características muito próprias. Tem sonhado - e, por vezes, visto que os sonhos se realizam - como no caso do Conservatório Regional do Algarve, que foi sonhado em Lisboa e saiu do casulo do sonho para ser a realidade que hoje é, em Faro, onde vive com dificuldades, mas procura cumprir, graças a um leque de carolices que vai desde a da Cruz Vermelha, que lhe dá abrigo e instalações, até ao sacrificado corpo docente que lhe đá a alma, e não só.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pretende, pois, a “Casa do Algarve”  editar esta coletânea de poemas, organizada por João Braz, com os versos que ele escolheu e disse aos sócios da Casa, num serão bem conseguido. João Braz preferiu, claro está, os de que mais gosta, como, de resto fazem todos os antologistas. Segundo o seu critério estético, de acordo com os seus padrões de gosto pessoal. Como, porém, lhe não chama antologia, mas modestamente, uma coletânea, não se estranhará que. tanto de poetas vivos como de já mortos, mas nascidos no Algarve, alguns autores e poemas não figurem na seleção. Poderá assim notar-se a falta, por exemplo de Ramos Rosa, de Gastão Cruz, de Leonel Neves, de Vicente Campinas, de Torcato da Luz, etc. Cito apenas alguns. Porque ainda há mais, claro está. Só que de mais um em mais um, a cadeia é sem fim. Logo temos de entender o critério de João Braz e de nos não esquecermos de que a escolha foi feita para ser ouvida por um público de assistentes curiosos de poesia, sim, mas não com certeza, de amadores muito exigentes. Para os quais, naturalmente e, com o devido respeito, o declamador-poeta escolheu aqueles poemas que em seu parecer obteriam sem problemas uma mais direta adesão de comunicação e simpatia. Para os quais não seriam precisas aquelas introduções exegéticas, ou simples explicações, que facilitam o entendimento do que é  mesmo menos fácil. Ora, como é sabido, muita da produção lírica dos poetas das  mais modernas gerações nem sempre é acessível a um público não-iniciado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 3'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado é sempre útil divulgar e relembrar poemas grandes dos poetas da província, porque uns são menos lembrados e outros mais ou menos esquecidos. E. num caso ou noutro, esta pequena antologia sem pretensões põe em foco poemas e autores de obras esgotadas. Esta uma outra justificação para a edição.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quanto à inclusão de poemas de João Braz, não houve auto seleção. Sendo poeta também e declamador da sessão, lógico seria que dissesse versos seus, no mesmo serão em que recitou os restantes. A sua inclusão tem, pois, lugar na coletânea do que foi dito no serão. Com escrúpulos dele, mas com justiça, pois não faria sentido que fossem excluídos alguns dos textos ditos, só por serem da autoria do recitador. Daí que a sua publicação se faça aqui, apesar de estarem incluídos na 2.* edição do volume de João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Só nos resta repetir o voto de que este aperitivo sirva de estímulo à curiosidade do eventual leitor para mais intenso proveito e mais profundo convívio com os autores escolhidos e as obras de que os poemas, ora presentes, são apenas uma amostra.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Se tal se conseguir terão sido atingidos todos os objetivos da iniciativa.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim seja.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Faro, 6 de Maio de 1978&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Joaquim Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Poema de '''João Braz''' publicado na referida &amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;:&lt;br /&gt;
  &lt;br /&gt;
'''VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA ETERNO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tive-a nas mãos inteirinha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aos poucos a fui deixando&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por onde a má sorte minha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aos baldões me ia levando.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, ao longo dos dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que, errado, envelheci,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ficaram-me as mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da vida que não vivi...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pudesse eu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ser outra vez rapaz,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E a vida que Deus me deu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tivesse-a inteira, outra vez,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Fazia de mim e dela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Qualquer coisa grande e bela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como nunca ninguém fez!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de afrontar mares terriveis,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Correr mundo ao apelo das lonjuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Atrever-me às maiores aventuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E derrotar todos os impossíveis!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cada, homem, sem olhar a cor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu havia de ver um meu irmão&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E dar-lhe a minha fé e o meu amor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pôr-lhe uma esp'rança a rir no coração..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de semear&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Meu Sonho enorme e fecundo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E vê-lo, enfim, germinar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nas cinco partes do mundo!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ai, vida daqueles dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que errado me perdi,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E fiquei de mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De tudo o que não vivi!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E forte, alegre e audaz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dar-me à luta com coragem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E, a cada meu passo em frente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Deixar sinal da passagem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De alguém que é vivo e presente!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
... Mas não dá Deus outra vez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A vida que já nos deu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E ai de quem a não prendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem a não agarrou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ai daquele que se fez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aquilo que eu hoje sou:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Chama que não acendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Asa que nunca voou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*De Braço Dado - [https://www.facebook.com/groups/109160642455237/permalink/25267555709522383/ Poema publicado no facebook por Graça Braz]&lt;br /&gt;
[[File:De-braco-dado JoaoBraz aoDrJoaquimMagalhaes.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63125</id>
		<title>Braz, João Braz - Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=Braz,_Jo%C3%A3o_Braz_-_Colet%C3%A2nea_de_Poemas_de_Dez_Poetas_Algarvios&amp;diff=63125"/>
				<updated>2025-12-08T13:20:11Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesLeituras-Logo-estr.png|800px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
João Braz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Braz.jpg|106px]] [[File:João-perfil.jpg|101px]] [[File:Velho.jpg|123px]]  &amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
*'''João Braz''' Machado&amp;lt;br /&amp;gt; &lt;br /&gt;
S. Brás de Alportel, 13/03/1912 - Portimão, 22/06/1993&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Poeta. Jornalista. Escritor.&lt;br /&gt;
[[File:Grupo joão.jpg|198px]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em casa de Emiliano da Costa, na aldeia de Estoi, num dos últimos aniversários do poeta. &amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da esquerda para a direita, em pé, João Braz, Joaquim Magalhães, Elviro da Rocha Gomes e o José Neves Júnior.&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Em 1978, '''Joaquim Magalhães''' escreveu o prefácio para a coletânea de poemas de poetas algarvios organizada por '''João Braz''' na Casa do Algarve, em Lisboa. Neste texto, '''Magalhães''' revela a sua paixão pelo Algarve e pelo seu património literário, valorizando tanto autores consagrados como aqueles menos conhecidos. Mostrando como a cultura regional pode ser celebrada e partilhada com todos, defendendo a importância de ler, ouvir e divulgar poesia.&amp;lt;br /&amp;gt;Ler este prefácio é uma oportunidade de descobrir o entusiasmo de um verdadeiro promotor da cultura algarvia e de perceber como pequenos gestos, como organizar um sarau, podem manter viva a memória literária da região.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;* Prefácio escrito por '''Joaquim Magalhães''' para a ''&amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;'', com seleção de '''João Braz'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''À MANEIRA DE PREFÁCIO'''''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 1'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo e qualquer prefácio não passa afinal de posfácio, já que, na realidade, quase sempre é escrito depois da obra feita. Como acontece com este.&lt;br /&gt;
Na Casa do Algarves houve um sarau de poesia com poemas de poetas algarvios selecionados pelo declamador-poeta João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Para isso escolheu primeiro e fez, portanto, uma antologia.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quer agora a Casa do Algarves dar-lhe publicação. O que me parece certo. Nunca é demasiado o que se faça dos escritos dos escritores algarvios.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Generosamente acham os seus dirigentes que o trabalho precisa de um apresentador. E escolheram-me para o efeito. Aceitei. Porque este tem sido em parte o  meu destino de algarvio por opção, vai para 45 anos, com tempo de sobra, portanto, para me ter tornado algarvio deveras, como os que mais o são. E mais deliberadamente até, por o ser voluntariamente, com  o coração a bater em uníssono simpático com o que ao Algarve mais importa. Agora e sempre, desde que para cá vim. E nisto tudo estará, com certeza, a fundamentação da escolha. Isto mesmo também torna imperiosa a aceitação do convite.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 2'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Casa do Algarve  tem sido uma espécie de verdadeiro consulado turístico e cultural da sua província na capital do País. Tem no decurso dos anos da sua existência dado cobertura e apoio a muitas propostas de realizações e sonhos daquilo tudo que, em seu parecer, convém, ou possa vir a ser conveniente para o Algarve.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Persistentemente tem vivido a sonhar com um Algarve que se afirme e se realize com ações de características muito próprias. Tem sonhado - e, por vezes, visto que os sonhos se realizam - como no caso do Conservatório Regional do Algarve, que foi sonhado em Lisboa e saiu do casulo do sonho para ser a realidade que hoje é, em Faro, onde vive com dificuldades, mas procura cumprir, graças a um leque de carolices que vai desde a da Cruz Vermelha, que lhe dá abrigo e instalações, até ao sacrificado corpo docente que lhe đá a alma, e não só.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pretende, pois, a “Casa do Algarve”  editar esta coletânea de poemas, organizada por João Braz, com os versos que ele escolheu e disse aos sócios da Casa, num serão bem conseguido. João Braz preferiu, claro está, os de que mais gosta, como, de resto fazem todos os antologistas. Segundo o seu critério estético, de acordo com os seus padrões de gosto pessoal. Como, porém, lhe não chama antologia, mas modestamente, uma coletânea, não se estranhará que. tanto de poetas vivos como de já mortos, mas nascidos no Algarve, alguns autores e poemas não figurem na seleção. Poderá assim notar-se a falta, por exemplo de Ramos Rosa, de Gastão Cruz, de Leonel Neves, de Vicente Campinas, de Torcato da Luz, etc. Cito apenas alguns. Porque ainda há mais, claro está. Só que de mais um em mais um, a cadeia é sem fim. Logo temos de entender o critério de João Braz e de nos não esquecermos de que a escolha foi feita para ser ouvida por um público de assistentes curiosos de poesia, sim, mas não com certeza, de amadores muito exigentes. Para os quais, naturalmente e, com o devido respeito, o declamador-poeta escolheu aqueles poemas que em seu parecer obteriam sem problemas uma mais direta adesão de comunicação e simpatia. Para os quais não seriam precisas aquelas introduções exegéticas, ou simples explicações, que facilitam o entendimento do que é  mesmo menos fácil. Ora, como é sabido, muita da produção lírica dos poetas das  mais modernas gerações nem sempre é acessível a um público não-iniciado.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Excerto 3'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado é sempre útil divulgar e relembrar poemas grandes dos poetas da província, porque uns são menos lembrados e outros mais ou menos esquecidos. E. num caso ou noutro, esta pequena antologia sem pretensões põe em foco poemas e autores de obras esgotadas. Esta uma outra justificação para a edição.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Quanto à inclusão de poemas de João Braz, não houve auto seleção. Sendo poeta também e declamador da sessão, lógico seria que dissesse versos seus, no mesmo serão em que recitou os restantes. A sua inclusão tem, pois, lugar na coletânea do que foi dito no serão. Com escrúpulos dele, mas com justiça, pois não faria sentido que fossem excluídos alguns dos textos ditos, só por serem da autoria do recitador. Daí que a sua publicação se faça aqui, apesar de estarem incluídos na 2.* edição do volume de João Braz.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Só nos resta repetir o voto de que este aperitivo sirva de estímulo à curiosidade do eventual leitor para mais intenso proveito e mais profundo convívio com os autores escolhidos e as obras de que os poemas, ora presentes, são apenas uma amostra.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Se tal se conseguir terão sido atingidos todos os objetivos da iniciativa.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assim seja.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Faro, 6 de Maio de 1978&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Joaquim Magalhães&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Poema de '''João Braz''' publicado na referida &amp;quot;Coletânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios&amp;quot;:&lt;br /&gt;
  &lt;br /&gt;
'''VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA ETERNO'''&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tive-a nas mãos inteirinha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aos poucos a fui deixando&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Por onde a má sorte minha&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aos baldões me ia levando.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, ao longo dos dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que, errado, envelheci,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ficaram-me as mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Da vida que não vivi...&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pudesse eu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ser outra vez rapaz,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E a vida que Deus me deu&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tivesse-a inteira, outra vez,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Fazia de mim e dela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Qualquer coisa grande e bela&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como nunca ninguém fez!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de afrontar mares terriveis,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Correr mundo ao apelo das lonjuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Atrever-me às maiores aventuras,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E derrotar todos os impossíveis!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cada, homem, sem olhar a cor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu havia de ver um meu irmão&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E dar-lhe a minha fé e o meu amor,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Pôr-lhe uma esp'rança a rir no coração..&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia de semear&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Meu Sonho enorme e fecundo,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E vê-lo, enfim, germinar&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nas cinco partes do mundo!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ai, vida daqueles dias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em que errado me perdi,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E fiquei de mãos vazias&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De tudo o que não vivi!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pudesse eu voltar atrás&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E forte, alegre e audaz&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dar-me à luta com coragem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E, a cada meu passo em frente,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Deixar sinal da passagem&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De alguém que é vivo e presente!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
... Mas não dá Deus outra vez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
A vida que já nos deu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
E ai de quem a não prendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
De quem a não agarrou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ai daquele que se fez&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aquilo que eu hoje sou:&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Chama que não acendeu,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
- Asa que nunca voou!&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*De Braço Dado - [https://www.facebook.com/groups/109160642455237/permalink/25267555709522383/ Poema publicado no facebook por Graça Braz]&lt;br /&gt;
[[File:De-braco-dado JoaoBraz aoDrJoaquimMagalhaes.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[File:MagalhaesEOPoetasAlgarviosLogoWiki.png|1000px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Poetas]][[Category:Teatro]][[Category:Loulé]][[Category:Faro]][[Category:Agr. João de Deus, em Faro]][[Category:Patronos]][[Category:Projeto Magalhães e os Poetas Algarvios]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:De-braco-dado_JoaoBraz_aoDrJoaquimMagalhaes.jpg&amp;diff=63124</id>
		<title>File:De-braco-dado JoaoBraz aoDrJoaquimMagalhaes.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikialgarve.pt/autoresalgarvios/index.php?title=File:De-braco-dado_JoaoBraz_aoDrJoaquimMagalhaes.jpg&amp;diff=63124"/>
				<updated>2025-12-08T13:19:42Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Admin: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>	</entry>

	</feed>